Preview da Euro, parte 4

Euro 2012: Grupo D

Ucrânia – Um projeto em desenvolvimento

Ao contrário de seu co-anfitrião, a Ucrânia ainda é um país em busca de uma identidade no futebol. Nação jovem, independente da União Soviética há apenas 20 anos, será sede de sua primeira competição internacional, da qual nunca participou. Em 2006, na única Copa do Mundo em que estiveram presentes, os ucranianos alcançaram as quartas de final. Também por isso, o treinador Oleg Blokhin foi chamado de volta. No entanto, a equipe já não possui um Shevchenko em grande forma e é uma das mais fracas da Euro. Nesta semana, antes do último amistoso frente à Turquia, uma intoxicação alimentar afetou dez jogadores do elenco e o preparo físico também virou um problema.

Time
Blokhin tem como cláusula pétrea convocar apenas jogadores que são titulares em seus clubes. Como o Campeonato Ucraniano não tem limite de atletas estrangeiros, o universo de opções ficou bastante reduzido. O atacante Voronin quase ficou de fora por ter perdido espaço no Dynamo Moscou. A estratégia é repetir 2006: defesa sólida, transição rápida e ataque efetivo. Algumas adaptações foram necessárias e o 4-4-2 dará lugar ao 4-1-3-2. A tendência é que o treinador mude os jogadores jogo a jogo, adaptando-se a cada adversário.

Defesa
Uma das posições com fartura de bons jogadores ucranianos é, por sorte, a de goleiro. Com Rybka suspenso por doping, Dykan e Shovkovskiy lesionados, o titular será Pyatov, do Shakhtar Donetsk, um arqueiro confiável. A zaga também tem o desfalque de Chygrynskiy, considerado o melhor zagueiro, por lesão. Blokhin deve iniciar com a dupla titular do Dynamo Kiev: Kacheridi e Mikhalik. Ambos carecem de velocidade, mas tem entrosamento do clube. Nas laterais, Gusev terá liberdade para atacar pela direita, acostumado a jogar como meia no Dynamo Kiev. Do outro lado, Selin será um lateral base.

Meio-campo
Tymoshchuk é o ucraniano mais bem sucedido no exterior e terá uma função especial, de jogar entre as linhas e organizar o time. Ao seu lado, com mais liberdade, estará o veterano Nazarenko. Os extremos são o ponto alto do time. Konoplyanka é ágil e driblador, principal jogador do Dnipro. Yarmolenko é um canhoto explosivo, agudo e com chute potente. Eles serão fundamentais tanto na transição como para definir as jogadas. O meio-campo irá pressionar bastante os adversários, já que Blokhin tem cobrado bastante o combate na faixa central. Se precisar de mais energia, Garmash é um volante dinâmico e faz uma boa dupla com Tymo.

Ataque
Shevchenko é um ex-jogador em atividade. Ele mesmo admite muitas dificuldades físicas e afirmou que só irá jogar se estiver se sentindo no melhor nível. Provavelmente ele ainda não anunciou aposentadoria para participar da Euro no seu país natal. Nos últimos anos, seu desempenho no golfe, esporte do qual irá se tornar profissional, é melhor que no futebol. A dupla titular deve ser formada pelo guerreiro Voronin e pelo grandalhão Milesvkiy. Devic, de boa temporada no Metalist, ainda está na luta para começar como titular.

Opções
A melhor alternativa da equipe é Aliyev. Exímio cobrador de faltas, ele só não é titular porque não se encaixa na formação escolhida por Blokhin. Mesmo assim, certamente será bastante utilizado. No ataque, o oportunista Seleznyov será chamado nos momentos de ataque total.

Suécia – Exército de um homem só

Diferentemente de outras equipes que preferem exaltar o coletivo, a Suécia admite que depende de Zlatan Ibrahimovic. Consagrado no âmbito dos clubes e considerado um dos melhores atacantes do mundo, chegou a hora de Ibra provar sua qualidade com as cores amarela e azul. Erik Hamrén, bem-sucedido no Rosenborg, vem fazendo um trabalho consistente, buscando introduzir um novo estilo de jogo. Repetir a campanha de 92, quando chegou à semifinal, seria considerado excelente.

Time
Hamrén transformou a Suécia de um time pragmático para uma equipe bem mais fluida. Apesar de não contar o mesmo talento individual, o time atual tenta ser tão insinuante como aquele da Copa do Mundo de 94. Ibrahimovic jogará mais recuado, em função similar a de Wayne Rooney no Manchester United. A ideia é garantir maior participação do craque e evitar o risco que ele fique isolado entre os zagueiros. A bola parada da Suécia é fortíssima, com jogadas ensaiadas até de arremesso lateral e ótimos cabeceadores.

