Preview da Euro, parte 3

Euro 2012: Grupo C

Espanha – Os donos da bola

Atuais campeões europeus e mundiais, os espanhóis terão pela frente um desafio jamais superado: conquistar três grandes títulos de forma consecutiva. Para isso, além de superar os adversários, Vicente Del Bosque terá que administrar a rivalidade dos jogadores do Barcelona e do Real Madrid. Sem os titulares Villa e Puyol e tendo que recuperar os principais jogadores do forte desgaste da temporada, a Espanha vai depender bastante dos jogadores menos consagrados.

Time
Não haveria dúvidas sobre a equipe caso Puyol e Villa estivessem aptos a jogar a Euro. No entanto, as ausências forçadas abriram um largo leque de opções para o treinador. Conservador, Del Bosque não abrirá mão do 4-3-3 e da doutrina da posse de bola que lhe consagrou nos últimos anos.

Defesa
Casillas é o capitão e terá certamente a companhia de Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba. A dúvida fica quanto ao substituto de Puyol. Raúl Albiol seria uma reposição simples, mas a tendência é que Ramos atue na zaga, como vem fazendo no Real Madrid, e Arbeloa seja o lateral-direito. Juanfran, convertido de meia a lateral no Atlético de Madrid, corre por fora e daria maior profundidade ao time, que joga com meias e atacantes bastante afeitos ao centro do campo.

Meio-campo
Não há chance de que a Espanha comece com um trio de meio diferente de Busquets, Xabi Alonso e Xavi. Mesmo que estejam bastante desgastados, principalmente Xavi, eles são o coração da equipe e engrenagem principal da estratégia de manutenção da posse de bola e pressão alta. Em jogos mais difíceis, como alternativa de ataque, Busquets pode sair para o recuo de Iniesta ou a entrada de Fàbregas, invertendo o triângulo de base baixa para alta.

Ataque
Sem Villa, os espanhóis devem recorrer a Fernando Torres. Mesmo vindo de uma temporada bastante irregular, o atacante do Chelsea parece ter a confiança de Del Bosque. A principal alternativa nos amistosos foi Álvaro Negredo, do Sevilla. Ele desbancou Roberto Soldado na lista final e não seria uma surpresa grande se começar como titular. Silva, que também foi testado como ‘falso 9’ e Iniesta serão os titulares pelo lado, constantemente dando opção pelo meio e infiltrando para finalizar. Santi Cazorla pode aparecer na equipe, caso o treinador decida jogar sem um centroavante de ofício.

Opções
Com sobras a Seleção com o grupo mais homogêneo, a Espanha terá dois jogadores do Athletic Bilbao como excelentes alternativas. Javi Martínez pode entrar como volante ou zagueiro e agrega saída de bola de qualidade e possibilidade de variação tática. Fernando Llorente é um jogador único no grupo e seria perfeito caso Del Bosque tente o 4-2-3-1. Llorente é hoje o melhor pivô da Europa e tem alta capacidade de finalização. Juan Mata, fundamental no Chelsea, continua jogador de segundo tempo como reserva de Silva e Iniesta.

Itália – Uma incógnita com estrela

A tetracampeã mundial Itália conquistou o título europeu apenas uma vez, no longínquo ano de 1968, e os astros parecem indicar que não será desta vez que a Azzurra irá conquistar o bicampeonato. O país convive com mais um escândalo de corrupção no futebol, o qual vem afetando diretamente o time que irá disputar a Euro. Investigado pelas autoridades, o lateral Criscito foi omitido da lista final. Cesare Prandelli, um raro caso de treinador italiano ofensivista, parece indeciso sobre a formação ideal, uma vez que perdeu peças para montar seu preferido 4-3-3. A certeza é que Andrea Pirlo continuará sendo o centro da equipe.

Time
Prandelli mostrou nas Eliminatórias que sua ideia original era introduzir o 4-3-3 na Seleção Italiana. Sempre afirmou que seu objetivo era ver a equipe desempenhando bom futebol. Por mais surreal que possa parecer uma Seleção italiana fluida e ofensiva, essa era a sua intenção. No entanto, as lesões graves de Giuseppe Rossi, o problema de saúde de Cassano e o declínio técnico de Pazzini implodiram as suas convicções. Hoje, a Itália tem duas opções de formação, talvez a única equipe com essa indefinição.

