Quagliarella: o novo 'fuoriclasse'

Ele vem se especializando em desafiar a lógica. Mesmo quando a finalização parece o caminho mais difícil, Fabio Quagliarella arisca. E dá certo. O jogador é um dos destaques da Udinese na temporada e, embora tenha jogado pouco, foi peça importante na difícil caminhada italiana até a Euro-2008.

Com muita força e belos gols, Quagliarella é um dos responsáveis, ao lado do seu companheiro de ataque Antonio Di Natale, pelo quarto lugar da Udinese no italiano – até agora – o que faz a equipe sonhar com um retorno a Liga dos Campeões no próximo ano, repetindo a temporada 2004/05.

Mas se atualmente Quagliarella vive uma grande fase em sua carreira, atraindo a simpatia até das torcidas adversárias, graças às atuações com a camisa da Azzurra, as coisas nem sempre foram assim.

Tempos difíceis

Quagliarella nasceu em Catellammare di Stabia, uma pequena cidade localizada na província de Nápoles. Ele iniciou a carreira profissional no Torino em 1999. Devido a pouca idade, em sua primeira passagem pelo clube, que durou três anos, Quagliarella atuou em apenas cinco jogos e não marcou nenhum gol. Então, o atleta disputou a temporada 2002/03 pela Fiorentina, que passava na época pela pior fase da história do clube – havia ido a falência naquele ano e acabou rebaixado a série C2 do campeonato nacional, quarta e última divisão do futebol italiano.

Em Florença, o atacante marcou apenas um gol. Em seguida, Quagliarella seguiu sua saga pelas divisões inferiores do futebol italiano. Mais um ano e meio no Chieti, da série C1 do italiano, a terceira divisão. Apesar do clube não conseguir o acesso, Quagliarella marcou 17 gols na temporada 2003/04 chamando a atenção do Torino, que o resgatou do empréstimo.

Mas a segunda passagem pelo clube durou pouco. Mesmo conquistando o acesso a séria A de 2005, o Torino foi impedido pela Federação Italiana de disputar a primeira divisão devido a grande quantidade de dívidas do clube. De quebra, o Torino ainda foi obrigado a negociar quase todos seus jogadores para pagar os débitos. Quagliarella foi contratado pela Udinese e emprestado ao Ascoli.

Antes, um breve retorno a Castellammare. “Quando o Torino faliu e eu não tinha equipe, permitiram que eu treinasse alguns dias em casa”, afirmou Quagliarella, em entrevista ao jornalista Massimo Meroi, do jornal italiano Gazzetta dello Sport. Depois de mais uma passagem apagada pelo Ascoli, apenas três gols em 33 jogos, o jogador foi novamente emprestado, dessa vez para a Sampdoria, que adquiriu metade dos direitos do atleta. Em Genova as coisas começaram a mudar. Em tempo: o título do texto de Meroi reflete bem a guinada que Quagliarella deu em sua carreira.

“De desempregado a ídolo da Azzurra”

Esse era o título da reportagem. Com a camisa da Sampdoria o jogador começou a se destacar. Os gols, enfim, começaram a sair por uma equipe da série A. Aproveitando a suspensão do atacante Francesco Flachi por uso de cocaína, o jogador se firmou como principal atleta da Sampdoria. Com um físico avantajado (1,82 metros de altura e 72 quilos), Quagliarella alia força e velocidade. Também é um excelente finalizador de média distância, os gols com freqüência surgem de fora da área, embora prefira atuar como centro-avante.

Graças aos seus belos arremates surgiu a expressão “gol à Quagliarella”, uma espécie de selo de qualidade do atacante. O mais bonito deles foi marcado contra o Chievo, em partida que terminou empatada em 1 a 1. Um pouco à frente da linha que divide o campo, já no campo de ataque, Quagliarella percebeu o goleiro adversário adiantado e arriscou, marcando o gol em um chute de 40 metros. Não demorou para que a Udinese o buscasse de volta comprando metade do passe que pertencia ao clube de Genova.

Na atual temporada, Quagliarella marcou seis gols, assim como seu parceiro de ataque Di Natale, com quem forma uma dupla de ataque bem afinada. Os dois juntos anotaram mais da metade dos 20 gols marcados pela Udinese na competição, que atualmente se encontra na zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões. Apesar de marcar gols em jogadas aparentemente instintivas, Quagliarella destaca a base de um tudo é o treinamento. “Realizo certas jogadas nos treinos, se vejo que dá certo tento repeti-las nas partidas”.

Concorrência pesada

Voando baixo, a primeira partida pela seleção principal da Itália não demorou a acontecer: foi na vitória de 2 a 0 sobre a Escócia, em março deste ano, pelas eliminatórias da Euro-2008. Quagliarella entrou aos 35 minutos do segundo tempo. Mas a grande atuação do jogador pela seleção ocorreu três meses depois.

Em 6 de junho, a Itália enfrentou a Lituânia fora de casa. Quagliarella pela primeira vez foi titular com a camisa da Azzurra, atuando ao lado do companheiro de Udinese, Di Natale. Com dois gols no primeiro tempo, em dois chutes de fora da área, o jogador garantiu mais uma importante vitória para a Itália no complicado grupo B. Depois disso foram mais quatro jogos pela seleção.
Quagliarella também coleciona passagem pelas categorias de base do time italiano.

Agora, o atleta está na disputa para integrar o elenco azzurro que vai a Euro. A briga promete ser intensa. Em um país com tradição de formar excelentes defensores, dez atacantes foram convocados para a disputa das eliminatórias da competição. Além de Quagliarella, foram chamados Gilardino, Toni, Iaquinta, Di Natale, Inzaghi, Lucarelli, Del Pierro, Palladino e Rocchi. E o time pode contar ainda com o retorno de Totti.

À vontade de defender a Azurra é tanta que o jogador não se importa nem em ser escalado para atuar pelos lados do campo ao contrário de sua preferência, que é de jogar como um autêntico centro-avante, mais perto do gol adversário. “Na seleção te adaptas apenas jogando”.

Apesar da concorrência pesada, Quagliarella sonha com a decisão da Euro, contra um adversário bem conhecido dos italianos. “A Eurocopa é meu grande objetivo. Na final, sonho com um Itália e França: talvez faço um gol aos 45 minutos do segundo tempo”, afirmou ao jornal italiano Corriere dello Sport. Não basta estar na Eurocopa. O ex-desocupado sonha em fazer história.

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Equipe Trivela

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