Paulo André, zagueiro do Corinthians: “O legado da Copa serão só os estádios”

O zagueiro Paulo André deu entrevista ao blog Copa Pública falando sobre a Copa do Mundo no Brasil, a organização da competição e até sobre o que considerou uma lição ao futebol brasileiro: a vitória do Barcelona sobre o Santos por 4 a 0. Selecionamos alguns trechos da entrevusta, confira:
O que você acha do Brasil sediar a Copa do Mundo?
Bom, inicialmente (sou a favor) sim. Como trata-se do maior evento esportivo do planeta e sendo o país do futebol, eu acho que é interessante para um país que está se desenvolvendo receber a Copa do Mundo. Então, na essência eu sou a favor. Mas aí quando você entra nos pormenores, nas entrelinhas, acho que o foco deveria ser o legado que deixa para as futuras gerações como centros esportivos e formação de jovens atletas. Muito provavelmente a gente não vai ter esse legado, não vai ter boas coisas após a Copa do Mundo a não ser dívidas milionárias pagas com os nossos impostos.
O atleta, enquanto protagonista da Copa do Mundo, enquanto protagonista da Copa do Mundo, poderia participar mais da organização da competição?
De alguma maneira os jogadores estão alienados com relação ao evento. A gente fica só esperando, a gente enquanto classe, assim como a população em geral, fica esperando 2014, a realização dos jogos para comemorar, para festejar e acaba ficando um pouco alheio a toda a política e tudo o que envolve essa montagem do palco, ou dos palcos para a Copa do Mundo. Não sei se caberia aos atletas se envolver na organização, porque essa discussão é entre governos federal, estadual e municipal, além é claro da Confederação e das Federações de futebol. Acho que ex-atletas deveriam ter cargos dentro dessas federações e confederações e aí sim representar de alguma maneira e através da sua experiência os atuais jogadores.
Então o futebol brasileiro aprendeu alguma coisa após os 4 a 0 que o Barcelona fez no Santos na final do último Mundial Interclubes?
Acho que sim, até escrevi um texto no meu blog sobre isso. Acho que enquanto a gente perdia um jogo aqui e um jogo lá, ainda desconfiava de que éramos os melhores do mundo, o país do futebol, e que tínhamos os melhores jogadores. E esse jogo foi interessante por isso, porque a gente viu o Neymar, que é o nosso melhor jogador e a nossa grande esperança de alegria para a Copa do Mundo, saindo do jogo dizendo que o Santos tinha acabado de receber uma aula de futebol. Ou seja, ele foi muito honesto, sábio e fez uma leitura perfeita do jogo. Acho que a partir dali coisas começaram a se movimentar. Muito lentamente, acho que há um bom caminho a ser seguido, e esse caminho passa pela capacitação de profissionais não só na formação, mas na gestão do futebol do Brasil. Hoje nós temos cargos políticos e não temos cargos técnicos de pessoas qualificadas para levar o futebol no caminho que ele tem que ir.
Então o que vai ficar para os jogadores depois da Copa? O que um jogador iniciante que está lendo esta entrevista pode esperar?
Sem ser muito pessimista, eu vejo os estádios que estão sendo construídos, teoricamente de última geração, que vão melhorar um pouco a qualidade e as condições de trabalho dos atletas. Na formação, a gente vê pouca coisa mudando devido à Copa. Então acho que de legado mesmo, só os estádios. Fora isso, pouca coisa vai mudar.