A derrota de goleada para a Rússia em amistoso na semana passada escancarou problemas defensivos no 4-4-2 com meio em losango. Prandelli tentou reverter uma última vez ao 4-3-3, mas o barco naufragou. Pelos treinos e pelas entrevistas recentes, a tendência do momento é o 3-5-2. No entanto, ainda não se pode descartar a manutenção do 4-3-1-2.

Defesa
Mesmo com o nome ligado às investigações de corrupção no futebol italiano, Gigi Buffon será o goleiro e capitão da Azzurra. A grande preocupação de Cesare Prandelli é o zagueiro Andrea Barzagli. Com uma lesão na panturrilha esquerda, o central da Juve está fora da fase de grupos e Davide Astori, do Cagliari, já foi chamado para um possível corte. No entanto, a importância de Barzagli é tanta que ele pode permanecer no grupo se os médicos projetarem seu retorno para as quartas de final. De Rossi deve começar como zagueiro da sobra, função que executou algumas vezes pela Roma nesta temporada. Bonucci e Chiellini completam a zaga. Nas laterais, Maggio foi muito mal contra a Rússia na direita, mas deve evoluir na costumeira função de ala. Na esquerda, Balzaretti será o titular. Ambos terão papel importante no ataque pelos lados.

Meio-campo
Andrea Pirlo segue sendo o homem que controla o jogo da Itália desde o fundo. A partir do campo de defesa, ele organiza o time e distribui as jogadas, além de cobrar as bolas paradas. Marchisio e Montolivo se desdobrarão entre as obrigações de ataque e defesa, sempre com muita movimentação. Caso retorne ao 4-4-2, De Rossi atuaria como apoiador, deixando Montolivo como um falso trequartista.

Ataque
A lesão de Giuseppe Rossi é uma perda irreparável para a Itália. Ele seria o homem de ataque com poder de desequilíbrio. Cassano, ainda sem sequência após meses tratando um problema no coração, é imprevisível e historicamente desaponta os que esperam muito dele. Se Cassano estiver bem, crescem as chances de sucesso de sua parceria com Balotelli, o preferido para centroavante. A dupla é mais comentada pelas polêmicas do que pelo futebol.

Opções
Atacante mais efetivo da Serie A na soma das duas últimas temporadas, Antonio Di Natale não conta com a simpatia do treinador. Porém sua presença pode ser importante na competição. A ‘Formiga Atômica’ Giovinco tem o potencial para ser um extraclasse mais ainda não tem experiência internacional suficiente. Borini e Giaccherini são alternativas para maior profundidade e velocidade.

Irlanda – Armadilha preparada

Ter conseguido classificação para a Eurocopa já é uma vitória para os irlandeses. A outra única participação foi em 88 e as presenças em Copa do Mundo também não são muito frequentes (apenas três). No entanto, não é justo dizer que a Irlanda será apenas figurante na competição. Comandado pelo vitorioso italiano Giovanni Trapattoni, o time está invicto há 14 jogos e enfrentou adversários como Rússia, Itália e Eslováquia no caminho.

Time
Trapattoni desde que assumiu estabeleceu o 4-4-2 em duas linhas como o esquema da Seleção Irlandesa. Apenas uma partida, contra a Itália, abriu mão dessa formação. Após o empate em zero com a Hungria, no último amistoso de preparação, o treinador deu pistas de que poderia mudar, mas não é a tendência. O time tem uma linha defensiva sólida e de alta estatura e mais dois cães de guarda à sua frente. Dois meias-extremos rápidos fazem a saída do contra-ataque e a dupla Keane/Doyle é a responsável por disparar o gatilho da armadilha. Jovens promissores como Coleman e McCarthy ficaram de fora para privilegiar o grupo que disputou as Eliminatórias.

Defesa
Given é o titular absoluto, mas aos 36 anos sofre com problemas físicos. Sua importância deve garantir a presença mesmo com dores no joelho e panturrilha. Westwood é o reserva. A linha defensiva se mantém inalterada, mas O'Shea e Dunne também não estão na melhor condição física. Os quatro são jogadores altos e fortes, mas muito lentos. A linha deve jogar bastante baixa, quase dentro da área, como uma espécie de muralha. É o setor mais confiável do time.

