Paloschi: o novo tesouro do Milan

18 segundos. Foi o tempo que Alberto Paloschi precisou para sair do banco de reservas, entrar correndo no campo, receber um lançamento e, da entrada da área, disparar um foguete longe do alcance do goleiro, dando de presente ao Milan a vitória sobre o Siena, pelo Calcio, há duas semanas. 

18 é também a idade do atacante lapidado pelo técnico Carlo Ancelotti, e tratado como jóia rara, ao lado de Alexandre Pato. A favor do brasileiro, a badalação. Arrancado do Internacional por uma fortuna de 20 milhões de dólares, passou quase um semestre apenas treinando.

Paloschi não teve os mesmos holofotes e tampouco distribuía autógrafos. Sequer era conhecido pela maioria dos rossoneros. Também não foi filmado e fotografado com a namorada. Sem alarde, vindo das categorias de base do clube, impressionou nos três primeiros jogos pela equipe principal, quando atuou por 173 minutos. Suficiente para apresentar à Itália uma média de centroavante nato – e melhor do que a de Pato –, um gol por jogo. Dois pela Copa da Itália e outro pelo campeonato nacional.

A mais nova estrela européia foi incluída na lista do Milan para o restante da Liga dos Campeões. Com a lesão de Ronaldo, ganha ainda mais espaço – e tempo – para mostrar o que aprendeu com Filippo Inzaghi.

Seguidor de Inzaghi

Tão importante quanto fazer parte do estrelado time do Milan, é a companhia de Inzaghi. Paloschi, agora também conhecido como “Pato italiano”, jura ter aprendido a jogar, chutar e a cabecear com o veterano. Mais: se alimenta conforme as dicas do ídolo. Durante o tempo em que permaneceu na Primavera (leia-se juniores), Paloschi, ao fim dos treinos, em vez de ir para casa, ficava observando os movimentos de Inzaghi.

Os dois passaram horas conversando na véspera do primeiro jogo do garoto pela equipe de cima, contra o Catania, em 20 de dezembro, em Milão, pelas oitavas-de-final da Copa da Itália. A pauta: como o adolescente deveria se comportar para confundir os zagueiros adversários. As dicas até deram resultado. Ele fez gol, porém, saiu derrotado. 2 a 1 para o visitante.

Só atuou nessa partida devido ao Mundial de Clubes, no Japão. O Milan decidiu priorizar o torneio no oriente e escalou os reservas para enfrentar o Catania. Passou o período de folga, entre o Natal e o Ano-Novo, com dúvidas sobre um futuro aproveitamento. Ainda mais porque Alexandre Pato havia sido liberado para jogar e Ronaldo voltava de lesão.

A incerteza foi logo desfeita. No começo de 2008, o Milan fez uma espécie de intertemporada em Dubai – para isso ganhou uma bolada em dinheiro, claro. E no avião que aterrissou com a delegação nos Emirados Árabes Unidos, estava Paloschi. O desempenho nos treinos e o relacionamento com as estrelas deixaram Ancelotti satisfeito. Para o jogo de volta frente ao Catania, com time misto, foi novamente a campo. De novo, fez bonito. Empate em 1 a 1, eliminação, e gol da jovem promessa.

Voltou cheio de moral para a Primavera, certo de que quando a Liga dos Campeões recomeçasse, seria chamado para participar dos jogos pelo Calcio, quando alguns titulares serão poupados. O Milan anunciou, recentemente, que no momento, a prioridade é a conquista do título continental.

Um ingênuo engano. Dois dias antes do confronto contra o Siena, em 10 de fevereiro (portanto, há dez dias da partida em Londres contra o Arsenal, pela Liga) recebeu o aviso de que deveria se apresentar imediatamente ao grupo principal e abandonar os juniores. Ganhou a camiseta número 43 e uma nova realidade. Ao seu lado, Ronaldo, o ídolo Inzaghi, Seedorf, Maldini e Pirlo, por exemplo. Sem problemas. O gol da vitória foi dele, no primeiro toque na bola. Conquistou a torcida pela frieza em campo. Como se fosse um veterano.

A receita da simplicidade

Natural de Chiari, cidade 17 mil habitantes da província de Bréscia, Paloschi completou 18 anos em 4 de janeiro. Desde 2006 defende as categorias de base do Milan e da Seleção da Itália. Conquistou os 4,8 milhões de rossoneros na contramão de seus colegas. Enquanto os agora companheiros de vestiário desembarcaram em Milão com status de astro e perseguidos por flashs, o atacante de 1m80 adotou a simplicidade como discurso.

Não tem pressa em virar ídolo. Depois de se destacar entre os reservas, quer se firmar entre os principais, para quem sabe, se tornar mania.

O estilo em campo é semelhante ao levado fora dele. Antes de aprender a dirigir e comprar um carro vai terminar os estudos. Paloschi cursa o quarto ano do Liceu Científico – o que no Brasil equivale ao Ensino Médio. Por enquanto, se dirige à escola e a Milanello (centro de treinamentos do Milan) de ônibus. Sem reclamar.
 

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Equipe Trivela

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