Portugal: contra o complexo de vira-lata

Portugal vai disputar o quarto Europeu de Seleções consecutivo, depois das presenças em 1996, 2000 e 2004. Além dessas edições, o país havia participado apenas de uma outra Eurocopa, em 1984 – o que dá conta da pouca competitividade histórica dos Tugas no torneio. De todo modo, a seleção treinada pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari traz na bagagem as empolgantes campanhas da Euro 2004 (quando ficou com o vice) e da Copa do Mundo de 2006 (quando ficou com o quarto lugar).

Ao mesmo tempo, os Tugas tentam lutar contra o estigma de perdedores natos e hereditários: derrota em 1984 na semifinal para a França; em 1996, nas quartas-de-final para a República Tcheca; em 2000, novamente nas semifinais para a França; e em 2004 para a Grécia, em casa, na finalíssima. Superar o “complexo de vira-latas” continua a ser o grande desafio da equipe comandada pelo técnico Felipão, que deve também efetivar sua despedida de Portugal – está em fim de contrato e aparece como um dos nomes cotados para dirigir o Chelsea.

Se levarmos em conta as eliminatórias européias, o cenário não é nada animador: a seleção lusa só conseguiu a classificação na última rodada, com um empate sofrido em casa, sem gols, diante da Finlândia. Ficou em segundo lugar, com 24 gols marcados e dez sofridos. Ao todo, foram sete vitórias, uma derrota e seis empates, algo incomum para uma chave que não contava com grandes forças do futebol europeu. Pior do que a campanha, porém, foi a falta de padrão de jogo da equipe em quase todas as partidas.

Felipão vem efetuando uma renovação do elenco, após a aposentadoria forçada de várias referências do futebol luso dos últimos anos (casos de Luís Figo, Rui Costa e Pauleta), e sofre para encontrar um esquema tático que dê jeito no elenco. O mais comum é o time jogar num 4-5-1, com o atacante Nuno Gomes isolado no ataque. O miolo da zaga continua a ser o ponto fraco da defesa, já que Ricardo Carvalho e Bruno Alves ainda não lograram maior entrosamento. E o meio-de-campo sofre também com a má fase de Deco e a falta de liderança, algo que não era problema até o Mundial de 2006, quando havia Figo.

O que restou de positivo na seleção, além da estrela de Felipão: a estrela do menino-prodígio Cristiano Ronaldo, que dependerá dessa Eurocopa para saber se ganha da Fifa no final do ano o título de melhor do mundo. Acusado de “desaparecer” nos momentos decisivos, o craque tem que provar até para si mesmo que é capaz de assumir o protagonismo deixado por Luís Figo e que faz jus ao status de atleta mais badalado da atualidade.

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