Pablo Bengoechea: el profesor uruguayo
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Imagine um pouco da garra de Luis Suárez e do talento de Diego Forlán reunidos em um só jogador. É assim que se costuma definir Pablo Bengoechea, o maior artilheiro da história do grande clássico do futebol uruguaio: Nacional x Peñarol. Conhecido como El Profesor, Bengoechea fez parte de uma geração tão vitoriosa e guerreira quanto a atual seleção nacional do Uruguai.
Nascido em Rivera, em 1965, Pablo Javier Bengoechea Dutra iniciou a carreira no modesto Oriental Atlético Club de Rivera, transferindo-se para o Montevideo Wanderers pouco tempo depois. Lá, depois de três anos, 82 partidas e 32 gols, chamou a atenção do mercado europeu e foi contratado pelo espanhol Sevilla.
Nos cinco anos que passou na Espanha, Bengoechea marcou 27 gols. Ele costuma falar do tempo no Sánchez Pizjuán como um grande aprendizado, por ser apenas um jovem e jogar ao lado de grandes jogadores como Ivan Zamorano. Sobre a experiência, o jogador demonstra carinho, afirmando que jogar pelo Sevilla foi “uma das coisas mais bonitas que já lhe aconteceram”. Foi nessa época que veio a convocação para a Copa do Mundo de 1990, na Itália.
Oitavas de azar
Na copa de 90, a seleção de Francescoli e Bengoechea penou para se classificar para a segunda fase. O empate por zero a zero com a Espanha e derrota por três a um para a Bélgica complicaram a vida da Celeste no torneio. A classificação só veio depois de um suado um a zero sobre a Coréia do Norte, com gol de Daniel Fonseca aos 45 do segundo tempo.
O problema é que para passar pelas oitavas de final, o Uruguai precisaria bater a anfitriã Itália e os 80 milhões de torcedores que empurravam a azzura a cada jogo. Em uma partida truncada, o Uruguai reclamou muito após assistir Salvatore Schillac abrir o placar depois que o juiz inglês Courtney aplicou a recém aprovada lei da vantagem.
Logo depois, o reserva Aldo Serena fez gol de cabeça após cobrança de falta de Baggio, mandando Bengoechea de volta ao Uruguai mais cedo que o esperado.
Década de ouro
O auge de sua carreira mesmo ocorreu na década de 90, como jogador do Peñarol. Torcedor declarado do time carbonero, el profesor afirma que a relação com a torcida sempre foi a melhor possível durante os onze anos em que jogou pelo time.
Não poderia ser diferente. Ele estava presente no que é chamado Segundo Quinquênio do Peñarol: a sequência de cinco títulos nacionais, de 1993 a 1997, sendo que no último deles, ele foi o artilheiro da competição. Sagrou-se campeão nacional com o time em mais duas oportunidades, 1999 e 2003.
Bengoechea costuma dizer que jogar no Peñarol é diferente de jogar em qualquer outro clube do mundo. Para ele, o jogador carbonero compartilha um sentimento de nunca dar uma partida como perdida, de lutar até o final, de se entregar durante 90 minutos. Ele é um retrato da garra uruguaia, do espírito brigador e talentoso que continua sendo o traço principal dos jogadores que vestem a camisa celeste.
Duas vezes América
Decisivo, o meio campo é lembrado por ter marcado gols em duas finais em que a Celeste se sagrou campeã da Copa América. Em 1987, na Argentina, Bengoechea marcou o único gol da final contra o Chile. Já em 1995, o Brasil vencia a partida por um a zero até os cinqüenta minutos, quando o uruguaio empatou a partida e levou a disputa para os pênaltis.
Bengoechea marcou mais uma vez nas penalidades, e depois dos desperdícios de Zinho e Túlio, e de cem por cento de aproveitamento do Uruguai, a Celeste foi mais uma vez campeã da América. Em entrevista concedida ao Jornal ABC, Pablo afirmou adorar cobranças de pênaltis, porque são como viver perigosamente por alguns segundos. “O momento da caminhada entre a linha do meio campo e a marca do pênalti é, ao mesmo tempo, lindo e tenso”, explicou.
Quando perguntado se alguma cobrança havia lhe marcado mais que as outras, ele respondeu que foi justamente a da Copa América contra o Brasil, porque sabia que a equipe brasileira desejava, de certa forma, se vingar da final da copa de 1950 vencendo aquela copa américa, que foi disputada em território uruguaio. “Se eu perdesse a cobrança, ficaria marcado para sempre”, acrescentou.
Hoje, Pablo Bengoechea é ajudante do treinador Sergio Markarian na seleção do Peru, e apesar de afirmar que deseja acompanhar o técnico e a delegação no sonho de disputar a Copa de 2014 no Brasil, não esconde que seu objetivo mesmo é ser treinador de futebol. Afinal de contas, estamos falando de El Profesor. Não poderia ser diferente.