RELEMBRE O JOGADOR: Enzo Francescoli, o ídolo de Zidane

Por Neilson Junior

A seleção uruguaia está na moda. Apareceu na Copa do Mundo depois de vinte anos e, na África do Sul, conseguiu um fantástico quarto lugar. Esse ano, conquistaram a Copa América com direito à vitória contra os anfitriões e rivais argentinos. Como expoentes dessa geração certamente lembraremos de Lugano, Suárez e Forlán. Mas até que o Uruguai estivesse novamente reconhecido como força pelo resto do mundo, houve um hiato de seis décadas. Voltaremos à 1950 e o Uruguai era bicampeão do mundo. Entre os principais jogadores daquele elenco, vale citar Varela, Schiaffino e Gigghia, autor do derradeiro gol daquele Mundial.

Isso não significa que por sessenta anos o país não produziu jogadores de qualidade. Pra mencionar apenas alguns que atuaram no Brasil nesse período, Rodolfo Rodriguez, Pablo Forlán e Pedro Rocha. E se essa longa entressafra não teve o mesmo êxito das outras em Copas, certamente não foi pela falta de talento de um meia que ganharia fama na década de 80: Enzo Francescoli.

El Príncipe

Francescoli é considerado um dos grandes jogadores uruguaios da história, mesmo sem fazer parte de uma brilhante geração, o que torna seu reconhecimento ainda mais expressivo. Mas engana-se que escreveu sua história com a camisa celeste sem troféus. Ajudou seu país a vencer três edições da Copa América, em um curto período de doze anos. Além disso, era parte do grupo que se classificou para as Copas de 86 e 90, o que depois tornou-se difícil tarefa para sua seleção.

Mesmo assim, o jogador tem intensa relação com os vizinhos – e novamente, rivais – do Rio da Prata. Enzo mora na Argentina e foram lá muitos de seus grandes momentos enquanto jogador.

Mas antes disso, esse torcedor do tradicional Peñarol começou sua carreira pelo Montevideo Wanderers. Bastaram alguns anos para que o meia atravassasse a fronteira e caísse no Monumental de Nuñez, para defender o River Plate. Integrante do grupo vencedor do Campeonato Argentino de 83 e 84, foi na temporada 85-86 que Francescoli se fixou como o grande jogador do time, terminando artilheiro do torneio.

Poderia ter ficado para jogar a Libertadores – que seria vencida pelo River – mas em 86 foi para o futebol francês, no Racing Club. Quatro anos depois, seu grande momento no velho continenente: foi campeão francês pelo Olympique de Marselha e eleito melhor estrangeiro da liga.

Duvida? Então pergunte à Zinedine Zidane. O francês, quando garoto era torcedor do Olympique e já disse ser fã de Francescoli. Até nomeou um filho de Enzo! E cá entre nós, de meio-campo, Zizou entende um pouco.

Passagem pela Itália onde ganhou o apelido de “Il Princepe” da torcida do Cagliari onde jogou antes do Torino. Mas ainda havia mais a se fazer na Argentina. Ou mais exatamente no River Plate.

Seu final de carreira foi espetacular. Entre o ano do retorno ao River até sua aposentadoria (94 à 97) levou quatro Campeonatos Argentinos, uma Libertadores e uma Supercopa, além da Copa América de 95 (em casa, vencendo os atuais campeões mundias, o Brasil).

Apesar das vitórias com a seleção uruguaia, já declarou que sente-se mais admirado pelos fãs da Argentina, onde inclusive mora hoje. Essa curiosa relação porém, não tira das história suas grandes atuações com sua seleção, nem sua incrível leveza na condução do jogo.

Poderia ter ido mais longe, caso tivesse os companheiros atuais ou de antigamente. É só imaginar naqueles exercícios que todo apreciador do futebol faz: Rodriguez, Pablo Forlán, Varela, Lugano, Pedro Rocha, Schiaffino, Francescoli, Walter Gómez, Gigghia, Forlán e Suárez.

Atualmente é vice-presidente das empresas Tenfield e Gol TV. Nesse sábado, o meia uruguaio completa 50 anos. Parabéns, “El Príncipe”!

Ficha técnica

Nome: Enzo Francescoli Uriarte
Nascimento: 12/11/1961
Nacionalidade: uruguaio, nascido em Montevideu
Posição: meia
Seleção: 73 partidas (17 gols)
Clubes: Montevideo Wanderes (Uruguai – 78-82), River Plate (Argentina – 83-86 – depois 94-97), Racing Club (França – 86-89), Olympique de Marselha (França – 89-90), Cagliari (Itália – 90-93), Torino (Itália 93-94).
Copas do Mundo: 1986 (4 jogos, 1 gol), 1990 (4 jogos, 0 gol)
Títulos: Copa América (83,87 e 95), Copa Libertadores (96), Supercopa Sul-americana (97), Campeonato Argentino (86, 94, 95, 96 e 97 – duas vezes), Campeonato Francês (90).

Premiações: listado por Pelé como um dos melhores futebolistas vivos (2004); votado como maior jogador de todos os tempos do River Plate (2008); eleito décimo segundo melhor jogador do século XX pela revista France Football (1999), futebolista sul-americano do ano (84 e 95) e melhor jogador da Copa América (83 e 95).
 

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