Rampla Juniors: Os Quebradores de pedras

Em todos os países de língua espanhola, “Los Picapiedras” são bastante conhecidos do público infantil. É um desenho animado que mostra a vida de uma família da Idade da Pedra, conhecida no Brasil como “Os Flintstones”. No Uruguai, isso vem mudando um pouco. Depois de muito tempo, é a vez de outros “quebradores de pedras” despontarem. É o Rampla Juniors, clube de Montevidéu que surpreende ao retornar às primeiras posições do futebol uruguaio.

Fundado em 1914 no bairro de Aduana, o clube se mudou para Aguada e apenas em 1920 se estabeleceu no bairro de Cerro. Não há consenso a respeito da origem das cores (vermelha e verde). A versão mais aceita é que seria uma homenagem ao Fortaleza, clube extinto já na época que atuava em Aguada. A outra é que, como ocorreu com o Boca Juniors, os fundadores escolheram as cores da bandeira da primeira embarcação que chegasse ao porto de Montevidéu no dia seguinte. Desse modo, a camisa do Rampla teria recebido as cores da Itália.

O time começou a competir em torneios oficiais apenas em 1921, conquistando uma vaga na elite uruguaia em apenas uma temporada. Foi um momento de crescimento rápido. Em 1923, o clube construiu o estádio Parque Nelson no alto de um morro (“cerro” em espanhol é “monte”) à beira do Rio de Prata. Anos depois, o estádio foi rebatizado de Olímpico a pedido de um diretor do clube que desejava homenagear sua terra natal, a Grécia. Em 1924, o Rampla cedeu um jogador à seleção uruguaia campeã olímpica: o zagueiro Pedro “El Índio” Arispe.

Desde então, o clube se consolidou como um dos mais estáveis entre os médio-pequenos do Uruguai. Não havia condições de concorrer com Nacional e Peñarol, mas era possível realizar boas campanhas eventualmente e assustar as potências locais. Foi assim em 1929, quando o Rampla conquistou seu único título uruguaio. Daquele time saíram vários jogadores que conquistaram a Copa do Mundo no ano seguinte, como Bautista Duhagón, Enrique “El Pulpo” Ballestrero e Elbio Quinteros.

Quando o futebol, enfim se tornou profissional no Uruguai, o Rampla foi vice-campeão, em 1932. A equipe se manteve na primeira divisão até 1943, voltando em19 45. Foi terceira colocada durante cinco anos seguidos (de 49 a 54) e obteve mais dois vices, em 1958 e em 1964.

Assim, o Rampla ganhou o status de “terceiro maior clube do Uruguai”, um título já perdido para Defensor e Danubio, mas que ainda alimenta o imaginário da pequena, mas fanática torcida rojiverde.

Desde então, o clube passou por gradual decadência, tornando-se mais um dos tantos times de bairro de Montevidéu. Só havia mais destaque em eventuais boas campanhas e nos dérbis do bairro com o Cerro, principal rival dos rojiverdes.

Na década de 1960, o Rampla recebeu o apelido de “picapiedras” pelo fato de seu estádio estar localizado sobre um monte rochoso. Outra curiosidade a respeito do estádio é que, como uma das laterais fica à beira de um abismo que vai direto ao rio da prata, o clube conta com “gandulas aquáticos”. Duas canoas ficam no rio para pegar bolas que caírem na água.

Nos últimos anos, o Rampla chegou a sair do profissionalismo. Depois de ser renbaixado da segunda divisão, foi obrigado a entrar na liga amadora de Montevidéu em 2005. A partir daí, o time conseguiu se reestruturar.

Na época, especulou-se se a recuperação não se devia a uma eventual ajuda financeira de Natalia Oreiro, cantora uruguaia com carreira consolidada na Argentina cujo pai é conselheiro do Rampla. Aliás, Natalia é torcedora declarada dos picapiedras e tem o título de embaixadora oficial do clube no exterior.

Em dois anos, os rojiverdes retornaram à elite uruguaia. Com problemas financeiros, os jogadores têm de conviver com salários atrasados e ameaças de greve. Ainda assim, mostram raça de quem teve de quebrar muita pedra para construir sua história e lutam de igual para igual com os grandes.

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Equipe Trivela

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