Ouro de tolo

O futebol masculino do Pan teve seu desfecho nesta sexta-feira e o México, único país que via o torneio realmente com alguma seriedade, acabou levando a medalha de ouro. Na decisão, El Tri venceu a Argentina por 1 a 0, gol de Jerónimo Amione, aos 30 minutos do segundo tempo, após bom contra-ataque puxado por Javier Aquino. Festa da torcida mexicana, que lotou o Estádio Omnilife e replicou a atmosfera já vista durante o Mundial sub-17. Tudo conforme os planos da federação local.
A medalha de ouro serve, sobretudo, para reafirmarem o futuro da seleção mexicana. Jogando em casa, o time já tinha conquistado a Copa do Mundo sub-17 de forma consistente. Meses depois, surpreendeu no Mundial sub-20, ficando em terceiro. A conquista do Pan, com um elenco sub-22, completaria este ciclo. Resta esperar mais alguns anos para ver se estas conquistas realmente trarão benefícios ao time principal ou se acontecerá como foi com os campeões do Mundial sub-17 de 2005. Mesmo que Giovani dos Santos, Carlos Vela e Efraín Juárez tenham se firmado, nunca se transformaram nas promessas de seis anos atrás.
E, sejamos francos, o México “apelou” para ficar com o ouro. O técnico Luis Fernando Tena apostou na base já formada no sub-20, mais alguns jogadores nascidos entre 1989 e 1990 com destaque no Campeonato Mexicano, como Aquino e Amione. Até aí, tudo bem. Mas, entre os três acima da idade limite, os mexicanos levaram ninguém menos que Oribe Peralta, artilheiro do Apertura pelo Santos Laguna. Como era de se prever, o atacante sobrou no Pan e, com seis gols em cinco jogos, foi o goleador máximo do torneio. Em compensação, o seu clube perdeu a liderança do Campeonato Mexicano e ainda viu o Chivas abrir vantagem na ponta. Para El Tri, certamente a convocação valeu, mas o Santos Laguna tem o que reclamar.
Quanto às outras seleções, nada de grandes perdas ou danos. O Brasil foi o responsável pelo maior papelão, mas é preciso levar em conta que Ney Franco chamou um time com jogadores sub-20 nível C. Mais feio que isso, só a atitude dos jogadores brasileiros na volta ao país. Em sua coluna no jornal “O Globo”, o jornalista Anselmo Góis afirmou que os garotos, na chegada ao aeroporto de Guarulhos, jogaram os uniformes no lixo, com medo de represálias. Como muita gente se importasse com o resultado…
Medalha de prata, a Argentina enfim conseguiu um bom resultado com suas equipes de base no ano. No entanto, nada que recupere a confiança nos processos de formação da albiceleste, em xeque há algum tempo. E o Uruguai, que juntou parte das gerações sub-20 de 2009 e 2011 com alguns vice-campeões do Mundial sub-17, acabou com o bronze. Ainda que o campeonato local tenha sido paralisado no período, a única validade do Pan foi esboçar um time para as Olimpíadas de Londres. No fim das contas, o Pan só trouxe algum resultado mesmo para o México, que talvez se iluda um pouco com o brilho do ouro.



