Real Sociedad: Um intruso entre os grandes

Não é o poderoso Real Madrid de Ronaldo, Figo, Zidane e Roberto Carlos; nem o Barcelona de Kluivert, Riquelme e Saviola; muito menos o atual campeão Valencia. Para a surpresa geral, na primeira parte da temporada 2002/3 da Liga Espanhola, quem dá as cartas é a Real Sociedad.

Após 13 rodadas disputadas, a equipe da cidade de San Sebastián, no País Basco, é a líder da competição com 29 pontos, quatro a mais que o segundo colocado Mallorca e bem à frente de Real Madrid e Barcelona. E mais, a Real Sociedad, mesmo já tendo enfrentado as principais forças da Espanha na temporada em vigência, é a única equipe ainda invicta na competição.

Mesmo com apenas cerca de um terço do campeonato disputado, a campanha da Real Sociedad pode ser considerada impressionante, ainda mais se levarmos em conta os desempenhos anteriores da equipe basca na liga espanhola. Nos últimos anos, o time de San Sebastián, além de não conseguir resultados expressivos, lutou freqüentemente contra o drama do rebaixamento.

Os destaques da equipe comandada pelo técnico francês Raynald Denoueix são encontrados do meio-campo para frente. Na armação, o russo Valery Karpin, após várias temporadas de regularidade defendendo o Celta de Vigo, se transferiu para San Sebastián para dar o toque de equilíbrio à equipe.

Na companhia de Karpin no meio aparece Javier De Pedro, considerado por muitos o melhor jogador espanhol da atualidade. De Pedro, destaque da seleção espanhola na última Copa do Mundo, é o dono do time. Grande parte da ação ofensiva da Real Sociedad nasce nos pés do meia.

Na frente aparece o experiente goleador iugoslavo Darko Kovacevic, que em outros tempos se destacou na Itália com a camisa da Juventus e da Lazio. Com nove gols, o centroavante figura na vice-artilharia da temporada, apenas um gol atrás do holandês Roy Makaay, do Deportivo La Coruña.

Tempos de glória

Mas esta não é a primeira vez que a Real Sociedad consegue se enfiar no meio das grandes forças do futebol espanhol e incomodar. No início da década de 80, antes da longa hegemonia do Real Madrid, a equipe basca fez história ao conquistar dois títulos consecutivos, nas temporadas de 1980/1 e 1981/2.

Um ano antes do primeiro título do bicampeonato, o prenúncio dos tempos vencedores aconteceu quando a equipe de San Sebastián estabeleceu o recorde de invencibilidade europeu, ao ficar 32 partidas sem derrota. Mesmo com esse desempenho expressivo, a Real Sociedad acabou com o vice-campeonato, um ponto atrás do Real Madrid.

No entanto, o troco veio no ano seguinte. Na última rodada da temporada 1980/1, a Real Sociedad conquistou o título na partida conhecida como 'a batalha de Gijón'. Com um gol de Zamora nos acréscimos, os bascos empataram com o Sporting local e evitaram que o Real Madrid triunfasse mais uma vez.

No topo dos grandes nomes dessa época, e também na dianteira da lista de ídolos do clube, aparecem o atacante Zamora e o meia López Ufarte. Também desfruta da reputação de mito em San Sebastián o técnico Alberto Ormaetxea, que dirigiu a equipe nos dois títulos nacionais.

O último título de expressão da Real Sociedad aconteceu em 1987, quando a equipe então dirigida pelo renomado galês John Toshack conquistou a Copa do Rei da Espanha. Em partida disputada no estádio La Romareda, em Zaragoza, os bascos derrotaram o Atlético de Madrid nos pênaltis, após empate no tempo regulamentar.

Maldição

A primeira conquista da Real Sociedad de Fútbol aconteceu em 1909, quando a equipe ainda ostentava a nomenclatura de Club Ciclista de San Sebastián. Os bascos conquistaram a Copa do Rei e, por essa razão, ganharam do monarca espanhol Alfonso XIII o título de 'Real'. Só depois dessa comenda que os dirigentes decidiram alterar o nome do clube.

Com o primeiro título, o clube também acabou deixando suas raízes do ciclismo de lado para apostar tudo no futebol. Com isso, diz a lenda que um famoso 'mecenas' do antigo Club Ciclista, Monsieur Comet, ressentido com a mudança esportiva da instituição de San Sebastián, lançou uma maldição: “A Real Sociedad nunca mais será campeã”. Entretanto, as décadas se passaram e a praga do antigo incentivador finalmente caiu por terra nos anos 80.

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