Reminiscências (ou Real Madrid 3 x 5 Sevilla)

Esperando pela chuva que talvez não surja. Mais um domingo qualquer. Procurando por algo que ainda não há. Tentando recordar de algo que não se deseja lembrar. Encontrando um passatempo. Início de temporada. Real Madrid e Sevilla. Supercopa da Espanha, no jogo de ida 1 a 0 Sevilla com gol brasileiro de Luis Fabiano exatamente uma semana atrás. Última temporada, não faz tanto tempo assim. Real Madrid se torna sólido no decorrer da Liga Espanhola com Fabio Capello a sua frente. Campeão! Capello não mais está, seu lugar agora é ocupado por Bernd Schuster. Em Sevilla mantém-se a base de um time que venceu a Copa do Rei e a Copa da UEFA. Conjunto! Algo que os merengues precisam readquirir. Nem vinte minutos de partida. Já temos 1 a 1. Renato, aquele que era do Santos abre o placar para o Sevilla. Na sequência o estreante Royson Drenthe empata com um tiro indefensável. Estrar com pé esquerdo? Claro! Se canhoto for o estreante. Holandês, atuando pelo lado esquerdo. Negro, longos cabelos, infinita disposição física. Lembra Edgar Davids? Ou Seedorf, porque Davids atuou pelo rival catalão. Nem um nem outro, Drenthe é o nome dele!

Renato desempata e Robinho do outro lado do campo, deve estar se lembrando daquele Santos vencedor do qual fez parte. Elano, Diego e o próprio Robinho. Renato parece ter sido o único que Dunga esqueceu. Partida tensa. Daniel Alves se lembra muito bem de como marcar Robinho como fazia os treinos do grupo que foi a última Copa América. Ambos se ‘enroscam’ por diversas vezes. Trombada entre Dragutinovic e Sergio Ramos, pelo campo direito do ataque merengue. Bola na área e o italiano Canavarro cabeçeia e empata de maneira oportuna lembrando por que não, seu compatriota Vieri. ‘Bobo’ Vieri jogou em Madrid há muito tempo atrás mas pelo Atlético. 2 a 2, fim de primeiro tempo.

Missão quase impossível igualar marcador quando o gol fora de casa é critério de desempate. O Sevilla já tem 2 no Santiago Bernabeu. No decorrer do segundo tempo teremos mais nervosismo. Snejider o outro holandês estreante sente a falta de entrosamento. Sua função seria distribuir as jogadas, realizar longos passes e bater faltas. David Beckhan manda lembranças de L. A. California! Van Nistelrooy tenta se lembrar dos gols que o fez artilheiro na temporada passada enquanto recupera o fôlego e sente falta de ritmo. A grande verdade é que o Real Madrid parece sentir a ausência dos grandes marcadores Emerson e Fernando Gago em seu meio de campo. Dizem que saudade é uma palavra difícil de se traduzir, palavra esta que só existiria na língua portuguesa. Teremos mais gols 3 de Kanouté para o Sevilla e mais um para o Real Madrid de Sergio Ramos que parece não querer se lembrar de ter sido revelado pelos rojiblancos. Julio Baptista no banco merengue deve ter se lembrado de seus tempos de ‘la Bestia’ quando também atuava pelo clube adversário. Final: 5 a 3! Sevilla campeão da Supercopa da Espanha. O Sevilla não precisou se recordar do conjunto e do entrosamento que possuia. Já o Real Madrid não se lembrou da rigidez defensiva que possuia na temporada passada, nem de momentos cintilantes tão comuns em seu galático passado recente.

Enquanto tentava me lembrar de algo, me lembrei de alguém. Sei que torce para aquele que é do Brasil, ‘o clube mais brasileiro’. Até o mais espanhol dos times espanhóis às vezes passa por crises de identidade, tentando se lembrar de gloriosos periodos que se foram. Eu aqui tento escrever como um jornalista que nunca fui. Li, não se esqueça de quem você realmente é!

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Equipe Trivela

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