Os Bambis nipônicos

Ao contrário do apelido pejorativo de Bambi aqui no Brasil, no Japão o Kashima Antlers pode ser considerado o time Bambi, pelo simples fato que Kashima significa “Terra do veado”, literalmente. Nomes e apelidos à parte, o Kashima Antlers ganhou notoriedade depois que um certo Zico passou por lá.

Fundado em 1947 como time das Indústrias metalúrgicas Sumitomo, em Osaka, o Kashima, como toda equipe japonesa, teve sua origem em times de fábricas ou empresas. Em 1975, ela, efetivamente, mudou-se para Kashima, mais ao norte, tornando-se, 16 anos mais tarde, em 1991, Kashima Antlers ou, em japonês, Kashima Antorāzu.

Os torcedores do Kashima vêem a história de seu clube, maior vencedor da J-League (J1) com quatro títulos, intimamente ligada ao desenvolvimento do futebol na terra do Sol nascente. O futebol começou ganhar alguma notoriedade na década de 1980, por incrível que pareça, a partir de uma história em quadrinhos intitulada “Captain Tsubasa”.

A HQ contava a história de Tsubasa, desde sua infância, jogando pelo time da escola, até alcançar o estrelato atuando pelo Barcelona, São Paulo e, por fim, se tornando capitão da seleção japonesa. Aquela geração que cresceu lendo “Captain Tsubasa” foi o embrião para o início do gradual desenvolvimento da modalidade no país.

Em 1991, no dia 1 de novembro, foi criada a Japan Professional Football League, popularmente conhecida como J-League; em 1993 foi disputada a primeira temporada do campeonato profissional japonês de futebol. Uma curiosidade sobre a J-League é que naquela época não havia empate, e as partidas iam para a prorrogação com a famigerada “morte súbita”.

Jico

Em 1991, aos 38 anos, Arthur Antunes Coimbra, o Zico, aceitou o convite de levar seu belo futebol ao outro lado do mundo. Encarando como um grande desafio, Zico, ou Jico, como falam os nipônicos, viu e ouviu muito sobre o Japão e sobre como ele poderia ser malsucedido nessa empreitada. O que as pessoas esqueceram era que se tratava de Zico, um dos maiores jogadores que já vestiu a camisa do Flamengo e da seleção brasileira, e que, diferente do “Captain Tsubasa”, Zico era de carne e osso, embora os japoneses, por várias vezes, pensassem que ele pudesse ter poderes especiais com a bola nos pés, como em 1993, em que ele marcou um gol de calcanhar.

Um gol desse tipo já não é nada convencional, ainda mais se o lance seja parecido com uma “bicicleta invertida”. Foi assim mesmo, com o corpo projetado para frente, quase como se desse um peixinho, que Zico tocou de calcanhar e encobriu o goleirão japonês, que nada pôde fazer. Depois de três anos como jogador do Kashima, Zico se despediu definitivamente dos gramados no dia 10 de outubro de 1994.

Casa dos brasileiros

O futebol japonês se alavancou tendo como alicerce jogadores brasileiros e o Kashima sempre foi um reduto deles. Desde Zico, passaram por suas fileiras outros atletas brazucas que fizeram muito sucesso com a camisa vermelha. Depois de Zico, talvez Alcindo tenha sido o jogador brasileiro que mais sucesso fez no Kashima. Além deles, atuaram pelo clube Jorginho, Bebeto, Carlos Alberto Santos, Leonardo, Bismarck e Mozer.

Mais recentemente, Alex Mineiro e Fábio Júnior defenderam as cores do time mais vezes campeão japonês, sem contar Fabão, Danilo e Marquinhos, que atuam pelos Antlers na atual temporada. Mas não são apenas jogadores brasileiros que fizeram fama no Kashima, muitos treinadores também. Edu Coimbra – irmão de Zico – João Carlos, Zé Mário, o próprio Zico, Toninho Cerezo, Paulo Autuori e, atualmente, Oswaldo de Oliveira.

Cerezo foi o técnico que mais tempo ficou no comando da equipe (foram cinco anos e quatro títulos; duas taças da J-League, uma Copa do Imperador e uma Copa da Liga). Na temporada atual, o Kashima está na quarta colocação, com 30 pontos, após 18 rodadas.

Homenagem

No último dia 28 de julho, o Kashima prestou uma grande homenagem para um de seus grandes ídolos, Yasuto Honda. Foi organizado um jogo de despedida para o meia, de 38 anos, envolvendo o time dos Antlers de 1993 e o time do Verdy Tóquio, do mesmo ano. A festa terminou 4 x 2 para o Kashima, com direito a gol brasileiro (Jorginho marcou). Honda atuou junto com Zico desde 1993 e é um dos grandes símbolos da equipe vermelha.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo