República Tcheca: muralha em busca de líderes

Em 1996, a Inglaterra se preparou para vencer a Eurocopa. Afinal, pensavam os ingleses, como podemos sediar um “major tournament” sem vencê-lo. Bem, como disse Gary Lineker, ex-atacante inglês, “nos grandes torneios, todo mundo joga e tem chances, mas quem vence é sempre a Alemanha”. E assim foi.

Mas a surpresa do torneio foi a “estreante” República Tcheca. Tomando parte de seu primeiro torneio internacional importante, os tchecos chegaram á final eliminando Portugal e França. O destaque do time era o ala Karel Poborsky e a promessa era um meio-campista chamado Pavel Nedved, então com 23 anos.

Doze anos depois, os tchecos chegaram às portas de outra Eurocopa esperando que um aposentado (da seleção) Nedved voltasse a vestir a camisa nacional para conduzir um grupo que não é ruim, mas não tem nomes que empolgam. Para piorar, perdeu seu capitão e principal jogador: Tomas Rosický, contundido. E agora?

A esperança da torcida tcheca se apóia numa defesa que só concedeu cinco gols em 12 jogos nas eliminatórias da Euro-2008. E isso num grupo que tinha adversários incômodos como Alemanha e Irlanda. Será que dá para ir adiante só com uma boa defesa? O veterano técnico Karel Bruckner espera que sim.

Como a Itália

Não espere encontrar nos nomes dos jogadores a explicação para a eficiência defensiva tcheca. O ex-PSG David Rozehnal, hoje pertence ao Newcastle-ING e passoua temporada passada emprestado à Lazio-ITA e nem no Olímpico ele foi titular (só 10 jogos na temporada). Rozehnal já era um zagueiro sólido jogando no Club Bruges, da Bélgica, mas nunca foi decantado como um jogador excelente. A coisa muda com a camisa da seleção.

Rozehnal jogou todas as 12 partidas (só uma derrota), teve uma média de uma falta por jogo e levou um cartão amarelo. A defesa que ele comanda só perdeu para a Alemanha, em Praga (mas venceu na casa do adversário). Rozehnal é o jogador mais técnico e que age como homem de sobra; ao seu lado, Kovác, do Spartak Moscou-RUS, dá o primeiro combate. E dificilmente alguém passa.

Normalmente, a defesa tcheca joga com quatro homens, mas a formação tem peculiaridades. O lateral-direito, Tomáš Ujfaluši (que trocou a Fiorentina-ITA pelo Atlético Madrid-ESP) é quase um zagueiro: marca forte e quando o time tem a posse de bola, age como um central; na esquerda, Jankulovski, do Milan.

Podem-se traçar similaridades da defesa tcheca com a italiana. Na Itália, na linha de quatro defensores (o lateral-esquerdo, Grosso ou Zambrotta) apóia o ataque quando o time tem a bola. No time de Karel Bruckner, esse papel é do ala-esquerdo do Milan. Além disso, assim como Buffon na Itália, a República Tcheca também tem um goleiro espetacular, o vice-campeão europeu Petr Cech.

O meio-campo tcheco também tem parte importante na eficiência defensiva da seleção. O setor se caracteriza por muita marcação e isso deve ficar ainda mais acentuado sem Rosický. Quase todos os convocados por Bruckner primam pela força física, mas atenção: dificilmente você verá uma seleção tcheca retrancada. Bruckner é conhecido por ser um adepto do futebol ofensivo. Mas depois de ter apostado num time todo ofensivo, sem obter resultados, o treinador ensaia uma República Tcheca “guerreira” no próximo Europeu.

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Equipe Trivela

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