Ravelli: Louco artista dos gramados

Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, um jogador surpreendeu a todos ao tratar a maior competição futebolística de forma cômica, engraçada, até com um certo desleixo, mas com responsabilidade. Brincar com a seriedade, com a tensão envolvida nos jogos, inclusive nos mais equilibrados e difíceis, como numa semifinal contra o Brasil, por exemplo. Esta figuraça era Thomas Ravelli, ex-goleiro da Suécia.

No Mundial em questão, os suecos atingiram a terceira colocação. No time, muitos bons jogadores, como o meia Martin Dahlin e o atacante Thomas Brolin. Mas as atenções voltavam mesmo para Ravelli. Aliás, ele era mestre em chamá-las para si. Caras, bocas, poses e até passinhos de uma dança esquisita (talvez inventada por ele mesmo) eram executados sempre que o goleiro fazia uma defesa ou antes de bater um tiro de meta, por exemplo.

Para Thomas Ravelli, futebol não era coisa séria. Era espetáculo… show. O gramado era uma espécie de palco. O jogo, uma peça teatral, dirigida e estrelada por ele próprio. Sua “ousadia” ajudou a mostrar a muitos adoradores do futebol, principalmente as crianças, que o esporte-bretão é (ou pode ser) mágico.

No cenário nacional

Nascido na pequena Vastervik, cidade litorânea no extremo sul da Suécia, Ravelli começou a sua carreira profissional (de jogador/humorista) no Östers, em 1979. No ano seguinte, conquistou o seu primeiro título nacional, feito que se repetiu 1981. Em 1989, se transferiu para o Gotemburgo. Na equipe, sagrou-se hexacampeão, entre 1990 e 1996 (no período, só não ganhou o campeonato de 1992, que ficou com o AIK).

Auge tardio

O destino quis que Ravelli aparecesse para o mundo já veterano. Em 1990, na Itália, participou de sua primeira Copa do Mundo, aos 30 anos. Na ocasião, porém, a Suécia fez uma pífia campanha: perdeu os três jogos da primeira fase (Brasil, Escócia e Costa Rica), todos por 2 a 1.

Dois anos mais tarde, entretanto, Ravelli foi um dos principais nomes de sua seleção, que, em casa, atingiu a fase semifinal da Eurocopa. A campanha foi uma prévia do que os escandinavos viriam a fazer em 94, quando o arqueiro e a Suécia brilharam em campos norte-americanos. Com belas atuações, Ravelli fechou o gol sueco durante a Copa. E, claro, gracinhas e traquinagens foram executados em abundância. Destaque para sua atuação nas quartas-de-final, contra a Romênia. Após empate em 2 a 2 no tempo normal e na prorrogação, o goleiro sueco defendeu duas cobranças de pênaltis dos romenos e garantiu a passagem da Suécia à semifinal contra o Brasil.

Quando encerrou a carreira, em 1999, após uma temporada no T.B. Mutiny, dos Estados Unidos, Ravelli deixou uma marca expressiva. Na época, era o jogador que mais vestiu a camisa de uma seleção nacional: 143 vezes, entre 1981 e 1997 – depois foi superado pelo alemão Lothar Matheus, com 150 partidas.

Hoje, aos 46 anos, depois de largar a carreira de dirigente de futebol no Gotemburgo e voltar aos gramados para defender o modesto Gaarda (equipe semiprofissional da quinta divisão sueca) em 2005, Ravelli viaja pelo mundo ministrando palestras motivacionais para empresas. O goleiro que empolgou espectadores, agora ensina os caminhos para uma vida de sucesso… e feliz.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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