Defesa
Titular nas edições de 2004 e 2008 da Euro e também na Copa de 2006, Isaksson é o titular indiscutível no gol. A zaga conta ainda com o experiente Mellberg como líder. Lustig deve ser o lateral-direito, apesar de que a temporada foi péssima para o jogador do Celtic, com pouca sequência e muitas lesões. A alternativa é deslocar Granqvist para a lateral, com o ingresso de Jonas Olsson no miolo. Na esquerda, o elétrico Martin Olsson terá o corredor livre para atacar.

Meio-campo
Apostando na experiência, Hamrén irá começar a Euro com o veterano Anders Svensson na função mais defensiva, acompanhado do regular Källström. Na direita, Sebastian Larsson será um extremo aberto, enquanto na esquerda Rasmus Elm é um jogador que dita mais o ritmo e tende a centralizar para abrir passagem para o apoio do lateral. Larsson, Källström e Elm são excelentes cobradores de falta e escanteio. Elm ainda é o responsável pelos arremessos longos de lateral.

Ataque
Ibrahimovic irá desempenhar uma função diferente da que lhe consagrou por Ajax, Juventus, Inter, Barcelona e Milan. Mais recuado, ele irá articular e assistir o centroavante sem abdicar de definir. Poderá invadir a área para receber o passe como romper a defesa com jogadas individuais chegando de frente. Seu companheiro ideal é Elmander, que se recupera de uma fratura no pé e deve começar como suplente. Toivonen, que no PSV Eindhoven desempenha justamente a função que será de Ibra, fica encargado de ser a referência na área. O grandalhão ainda é versátil e pode ser utilizado como meia-extremo.

Opções
A lesão muscular do jovem John Guidetti é uma grande perda para os suecos. Com 20 anos, o centroavante fez temporada excelente pelo Feyenoord e poderia ao menos ganhar experiência internacional para o futuro. Sem ele, Hamrén irá depender dos experientes, porém inexpressivos, Hysen e Rosenberg. O volante Wernbloom é voluntarioso e uma opção defensiva importante. Para o lado do campo, Bajrami é uma alternativa de velocidade e vitória pessoal.

França – Atrás do orgulho perdido

Mais do que ter sido eliminada na primeira fase da última Copa do Mundo, a grande decepção da França, em 2010, foi a postura de seus representantes. Brigas, greve, conflito de ego e um desmando total nas mãos de Raymond Domenech fizeram com que os franceses ficassem envergonhados. A missão de Laurent Blanc é maior do que lutar pela vitória na Euro do Leste Europeu, é também recuperar o orgulho para Les Bleus. O processo de renovação foi bem sucedido e Blanc irá comandar um grupo de personalidade forte e talento.

Time
Apesar de ter jogado grande maioria das Eliminatórias no 4-2-3-1, Blanc parece ter escolhido o 4-3-3 para disputar a Euro. O ex-zagueiro já afirmou que não está satisfeito com a defesa e isso vai exigir maior combatividade de toda a equipe. O time entra na competição com a moral alta, em uma sequência de 22 partidas de invencibilidade.

Defesa
Lloris é o capitão da equipe e um dos líderes positivos que emergiu após os problemas extracampo na África do Sul. É o goleiro titular absoluto. A grave lesão de Sagna abriu caminho para Debuchy assumir a lateral-direita e a resposta nos amistosos foi muito boa. Na esquerda, Evra recuperou sua posição, mas ainda não o prestígio, uma vez que era o capitão de Raymond Domenech. Parte da opinião pública pede Clichy, mas o critério de Blanc é técnico e Evra irá jogar. Na zaga, Rami e Mexès formarão a dupla titular, mas o segundo corre risco de perder a posição. Ambos tem a mesma característica e talvez Koscielny seja uma alternativa de mais ímpeto na marcação. A linha defensiva tem se mostrado vulnerável a infiltrações e é o setor mais preocupante.

Meio-campo
M'Vila será o volante titular assim que recuperar-se de lesão de tornozelo. Enquanto isso, Alou Diarra ficará com a função de desarmar os meias adversários. Ao seu lado, dois apoiadores. Cabaye é dinâmico na movimentação, mas sabe cadenciar o jogo e controlar o ritmo da equipe. Malouda faz a ligação com o ataque e se junta ao trio da frente para concluir.

