Ravanelli: O Penna Bianca

Para muitos, o que diferencia um craque de um bom jogador é a capacidade de decidir uma partida ou um campeonato, aliada à habilidade e ao período em que o atleta encantou torcedores. Craques como Pelé, Maradona e Garrincha, decidiram as partidas enquanto estiveram com as bolas nos pés, por quase duas décadas. Bons jogadores têm estas qualidades, mas em menores proporções e períodos. E Fabrizio Ravanelli é um deles.

O ex-atacante da Juventus e da seleção italiana tem uma história peculiar no futebol. Poucos tiveram uma carreira com tantos baixos, mas com altos que o fazem ser reverenciado eternamente pela torcida da Vecchia Signora.

Nascido em Perugia, Ravanelli iniciou a carreira na equipe de sua cidade, na época na série C2, a quarta divisão da Itália, em 1986. Na temporada seguinte, anotou 23 gols e garantiu o acesso do time. O jogador perambulou entre equipes modestas de seu país, como o Avellino, o Casertana e a Reggiana, até chegar à Juventus e fazer a sua estréia na Série A, já com quase 24 anos.

No entanto, nas suas primeiras temporadas em Turim, Ravanelli mal foi aproveitado pelo técnico Giovanni Trapattoni. Na reserva, comemorou o título da Copa da Uefa de 1993, e até o primeiro semestre do ano seguinte, permaneceu no banco.

Na temporada 94/95, com a chegada de Marcello Lippi, o Penna Bianca (ou Pena Branca, apelido em alusão ao precoce surgimento dos cabelos brancos) assumiu a titilaridade e passou a fazer dupla com o carequinha Gianluca Vialli. Mais que chamar a atenção pelo visual, o ataque da Juve marcou muitos gols e teve sua competência traduzida em títulos. Foram três só em 1995: o Campeonato Italiano, a Copa da Itália e a Supercopa da Itália.

A consagração viria ainda um ano mais tarde. Na final da Liga dos Campeões da temporada 95/96, Ravanelli marcou o gol da Juventus no empate em 1 a 1 contra o então campeão Ajax. Nos pênaltis, a Vecchia Signora venceu por 4 a 2 e assegurou seu segundo título do torneio continental. O Penna Bianca passou de figurante a protagonista.

O sucesso no clube, porém, não garantiu a permanência do atacante no elenco. Alguns desentendimentos com a diretoria leveram Ravanelli ao Middlesbrough. Na estréia, três gols contra o Liverpool pareciam dar um ´cala boca´ nos dirigentes da antiga equipe. Pura ilusão. Ao término da temporada, o atacante marcou 16 gols, mas o Middlesbrough terminou rebaixado.

No ano seguinte, já no Olympique de Marselha, Ravanelli sofreu outro duro golpe. Convocado pelo técnico da seleção italiana, Cesare Maldini, para a Copa do Mundo de 1998, acabou cortado na véspera da estréia contra o Chile por conta de uma bronquite – Enrico Chiesa, então no Parma, foi chamado para o seu lugar. Em 22 jogos pelo selecionado nacional, Ravanelli marcou oito gols.

O jogador voltou para a Itália em 1999, para jogar na Lazio. Voltou a ser campeão da Copa da Itália e do Campeonato Italiano, mas na reserva. Retornou à Inglaterra e atuou pelos pequenos Coventry City e Derby County, e teve uma passagem relâmpago pelo Dundee, da Escócia. Após tantos pontos baixos na carreira, o Penna Bianca pendurou as chuteiras em 2005, na equipe que o revelou: o Perugia, desta vez, na segunda divisão.

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Equipe Trivela

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