Por quê?

Tenho dois amigos com problemas parecidos. Um é ator, o outro pratica luta greco-romana. Nenhum dos dois consegue levar adiante sua atividade de preferência com facilidade, pelo mesmo motivo: falta de dinheiro. Os dois acham que o governo deveria resolver esse problema, dando um dim-dim pra eles. Afinal, eles podem chegar a ser os melhores do mundo no que fazem se o governo ajudar.

Não tenho uma amiga chamada Marta, nem outra chamada Cristiane. Mas elas parecem ter um problema parecido com o dos meus amigos. Elas e todas as mulheres que praticam futebol profissional no Brasil. Não há dinheiro para o esporte. A diferença é que, no caso delas, muita gente “de bem” acha que deveria haver. Que o governo deveria tirar dinheiro da educação, saúde ou infraestrutura para ajudar elas a jogarem bola.

Aí eu pergunto: só por que não têm chance de medalha olímpica, meus amigos são menos brasileiros que a Marta e que a Cristiane? O que fazer se o futebol feminino não interessa ao público, o que impede que se organize uma liga nacional que possa se manter?

“Ah, mas a Marta vai ter que jogar nos EUA!” Ué, o Kaká não joga fora do Brasil? O Julio Baptista? Até o Lucio joga fora do Brasil! E isso faz alguém pedir mais atenção a nossas ligas masculinas?

Essa hipocrisia e esse paternalismo em cima do futebol feminino não fazem bem a nada, nem ao esporte, nem a suas praticantes, nem ao país. 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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