Ataque
Nasri, Ribéry e Benzema. Três jogadores no auge da forma física e em excelente fase técnica. Especialmente Ribéry e Benzema encantaram no último amistoso contra a Estônia e aumentaram a expectativa no poderio ofensivo da França. Nasri ainda precisa ser mais participativo e terá concorrência de Menéz pela posição. Rémy, que seria uma alternativa de velocidade, foi cortado por lesão.

Opções
Olivier Giroud, artilheiro da Ligue 1 pelo campeão Montpellier, vive excelente momento e tem correspondido sempre que chamado por Blanc. Ele só não é titular porque o treinador não gosta de atuar com dois atacantes. Hatem Ben Arfa terminou a temporada muito bem pelo Newcastle e tem potencial para contribuir bastante se conseguir transformar sua capacidade de driblar em algo produtivo para o time.

Inglaterra – Mais problemas do que soluções

Muita tradição e pouquíssimo resultado. O futebol foi inventado na Inglaterra, a Premier League é a melhor liga do mundo, os times ingleses tem sucesso internacional, os jogadores são reconhecidos pelo talento, mas a Seleção Inglesa é um fracasso rotundo. Fabio Capello classificou a equipe para a Euro e terminou pedindo demissão após a polêmica John Terry. O capitão de Capello será julgado em julho sobre uma denúncia de racismo contra o zagueiro Anton Ferdinand, do QPR. Em fevereiro, a FA decidiu remover a braçadeira de Terry, contra à vontade de Capello. O treinador italiano demonstrou contrariedade com a decisão publicamente e enfim renunciou. As consequências são trágicas.

Time
Roy Hodgson assumiu a posição com apenas dois amistosos de preparação e uma pletora de problemas. Wayne Rooney está suspenso pelos primeiros dois jogos pela expulsão contra Montenegro na partida derradeira das Eliminatórias. Wilshere, Barry, Lampard, Cahill estão fora por lesão e Rio Ferdinand foi omitido da lista pela polêmica envolvendo Terry e seu irmão, Anton. Hodgson é uma escolha conveniente para a situação, uma vez que está acostumado a montar equipes com poucos recursos. Logicamente que os jogadores que representarão a Rainha tem qualidade mas, com tantos desfalques e nenhum conjunto, é justo considerar a Inglaterra como zebra. As vitórias de 1-0 sobre Noruega e Bélgica mostram um time organizado para contra-atacar, no 4-4-1-1.

Defesa
Hart é o goleiro. O jovem foi fantástico no título do Manchester City. O gol é o único setor onde não há dor de cabeça. Na defesa, a ideia inicial de Hodgson de aproveitar o entrosamento do Chelsea escalando Cahill, Terry e Cole foi por água abaixo com a lesão do primeiro. Lescott, outro componente importante do City, entra no time mas obriga Terry a sair do seu lado preferido e atuar na direita da zaga. Glen Johnson, do Liverpool, completa o setor. Apesar dos laterais possuírem qualidade para apoiar, eles serão mais cobrados do ponto de vista defensivo. Esperem mais avanços de Ashley Cole pela esquerda.

Meio-campo
O novo capitão Steven Gerrard irá carregar a maior carga de responsabilidade pelo desempenho, pelo menos até Rooney voltar. Ele atuará na sua posição de origem, como meia central com liberdade para juntar-se aos homens de frente. Ele jogará cercado por Parker no meio, como volante de contenção, e Milner pela esquerda, jogador combativo e voluntarioso. Na extrema direita, Walcott será a válvula de escape. O objetivo é chegar ao último terço do campo na maior rapidez possível e aí se justifica a escolha pelo irregular jogador do Arsenal.

Ataque
Ashley Young e Danny Welbeck serão os substitutos de Rooney. Isso porque não sabemos no lugar de quem o Shrek irá entrar para o último jogo do grupo, contra a Ucrânia. Welbeck jogará entre os zagueiros do adversário, abrindo espaço para as infiltrações de Young. Essa estratégia pode ter sido treinada especificamente para a estreia contra a França.

Opções
A dupla do Liverpool Downing e Carroll, piores contratações da história da Premier League na relação custo-benefício, são alternativa se Hodgson precisar mudar a maneira de jogar e quiser voltar ao estilo antigo dos britânicos de insistência na bola alta. A aposta do elenco é o garoto Oxlade-Chamberlain, mas assim como Walcott na Copa de 2006, tem chance de sequer jogar.

Palpite do Marcação Pressão   

A França irá classificar, a não ser que aconteça outra greve. A crise na Inglaterra abre chance para a Suécia conseguir a vaga. Acredito que Ibrahimovic irá fazer uma grande competição. A Ucrânia é o time mais fraco da competição. Passam França e Suécia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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