Romarinho foi erro de Tite. Foi?

Quando vi Romarinho na beira do campo da Bombonera na quarta-feira passada, pensei: lá vai o Tite provar que eu sempre estive certo quando disse que ele era um técnico meia-boca. O resto da história, todos já conhecem: Romarinho entrou, empatou o jogo em um lance de extrema frieza e calou os críticos. Dele, sem dúvida, mas e os de Tite?
Evidentemente, a imprensa oba-obística (faz tempo que eu não uso o termo) embarcou: “a mística”, a “estrela de Tite” e todo aquele monte de bobagem. Mística não existe. Estrela não existe. O que existe é competência e sorte. E, em alguns casos, intuição. Todas funcionam por vezes, com uma desvantagem para a sorte: não se pode tê-la como estratégia, porque, ao contrário da competência e da intuição, ela é imprevisível, e não pode ser guardada para as horas certas.
Quando me manifestei no twitter sobre a substituição ainda acrescentei: “se Romarinho marcar seis gols, ainda terá sido uma burrice”. O jogador ficou me devendo cinco, portanto. E, no primeiro momento, embora entrando na brincadeira, continuei a achar que, como estratégia, nnao faz sentido apostar em um jogador que não jogou sequer um minuto na competição, sendo esta competição a mais difícil que seu time joga. Ainda que tenha funcionado, o papel do treinador não pode ser apostar na sorte. Se não, o que diferenciaria um Guardiola de um Jair Picerni?
Há, porém, uma outra maneira de encarar a substituição de Tite, sem levar em conta a “mística”: pelo lado da falta de opção. Funciona assim: quem está lá não resolve, o William não resolveria, esses caras que eu tenho no banco prefiro nem olhar pra eles. E o moleque (que, diga-se, não é tão moleque) pelo menos nunca me mostrou que é ruim. Trata-se, ainda assim, de uma aposta na sorte, mas de uma aposta na sorte com um raciocínio por trás. Valida a aposta? Difícil afirmar, ainda mais que o jogador a sair foi Danilo, que vinha mal, mas que fora decisivo diversas vezes antes. Enquanto isso, Liédson ficou em campo assistindo a partida.
É sempre difícil julgar o trabalho do técnico. Como saber qual é “o cara” e qual é o asno sortudo? O verdadeiro Muricy é o multicampeão ou o que conseguiu fazer o Santos com Neymar virar um time comum. O verdadeiro Tite é o confuso técnico pré-Corinthians ou o que montou o seguríssimo título atual? Na dúvida, sempre é prudente e justo deixar os títulos falaream por nós: técnico bom é técnico que ganha títulos. Se for campeão, Tite terá acertado. Se não, terá tido sorte em um erro bizarro. Ou mais ou menos isso.



