Palermo: A Águia voltou

Um sonho de mais de 30 anos acaba de se realizar. Na verdade são 31 anos pensando no retorno à Série A. Finalmente os torcedores do Palermo poderão torcer novamente por seu time entre os grandes do futebol italiano. Uma torcida de poucos títulos, mas orgulhosa da história de seu clube, um dos poucos com mais de 100 anos no mundo. Como toda a história de um time pequeno da ´´Velha Bota´´, a Unione Sportiva Città di Palermo apresenta um enredo de dificuldades econômicas, brigas políticas, momentos de glória e, claro, muita paixão.

A cidade de Palermo, capital da Sicília, tem um dos mais importantes portos da Itália. No passado as embarcações que ancoravam por lá traziam diferentes povos que influenciaram toda a vida e cultura do povo siciliano. Foi assim, por exemplo, com os gregos, que colonizaram a ilha e fundaram cidades como Taormina, Agrigento e Siracusa. Foi assim também que no final do século XIX desembarcou uma bola de futebol, trazida pelos ingleses. Nasce em 1898 o Anglo Panormitan Athletic and FootBall Club, do fundador Ignazio Majo Pagano e do presidente inglês Giuseppe Whitacker. Como um clube de ingleses, além do futebol o cricket era um dos esportes mais praticados. Na época as cores do clube eram o azul e o branco. O primeiro jogo do novo time acontece contra um combinado inglês, que acaba goleando os italianos por 5 a 0.

O primeiro vôo entre os grandes

O Palermo ganha suas cores atuais em 1907. Sai o azul e branco, entre o rosa e preto. O nome também muda para Palermo Football Club. Neste período o time participa de campeonatos regionais, como a Copa Lipton vencida 5 vezes. Em 1926 o time participa pela primeira vez da terceira divisão do campeonato italiano. Mesmo assim o clube passa por problemas financeiros e só sobrevive graças a uma fusão com a Vigor Palermo. Não só sobrevive como ganha força até que em 1932 conquista a Série B, entrando para a elite do futebol do País. Na temporada 1932/33 o Palermo inaugura o seu estádio, a ´´La Favorita´´ (hoje chamado de Renzo Barbera). Duas temporadas depois, conquista sua melhor colocação no Série A: 7º lugar.

A década de 40 começa difícil para o clube. Por falta de dinheiro o Palermo é fechado. Um ano depois se funde com a Juventina e retorna ao Campeonato Italiano, mas na série C1. A volta à série A acontece apenas em 1948. Durante as décadas de 50 e 60 o time oscila entre a primeira a segunda divisão.

Palermo, copa ´de presente´

A década de 70 é conhecida no clube com a Era Barbera, por causa de seu presitende Renzo Barbera. Com ele no comando o time disputa a séria A pela última vez na sua história, na temporada 72/73. Mas é em outra competição que a águia mostra sua força. Em 1974 o time chega na final da Coppa Itália, diante do Bolgna. O jogo é em campo neutro, mas no Estádio Olímpico de Roma 20 mil rosaneri empurram o Palermo. A Sicília chegou a saborear o título… Até os 90 minutos o Palermo vencia por 1 a 0, gol de Magistrelli, mas o Bologna acaba empatando em um cobrança de pênalti. O jogo vai para os Pênaltis e o Bologna leva a melhor. Em 79 o clube chega novamente em uma decisão de Coppa Itália, desta vez contra a gigante Juventus. Mais uma vez a Sicília sente o gosto do título. Até os 37 do segundo tempo o Palermo vencia por 1 a 0, gol de Chimenti. Em 5 minutos a Juventus vira e leva o título para Turim.

O Palermo volta a falir em 1986. No ano seguinteo clube ressurge graças à empresários da cidade. Em 93 o clube conquista volta à Série B e conquista a Coppa Itália Série C. No final da década de 90 o clube passa novamente por dificuldades financeiras até que no ano 2000 é comprado por Franco Sensi, atual presidente da Roma, que da estabilidade econômica ao Palermo. Sensi sai do poder em 2002, e o clube passa para as mãos do empresário Maurizio Zamparini. O novo dono tem apenas um objetivo: recolocar o time na Série A.

O vôo da volta

A Série B da temporada 2003/4 apresentou muitos times tradicionais buscando o retorno à série A. Entre eles descanse o Napoli, Fiorentina, Torino, Verona, Genoa, Atalanta, Venezia e Bari. A águia não se intimidou. Desde a nona rodada no campeonato, o time já ocupava uma colocação que garantia o seu retorno. No final do torneio, uma campanha impecável: Em 46 jogos, 22 vitórias, 17 empates e 7 derrotas. 75 gols marcados e 39 sofridos. 83 pontos ganhar, assim como o Cagliari. Números suficientes para realizar o sonho dos palermitanos.

Para a primeira divisão, os Rosaneri já conseguiram um número no mínimo significativo: já foram vendidos mais de 32 mil carnês, esgotando toda a cota disponível para esse ano. O últimos carnês vendidos custavam cerca de R$ 2 mil. A águia voltou, louca para assustar as ´´cobras´´, os ´´diabos´´, os ´´lobos´´ e as ´´senhoras´´.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]
Botão Voltar ao topo