Meio-campo
Dois volantes protegem ainda mais a defesa, Whelan e Andrews. Ambos tem pouco recurso técnico e não facilitam o trabalho de transição. Se optar por um 4-5-1, Trapattoni deve promover o ingresso de Gibson, o que melhoraria a saída de jogo. Duff e McGeady serão os alvos das bolas longas pelo lado e tem velocidade para puxar contra-ataques eficazes.

Ataque
Maior artilheiro da história da Irlanda e capitão do time, Robbie Keane provavelmente irá disputar seu último torneio internacional de grande porte. Ele vai atuar como segundo atacante, numa posição mais recuada do que seu companheiro Kevin Doyle. Trapattoni designou Keane para a mesma função de Totti, na sua Itália de 2002.

Opções
Com grupo definido e fechado há muito tempo, a principal alternativa é o novato James McClean. O meia canhoto Sunderland cresceu sob comando de Martin O'Neil ao ponto de conseguir uma vaga entre os 23. Ele agrega força e velocidade, boa opção ao veterano Damien Duff. Na frente, Shane Long é veloz e oportunista e tem ótimo entrosamento com Doyle, já que jogaram juntos no Cork City e no Reading.

Croácia – Bons jogadores, moral baixa

Desde a independência da antiga Iugoslávia, a Croácia é uma equipe sempre cotada como potencial surpresa. Jogadores de boa técnica e disciplinados, time entusiasmado. Mas dessa vez, ao contrário da geração bem-sucedida de 98 ou do time muito promissor de 2008, os croatas chegam de cabeça baixa. A ausência na última Copa do Mundo e o fraco desempenho nas Eliminatórias criaram um ambiente de críticas e pessimismo entre torcida e formadores de opinião. O técnico Slaven Bilic comanda a equipe sabendo que, qualquer seja o resultado, sai do cargo ao final.

Time
Por ter uma defesa extremamente lenta, Bilic montou sua equipe para o contra-ataque. Modric centraliza as jogadas e é o único jogador capaz de propor jogo. No entanto, ele chega exausto da temporada do Tottenham. Uma alternativa seria o 4-2-3-1, possibilidade até para o primeiro jogo com a Irlanda. No 4-4-2 usual, um time que vai utilizar bastante os lados do campo, com força pela direita e muitas bolas aéreas.

Defesa
Pletikosa é um bom goleiro e tem a confiança da comissão técnica. Na zaga, o jovem Lovren ficou de fora, contundido, e agravou o problema da lentidão de Simunic. Schildenfeld deve começar, com Vida sendo um opção de mais mobilidade. Corluka é o preferido na lateral-direita enquanto Strinic deve começar na esquerda. Um alternativa mais ofensiva é Pranjic, que pouco jogou essa temporada pelo Bayern.

Meio-campo
Dujmovic é o volante voluntarioso que tem por principal tarefa permitir maior liberdade a Modric. O pequeno meia carrega toda a responsabilidade pelo desempenho do time e fica a dúvida se irá suportá-la. O capitão Srna, lateral no Shakhtar, é a jogada forte pela direita e ótimo nos cruzamentos. Pela esquerda, Perisic deve ganhar a disputa e começar como titular. Rakitic pode entrar no setor, mas é um jogador que centraliza o jogo e acaba ocupando região muito próxima a Modric.

Ataque
Jelavic é a melhor notícia para os croatas na temporada. Sua transferência do Rangers para o Everton deu resultado e o centroavante terminou a temporada com 10 gols nos últimos 10 jogos. Ao seu lado, Mandzukic deve ocupar a vaga que seria de Olic, cortado por lesão. O brasileiro Eduardo é o favorito da torcida e foi o autor do único gol no amistoso contra a Noruega, empate em 1-1.

Opções
Com um elenco com poucos jogadores jovens, o meio-campista Badelj pode acabar sendo a revelação do time. Principal jogador do Dinamo Zagreb, ele tem capacidade de armação e contenção. Se precisar de velocidade, Bilic vai chamar Ilicevic, meia de sucesso no Kaiserslautern que foi contratado pelo Hamburgo na temporada que termina.

Palpite do Marcação Pressão

A Espanha não terá problemas para passar para as quartas de final, com grande chance de vencer o três jogos. O preparo físico é o principal problema, após uma desgastante reta final para Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao. O segundo classificado pode ser qualquer um. Irlanda e Itália têm defesas mais fortes e por isso quem vencer esse confronto direto deve passar. Espanha, com folga, e Itália, com as calças na mão, é o meu palpite.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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