Pisa: o outro clube italiano de Dunga

Um século de história. No armário, duas taças. O cofre vazio. É difícil encontrar na História registros semelhantes ao drama do Pisa, da Itália. O clube encerrou a temporada 2008/09 de forma melancólica. Não é exagero dizer “caindo aos pedaços”.

Acabou de ser rebaixado para a terceira divisão. Por tabela, decidiu encerrar as atividades profissionais. Motivo: problemas financeiros. Anunciou no início do mês de julho que vai jogar a quinta divisão, competição semi-amadora e onde os times enfrentam adversários apenas da mesma região. Numa comparação com o Brasil, chega a ser pior do que a Série D, criada este ano pela CBF.

Se o vendaval causado pela crise financeira mundial não abateu gigantes e médios do futebol, como Real Madrid e Manchester City, atingiu em cheio o pequeno Pisa. Segundo a direção do clube, o déficit atual é superior a 5 milhões de euros, o que impede a participação profissional. É a explicação para a falência.

O estranho disso tudo é que em 1994 o Pisa também quebrou. E da mesma forma: não havia dinheiro. O clube até se reergueu. Resolveu trocar de nome para ter algum sucesso. Fundado em 1909, o Pisa Sporting Club, passou a se chamar A.C. Pisa. Começou a vida nova nas divisões inferiores até estacionar na Série B, mas agora caiu no mesmo buraco.

Antes do período maldito, os poucos torcedores do time azul e preto tiveram alguns (oito) momentos de felicidade. Dois títulos internacionais e seis temporadas na primeira divisão. Num dos melhores momentos, Dunga foi o volante capitão, a estrela e o ídolo.

Copa o quê?

Na sala de trofeus do Estádio Romeo Anconetani, em Pisa, no estado da Toscana, não entra nenhuma taça há 21 anos. A última – e a segunda – veio em 1988 com o bi da Copa Mitropa, que não deve e nem pode ser motivo de orgulho para ninguém. A menos para o Pisa, que a conquistou também em 1985. Os torcedores se defendem dizendo que Milan, Udinese e Fiorentina também têm esta taça.

A Copa Mitropa foi o primeiro grande torneio internacional envolvendo clubes da Europa. Há quem considere que é a precursora da Liga dos Campeões. Criada em 1927, teve seu período dourado até a Segunda Guerra Mundial. Recomeçou na década de 50, mas já sem o charme e a badalação. Até porque já existia a competição que é hoje a maior e mais importante do planeta.

O Pisa também teve a sua época de ouro. Foi nos anos 80. Sempre pulando da terceira para a segunda divisão e vice-versa, o clube, em 1982, fez o que parecia improvável. Chegou, finalmente, à Série A. A histeria e a felicidade não tinham tamanho. Foram semanas de festa. Parecia que nada mais importava.

A direção, ao invés de se empenhar na construção de um time forte para enfrentar Inter, Milan, Roma e Juventus, ou pelo menos em inventar formas de aumentar a receita, preferiu homenagear o presidente Romeo Anconetani. Rebatizou o estádio com o nome do dirigente máximo.

A solução Dunga

Ao contrário do que a Itália imaginava, o Pisa se saiu razoavelmente bem na primeira temporada entre os grandes. Superou as expectativas ao ficar em 11º lugar. Mas voltou ao normal já em 1983/84, quando ganhou apenas três jogos e parou, outra vez, na Série B.

Ficou alternando entre as duas divisões principais até 1991, ano da última passagem pela primeirona. E despencou rapidamente para o inferno, onde bateu na porta em 1994 e para onde acaba de voltar.

As seis temporadas na Série A, com exceção da primeira, foram de puro sofrimento. A permanência era decidida sempre no sufoco, nas últimas rodadas. Numa dessas vezes, em 1987, desembarcou na Toscana um volante linha dura para botar ordem na casa. Dunga era o apelido dele.

O brasileiro parou lá porque a Fiorentina, dona de seu passe, havia estourado a cota de estrangeiros. No mesmo ano, em 1987, o emprestou ao Vasco, onde foi campeão estadual e depois o repassou ao Pisa.

Poucos meses foram suficientes para entrar na galeria de ídolos do clube. O time vinha mal e a queda era iminente. Dunga, então, incendiou o vestiário e mostrou à Fiorentina quem era ele. Num jogo histórico contra a Inter de Milão, marcou quase do meio-campo um dos gols da vitória por 2 a 1. Placar que manteve a equipe da Toscana no Calcio.

No fim da temporada, a Fiorentina, encantada com o meio-campista, o levou para Florença.

Os brazucas da Toscana

Dunga não foi o único brasileiro a pisar no Estádio Romeo Anconetani. Luís Vinícius de Menezes treinou e equipe entre 1982 e 1984, portanto, nas duas primeiras participações na Séria A.

Natural de Minas Gerais, jogou no Botafogo no início da década de 50. Vendido ao Napoli, passou também por Bologna, Vicenza, onde fez 25 gols numa temporada, e Inter de Milão antes de tornar-se técnico. Além de trabalhar no Pisa, comandou o Napoli, a Lazio e a Udinese de Zico, entre 1984 e 1986.

Hoje, outro compatriota tenta fazer história na Toscana. O desconhecidíssimo atacante José Joelson Inácio, 26 anos, é um dos que vai tentar resgatar o Pisa. Nunca jogou no Brasil. Sempre defendeu pequenos da Itália.

Ele divide o vestiário com o zagueiro Alessandro Birindelli, de 34 anos, que vestiu a camisa da Juventus por 11 temporadas, entre 1997 e 2008. Os próprios torcedores do Pisa acreditam que o veterano vá embora, em razão dos problemas financeiros e a consequente decadência.

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