RELEMBRE O JOGADOR: Alex Aguinaga

Por Luís Filipe Pereira

Todo jovem jogador sonha em jogar na Europa. Tal máxima é proferida todos os dias, seja numa roda de amigos ou nos programas de debate esportivo veiculados nas diferentes mídias. Com isso, salvo algumas exceções, a cada dia que passa, cresce a corrente dos que acreditam que para um jogador alcançar renome internacional, uma parada no Velho Continente é indispensável.  Seria possível, no entanto,  que um jogador equatoriano seja considerado o maior da história de seu país, sem ter disputado sequer o Campeonato Belga?

Álex Darío Aguinaga Garzón nasceu em 9 julho de  1968 em Ibarra, cidade com características típicas de interior, situada ao norte do Equador. Aos 16 anos ingressou nas categorias de base do Deportivo Quito, clube da capital. No início da carreira, quando vivia o vigor de sua juventude, o garoto, que impressionava pela habilidade com a canhota, jogava aberto pela ponta esquerda. Tempos depois, seu estilo cadenciado, de um camisa 10 clássico, o consagraria no Necaxa e lhe renderia, por parte da imprensa mexicana, a sugestiva alcunha de El Maestro. O  clube mexicano  o contratou depois que Aguinaga se apresentou em ótima forma na Copa América de 1989, disputada no Brasil, sendo escolhido pela organização da competição como um dos melhores atletas do torneio.

Suas exibições no torneio Sul Americano fizeram com que o então treinador do Milan, Fabio Capello, viesse ao Brasil com objetivo de voltar à Bota com a estrela equatoriana na bagagem. A mídia também especulava que gigantes como Real Madrid e Barcelona também poderiam estar no páreo. No entanto, no final das contas, Aguinaga acabou vendido para o futebol mexicano, por um valor que não chegava aos 300 mil dólares. Na época, o treinador rossonero chegou a declarar que era um equívoco para o jogador, considerado o grande maestro de La Tri, se transferir para um mercado periférico do futebol mundial.

Capello não sabia, no entanto, que a contratação do equatoriano pelos rojiblancos era o cartão de visitas do novo diretor de futebol da equipe, Aníbal Ruiz. O Necaxa passava por um momento de transição – recém-adquirido pelo Grupo Televisa, um dos maiores conglomerados de mídia das Américas – por isso, a  reformulação do elenco era prioridade. E a aquisição de uma estrela era peça  fundamental nesse processo.

O talento desponta

A identificação de Aguinaga com o futebol azteca foi instantânea. Tanto que dedicou 14 anos de sua carreira à equipe de Aguascalientes. Tempo suficiente para que escrevesse seu nome na história do clube: hoje ele é o terceiro maior artilheiro da equipe em todos os tempos, com 84 gols marcados. Sob sua batuta, o Necaxa ganhou seus únicos títulos da primeira divisão, além de uma Copa Mexicana. Além disso, estendeu seu domínio ao continente, arrematando, em 1999, a Copa dos Campeões da CONCACAF, o que credenciou a equipe a disputar, em 2000, o controverso Mundial de Clubes organizado pela FIFA no Brasil. Ao final, um terceiro lugar, ficando atrás somente de Corinthians e Vasco.

Com tantas conquistas pelo clube mexicano, Aguinaga acabou eleito o melhor jogador dos anos 90 no país. Deixaria a equipe  em 2003, rumo ao Cruz Azul.  Na equipe da capital não conseguiu conquistar no time principal, cabendo-lhe um papel secundário no plantel. Ao final de 13 partidas e nenhum gol marcado, passaram dois anos. O sucesso dos tempos de Necaxa parecia ter ficado para trás. Buscando alguma motivação ao final de sua carreira, Aguinaga voltou ao Equador para jogar na LDU.

Entre os anos de 2004 e 2005, foram 71 jogos e 9 gols, vestindo a camisa da Liga Deportiva Universitária em jogos válidos por competições nacionais e continentais. O título da Série A, conquistado em seu segundo ano de contrato,  garantiu em mais uma edição da Copa Libertadores. Apesar do título continental ter chegado apenas em 2008, pode-se dizer que Aguinaga contribuiu de maneira essencial para a evolução de los albos, que são considerados hoje em dia um dos grandes da América e seguramente, a maior equipe do Equador.

Na seleção

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, foi de Aguinaga o passe para que Ivan Kaviedes marcasse o gol que credenciaria, pela primeira vez, o Equador a disputar o torneio de seleções mais importante do mundo. No Mundial, no entanto, o talento do camisa 10 não foi suficiente para evitar a eliminação ainda na fase grupos.

No entanto, a geração de Augustin Delgado, Cevallos e Ivan Hurtado, considerada por muitos como a mais talentosa de toda a história do futebol equatoriano, voltou para casa com o sentimento de dever cumprido. E apesar da eliminação precoce, El Maestro,  é reverenciado como o jogador mais talentoso que já defendeu as cores da seleção.


Fim de Festa

Aguinaga encerrou sua carreira profissional aos 36 anos e sua última competição disputada foi o Clausura de 2005, pela LDU. Em 19 de outubro de 2007, uma partida amistosa marcou sua despedida dos gramados. Estiveram presentes várias estrelas do futebol sul americano das décadas de 80 e 90, como Zamorano e Asprilla. O jogo, disputado no Estádio Atahualpa  foi cercado de expectativa pela imprensa local.

Sua carreira de treinador parece não ter decolado ainda. Apesar de sua rapidez de raciocínio e precisão no passe, Aguinaga ainda não demonstrou habilidade suficiente para dirigir uma equipe fora das quatro linhas. Prova disso é sua passagem relâmpago pelo Barcelona de Guayaquil, em março do ano passado. Os resultados não foram alcançados e ao final de três meses de contrato, foi dispensado pela direção do clube.
 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo