Sami Al Jaber: um príncipe saudita

2007 foi um ano de altos e baixos para o futebol da Arábia Saudita. Houve a derrota da seleção para o Iraque na final da Copa da Ásia e o título de melhor jogador do continente ganho pelo atacante Yasser Al-Qahtani. Mas certamente a principal baixa foi o anúncio da aposentadoria de Sami Al Jaber, um dos maiores futebolistas produzidos pelo Oriente Médio e aniversariante no próximo dia 11 de dezembro, quando completará 35 anos.

O jogo oficial de despedida será um amistoso contra o Manchester United, em janeiro. Será o crepúsculo dourado do príncipe do futebol saudita.

O perfume do seu futebol começou a causar alvoroço no país em meados dos anos 80 no Al Hilal, clube de sua vida. Era um centroavante magrinho de estilo serpenteado e agressivo que driblava em zig-zag e tinha um aproveitamento demolidor nas finalizações.

Jogando pela seleção saudita em um amistoso contra a Inglaterra, em maio de 98, Al Jaber incendiou a partida, que terminou em 0 a 0. Começava-se a falar dele na Europa.

Em 2000, o Wolverhampton o contratou, mas depois de 5 meses de lesões que escassearam suas aparições nos campos da Velha Albion, ele decidiu regressar, apesar do clube inglês ter oferecido mais 4 anos de contrato.

Essa atitude diz muito sobre o caráter de um homem: A inflexibilidade e o apego a terra natal. Al Jaber foi um verdadeiro filho do deserto, o príncipe do futebol saudita.

Os recordes do ‘Sheikh’

Com o brasileiro Carlos Alberto Parreira, Al Jaber teve sua primeira chance na seleção saudita em janeiro de 90, mas seu primeiro gol pelos ‘Filhos do Deserto’ só aconteceu em maio de 93 contra Macau, pelas Eliminatórias da Copa de 94. Evento que marcou sua estréia em Mundiais.

Ao todo, o ‘Sheikh’, como era chamado na região, atuou em quatro copas (94, 98, 2002 e 2006), sendo o primeiro jogador asiático a marcar gols em três mundiais, além de ter sido o quinto futebolista a balançar as redes em copas num espaço de 12 anos (94 contra o Marrocos e 2006 contra a Tunísia).
Antes, ‘apenas’ Uwe Seeler, Pelé, Maradona e Michael Laudrup fizeram tal proeza. Marca também atingida pelo sueco Henrik Larsson que marcou alguns dias depois do saudita na Copa de 2006, na Alemanha, e também entrou para esta galeria.

Al Jaber é o maior artilheiro da história da seleção saudita e um dos seis jogadores que mais vezes vestiram a camisa de uma seleção nacional.

O grande debate hoje na Arábia Saudita é saber se o astro Yasser Al-Qahtani, neo-Bola de ouro na Ásia, superará o antigo ídolo. Só o tempo dirá…

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Equipe Trivela

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