Paderborn: No epicentro do terremoto

Em 21 de agosto de 2004, quando era disputada a primeira rodada da Copa da Alemanha 2004/5, o nanico Paderborn, da terceira divisão norte, fez história. Recebeu o tradicionalíssimo Hamburg no Hermann Loens Stadion e conseguiu algo que parecia impossível: venceu, por 4 a 2.

Apesar de ter muito chiado pela expulsão de Émile Mpenza e mais ainda os dois pênaltis marcados a favor do time da casa, pouco aconteceu para os lados do HSV além da demissão imediata de Klaus Toppmöller. Algumas semanas depois, porém, ninguém mais se lembrava daquela partida.

Pouco menos de quatro meses mais tarde, eis que o tal Paderborn 4×2 Hamburg volta ao noticiário. Motivo: o ábitro Robert Hoyzer, acusado de ter manipulado o resultado para beneficiar um esquema mafioso. Após o juiz confirmar a denúncia feita por seus auxiliares, aquilo que parecia apenas um pequeno tremor transformou-se num terremoto de proporções catastróficas. Além daquele jogo da Copa da Alemanha, outros sete tiveram seus resultados influenciados pela máfia internacional. Entre eles, outro do Paderborn, contra o Chemnitz, pela terceira divisão.

Frustração

Pior do que saber que seu time foi beneficiado por um esquema sujo é saber que um jogador da equipe estava envolvido. A imprensa alemã levantou a suspeita de que todo o elenco do Paderborn estaria comprado pelos mafiosos croatas, mas o presidente do clube, Winfried Finke, se antecipou e delatou o capitão Thijs Waterink.

De acordo com o cartola, o zagueiro recebeu algo em torno de US$ 13 mil e repassou US$ 650 a cada um de seus companheiros, que não estariam sabendo da história toda.

Revoltado com tamanha sujeira, o presidente do Hamburg tentou de qualquer maneira reverter o resultado daquela partida. Entrou com recurso junto à federação alemã para que o jogo fosse anulado ou que fosse no mínimo remarcado. A DFB não acatou o pedido, mas o presidente do Paderborn mais uma vez se adiantou: pagou uma indenização de US$ 650 mil aos hanseáticos.

No final das contas, tanto Paderborn quanto seus torcedores ficaram com um gosto amargo na boca. O clube, por ter seu nome manchado com jogadores corruptos. A torcida, por sequer poder comemorar o maior feito de sua história.

Quase 100 anos de fusões

Antes de figurar no noticiário por seu envolvimento com a máfia da manipulação de resultados, o Paderborn raramente chamou a atenção. Afinal, os fatos mais relevantes de sua história foram as inúmeras fusões que resultaram na atual estrutura do clube.

Apesar de fundado em 1985, o ´07´ ao lado do nome oficial dá a entender que seu nascimento aconteceu 78 anos antes. Em termos, é por aí. O ´SC Paderborn 07´ do nome que conhecemos hoje nada mais é do que uma homenagem à mais antiga das equipes que deram origem ao atual Paderborn, desmantelada na Primeira Guerra Mundial.

O Paderborn só começou a crescer após sua fusão final, entre TuS Paderborn e Neuhaus. Desde então, a equipe conquistou diversos títulos amadores do estado da Vestfália (noroeste da Alemanha, região onde estão Dortmund, Leverkusen e Gelsenkirchen, entre outras).

Atualmente na terceira divisão, o clube sonha alto. Na mais otimista das possibilidades, o clube teria como chegar à Bundesliga em 2007, ano de seu centenário. Escândalos à parte, as chances não são tão pequenas quanto parecem.