Penetras bons de bi

Há pouco mais de três de meses, quando este blog ainda era uma criança (ao contrário de Freddy Adu, que era, continua e continuará sendo, não em nossos corações, mas nos documentos mutantes que carrega na carteira), escrevi sobre o sinal amarelo aceso à época do aniversário de 98 anos do Santa Cruz. O tricolor vivia má fase, o treinador Zé Teodoro era muito questionado e um bom resultado contra o Náutico era essencial. O clássico, nos Aflitos, terminou em 2×2, com o Santa sofrendo um gol nos acréscimos do segundo tempo, fruto de um pênalti controverso. A boa atuação na partida deu um novo gás à equipe, que ainda andou tropeçando, mas se classificou às semifinais do estadual com tranquilidade.

Toda a tensão vivida no próprio aniversário foi compensada ontem, na amarga celebração do rival Sport, que completava 107 anos. O Leão foi presenteado com uma derrota em casa, que deu o bicampeonato pernambucano ao Santa, feito que o clube havia atingido pela última vez justamente contra os rubronegros, na mesma Ilha do Retiro, há 25 anos. Também a úlltima ocasião em que o Sport havia perdido um título dentro de seus domínios, diga-se. Na final do ano passado, o Santa venceu na Ilha, mas no primeiro jogo da decisão. Naquela oportunidade, a arma foi o contra-ataque. Em 2012, não restava outra opção que não fosse partir para cima.

Como apenas a vitória interessava, Zé Teodoro escalou o Santa com três atacantes. Dois deles, muito criticados pela falta de gols durante o campeonato, deixaram os mais badalados Bala e Geílson no banco. Branquinho marcou o gol que abriu o placar e Flávio Caça-Rato, se continuou pecando na parte técnica, mostrou sangue frio para segurar a posse de bola e apanhar como se fosse ele o caçado. Grande destaque do Santa no campeonato, Dênis Marques marcou o segundo, quando o empate dava o título ao Sport. Ele, que chegou a largar a carreira por oito meses, voltou das trevas para liderar a tabela de artilharia e virar ídolo da massa coral.

Luciano Henrique, decisivo na mesma Ilha quando o Sport se sagrou campeão da Copa do Brasil, agora veste tricolor e teria matado o jogo com um golaço, se Edcarlos não diminuísse pouco depois, garantindo um final emocionante à partida. Desconfio até que o Náutico terminou o domingo com a maior torcida do estado, de tantos corações tricolores e rubronegros parando de bater. Com orçamento bem inferior ao dos principais rivais, que estão duas divisões acima, o Santa mostrou superação e, principalmente, a eficiência de um bom planejamento, cuja meta sempre foi o retorno do clube pelo menos à Série B. O bicampeonato pernambucano é “só” um prêmio pelo trabalho bem feito. Muito bem-vindo, pois viabiliza a sua continuidade.

Com quem será? Com quem será?

Aniversariante do dia da promulgação da Lei Áurea, o Sport viu quebradas as correntes que o mantinham ligado ao técnico Mazola Júnior, numa espécie de escravidão ao futebol de resultado. Mazola assumiu a equipe como interino, durante a Série B de 2011. Mesmo sem transmitir confiança, acabou efetivado no cargo quando o clube entrou na briga por uma vaga na elite. Se o futebol nunca foi convincente, o lugar entre os maiores clubes do Brasil foi conquistado. Um fato que até diminuiu a restrição de parte da torcida ao treinador, mas inflou o pior traço da personalidade dele: a arrogância.

Mazola, que já prometera o acesso quando o momento era de comer pelas beiradas, continuou prometendo demais. Garantiu que levaria o título estadual, que faria uma grande Copa do Brasil, já falava em conquistar vaga em torneios continentais a partir de um bom Brasileirão… Em campo, o ataque, setor que precisa ser reforçado violentamente para o Brasileirão, desperdiçava muitas chances, mas as vitórias iam chegando no Pernambucano. O baque foi a goleada sofrida diante do Paysandu na Copa do Brasil. Yago Pikachu foi um pesadelo, mas era a equipe rubronegra que não se mostrava digna dos sonhos de seu veborrágico comandante.

Tendo pedido demissão minutos antes, Mazola foi para a coletiva desfilar rancor aos jornalistas pela última vez. Atribuiu as cobranças da imprensa à “falta de ombudsman”, reclamando do que chamou de “pressão desumana”. Descontrole emocional típico de Mazola, algo evidenciado durante a final, quando foi expulso momentos após o segundo gol do Sport, que colocava a equipe de volta no jogo. Sua resistência em deixar o gramado acabou esfriando a partida e ajudando o Santa a segurar o resultado.

Como se fosse uma visita chata, Mazola chegou como acompanhante de alguém e demorou além do aceitável para ir embora. Trouxe um presente bacana, mas pode ter deixado o mesmo cair na saída. O Sport terá menos de uma semana para encontrar um novo técnico, reconstruir seu plantel e não fazer feio no Brasileiro. De quebra, deve perder o seu principal jogador, Marcelinho Paraíba. Pegou mal a indisciplina do veterano, que deu um chilique quando substituído a cinco minutos do fim do primeiro jogo das finais. O que o Sport perderia em técnica, ganharia em tranquilidade no ambiente. Parece-me um bom negócio.

Enquanto isso, em outra festa frustrada…

O Santa Cruz não foi o único tricolor nordestino a estragar o aniversário de um rival rubronegro. Com um empate em 3×3, o Bahia saiu da fila e conquistou o Baiano depois de 11 temporadas. O título dá novo fôlego à carreira de treinador de Paulo Roberto Falcão. E complica demais o futuro do goleiro Douglas, que falhou bisonhamente nos três gols sofridos pelo Vitória. Mas nem todos os rubronegros da região deram com os burros n'água no domingo de finais. O Campinense goleou o Sousa e venceu o Paraibano, quebrando uma sequência de dois triunfos do rival Treze. O rubronegro de Campina Grande, entretanto, não estava completando primaveras, pois foi fundado em 12 de abril. Vai ver o problema é do 13 de maio mesmo.

PS: Sim, eu sei que o título do post é cretino. Não, eu não sei se existe um filme pornô com esse nome. Sim, eu prefiro continuar não sabendo.

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Equipe Trivela

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