Paella com sabor de erVilla

do QuattroTratti

Itália perdeu.

Mandou bola na trave, pressionou, teve gol anulado e perdeu. Até que não jogou tão mal, mas perdeu. Aliás, a Azzurra não era derrotada desde 22 de agosto de 2007, quando levou fumo da Hungria por 3 a 1. Normalmente, acontece o contrário – a Nazionale toma pressão, não cria, não chega com perigo e vence. Leva bola na trave, toma sufoco e ganha. Joga plasticamente pior que seu adversário, mas ganha. Tem, ou tinha, um poder de decisão crucial.

O meio-campo foi formado por Pirlo, De Rossi (e a magia da camisa dez), Camoranesi pela direita, Di Natale pela esquerda e Perrotta pelo meio. Santa Madonna, Batman! Cadê aquele trequartista cheio de classe? Do outro lado, sobrava técnica: o meio foi composto por Marcos Senna – como o '1' do 4-1-4-1, carregando o piano -, Xavi, Fábregas, Iniesta e David Silva. Na frente, el niño Torres. No banco, David Villa, que então decidiria a partida.

Chega a ser estranho bater o olho na defesa italiana: Panucci, Materazzi, Cannavaro e Grosso; dois ressuscitados. Além deles, há um em risco de carreira e outro que gosta de arriscar a carreira alheia. Porém, por incrível que pareça, não dá para afirmar que a retaguarda inicial foi mal: Panucci fez o que pôde, Grosso participou ativamente e garantiu mais ainda sua vaga na equipe. Materazzi demonstrou (de volta) o nítido declínio, e Cannavaro continua a quilômetros daquela Copa do Mundo. Nas alterações, Zambrotta foi nulo e Barzagli esteve perdido na hora daquele golaço.

O que é mais preocupante na Nazionale? Nem é a derrota em si, por mais clichê que pareça, e sim o fato de que será preciso tirar leite de pedras enormes, quadradas e desengonçadas. De quem se pode esperar um lampejo de criatividade e genialidade na equipe? Não serão Perrotta e Camoranesi que farão passes bonitos, assistências magníficas e construções dignas de craque. Pirlo, talvez, será forçado a incorporar esse cara, o dez. Mas como se pode jogar toda a responsabilidade de distribuição de jogo em um só criativo que atua atrás de outros trogloditas?

Del Piero e Totti podem não ter rendido o esperado na seleção, mas dispensar um fuoriclasse como o juventino, que sabe jogar de cabeça erguida e, conseqüentemente, criar situações especiais, não é uma boa idéia. Cassano, o gênio problemático, cairia como uma luva. Só que parece mais com aquelas luvas extremamente sujas, encardidas e mal-cheirosas encontradas nas ruas; aquelas que você só com uma lavagem milagrosa faria ser utilizável de volta. Entretanto, não deixa de ser o gênio que é, e provou nesta temporada como pode decidir e fazer a diferença quando tem vontade.

Vale ressaltar também a fase dos convocados e de possíveis substitutos:

DEFESA (Andrea Barzagli, Fabio Cannavaro, Fabio Grosso, Marco Materazzi, Massimo Oddo, Christian Panucci e Gianluca Zambrotta) – Panucci dá sinais de desgaste, Zambrotta não conseguiu se firmar no Barcelona, Materazzi tem feito uma temporada fraquíssima e Cannavaro tem caído cada vez mais de rendimento. Grosso recuperou sua posição que já parecia perdida e não deve sair do time, Oddo acerta tantos cruzamentos por temporada quanto números na Mega Senna. Barzagli, por sua vez, está pior que o… Barzagli. Quem se salva, como sempre, é Buffon, que prova cada vez mais ser o melhor goleiro do mundo.

MEIO-CAMPO (Massimo Ambrosini, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Alberto Aquilani, Daniele De Rossi, Simone Perrotta e Mauro Camoranesi) – Perrotta fez temporada muito inconstante e nem se firmou ao certo, além de estar corporalmente mal, precisando de descanso. Ambrosini não consegue manter a mesma eficiência de temporada passada. Gattuso sofre com problemas físicos e Pirlo nem lembra aquele da Copa. De Rossi tem se firmado cada vez mais, é verdade, mas seu companheiro de time – Aquilani – não consegue as oportunidades que merece, tanto em sua equipe quanto na Azzurra. Camoranesi, apesar de sua limitada técnica, fez por justiça a sua posição. Rosina e Montolivo não são lembrados, e Totti, por pior que tenha sido, faz falta.

ATAQUE (Marco Borriello, Antonio Di Natale, Fabio Quagliarella, Vincenzo Iaquinta e Luca Toni) – Quagliarella não conseguiu explodir com a expectativa que havia sido criada à sua volta. Inzaghi demonstra nítido declínio e Gilardino continua sendo a incógnita Gilardino; aquele que “fica sumido o jogo inteiro, mas quando você menos espera… Continua sumido”. Luca Toni se mantém como artilheiro nato e praticamente perdeu a chance de ser acompanhado pelos supracitados Cassano e Del Piero. Iaquinta, quem diria, faz por merecer a sua vaga. Além disso, seria injustiça criticar as chamadas de Di Natale e Borriello. Haveria coerência, principalmente, em uma chance para Giuseppe Rossi, mas infelizmente esta não ocorrerá.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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