Salamanca: De volta ao pesadelo

12 de junho, Estádio Helmántico, em Salamanca, na Espanha. A Unión Deportiva Salamanca entrou em campo, pela penúltima rodada da segunda divisão espanhola, para enfrentar o Murcia, precisando da vitória para continuar a sonhar com sua permanência na ‘segunda división’.

Passados os 90 minutos, o que se viu nas arquibancadas foram os protestos da torcida e em campo uma vexaminosa derrota por 2 a 0, diante de mais de 12 mil torcedores. Com isso, após 12 anos, o Salamanca voltava a ser uma equipe da ‘Segunda B’, a terceira divisão do futebol espanhol.

Historicamente, o Salamanca não é uma equipe grande da Espanha. Pelo contrário, sempre figurou nas divisões menores, mas com algum sucesso, o que já o levou a disputar 12 temporadas na primeira divisão. Ao todo, foram 424 partidas disputadas na Liga Primera, com 124 vitórias, 102 empates, 198 derrotas, 425 gols marcados e 581 sofridos. Isso o coloca em uma honrosa 26ª colocação no quadro geral de equipes da primeira divisão.

A melhor colocação na história da equipe salmantina aconteceu na temporada de 1974/5, quando o time alvinegro terminou o certame na sétima colocação, conquistando vaga na Copa UEFA do ano seguinte. Também no final da década de 70, a equipe conseguiu sua maior seqüência invicta na primeira divisão: foram 11 jogos, desde a 31ª rodada da temporada 1978/9 até a sétima do ano seguinte.

Mesmo sem nenhum título de expressão ao longo de seus 82 anos de existência, a equipe carrega consigo uma história muito ligada à cidade, reduto cultural e centro de universitários de todo o mundo.

História

No início do século XX, um grupo de estudantes irlandeses chegou em Salamanca e apresentou o futebol aos moradores da cidade. Esses mesmos estudantes formaram a primeira equipe de futebol da cidade, que chegou a disputar alguns torneios em Madrid.

Posteriormente, alguns outros times surgiram em Salamanca, como Helmántica, Español, Salesianos e Calatrava, mas nenhum conseguiu sobreviver ao tempo. Somente no dia 23 de fevereiro de 1923 foi fundada a Unión Deportiva Española, tendo como primeiro presidente Federico Anaya Simon, prefeito da cidade na época. Um pequeno terreno, conhecido como ‘El Calvário’, foi comprado, e dessa forma começaram as atividades do que viria a ser o Salamanca.

A mudança de nome, de Unión Deportiva Española para Unión Deportiva Salamanca, aconteceu em 1931, no dia 15 de janeiro, após a decisão da junta diretiva do clube. Décadas mais tarde, em 1991, o clube passou a ser denominado uma Sociedade Anônima Desportiva, e integrou a sigla SAD ao nome. Já o Estádio Helmántico foi inaugurado somente no dia 8 de abril de 1970, aposentando de vez ‘El Calvário’.

Meninos, eu vi…

Salamanca é uma cidade extremamente agradável e receptível. Com uma população fixa de pouco mais de 170 mil habitantes, faz parte da região de Castilla-León, no centro-oeste da Espanha. Salamanca é a capital da província com o mesmo nome e em 2002 ganhou o título de Cidade Patrimônio e Capital Européia da Cultura.

Nela localiza-se a terceira universidade mais antiga da Europa, a Universidad de Salamanca. Além dela, existem muitas outras faculdades e centros de língua e cultura espanhola, que atraem milhares de estudantes de todas as partes do mundo. Com isso, nada mais natural do que a cidade ser repleta de bares.

Salamanca é uma das cidades com o maior número de bares e danceterias que existe na Europa. A vida boêmia e noturna salmantina é repleta de opções de segunda a segunda, para todos os gostos. Banhada pelo rio Tormes, de águas escuras e frias, o passeio ao longo de suas margens e pontes é algo infalível para conquistar o coração de alguém.

O Estádio Helmántico fica fora da cidade, na rodovia que liga Salamanca a Zamora. Pequeno e aconchegante, tem uma arquitetura típica européia. A torcida, conhecida como ‘unionista’, é calma e gosta de assistir às partidas sentada, até mesmo pelo forte vento frio que costuma bater às portas do estádio. No fundo de um dos gols, se concentram os torcedores mais jovens, que formam a ‘peña’ mais fanática do Salamanca. São eles que levam os tambores, os papéis picados e as cornetas que tanto incomodam os senhores de mais idade que procuram se concentrar na partida. O hino salmantino é sempre entoado antes dos jogos.

Não existem grades, ou túneis, que separem as arquibancadas do gramado. Alguns torcedores chegam a assistir aos jogos da mureta, na grama, e os desatentos usualmente levam algumas boladas.

A queda do Salamanca para a terceira divisão da Espanha foi um baque no sentimento dos torcedores mais jovens, que estavam acostumados a ver a equipe disputando partidas contra os grandes e os médios clubes espanhóis. A torcida já pede a cabeça do presidente Don Angel Mazas Acosta e quer uma profunda reformulação no elenco, para tentar, no próximo ano, retornar à segunda divisão e tentar construir uma sala de troféus que não fique à dever aos títulos conquistados pela cidade.

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