“Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro”

Em ‘Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro’ o jornalista Maurício Noriega escala os seus títulares numa seleção imaginária de treinadores brasileiros. A obra está sendo lançada oficialmente nesta semana. Antes de mencionar aqueles que estão presentes no livro, eu gostaria de mencionar alguns ausentes que por um motivo ou por outro não foram lembrados. Abel Braga com passagens por clubes europeus (como o Olympique de Marselha) e ostentando seus títulos emblemáticos com o Inter ficou fora.

Bem como Paulo Cesar Carpegiani, que classificou o Paraguai para o Mundial da França em 1998, utilizando-se de uma defesa intransponível. Renê Simões classificou a Jamaica para um mundial inédito também em 1998 além dos seus feitos indiscutíveis com a seleção feminina de futebol. Paulo Autuori, com títulos de Libertadores no currículo, passagens por clubes portugueses e seleções de menor expressão, também foi esquecido. Carlos Alberto Parreira tem seus defeitos (sobretudo os que vimos em 2006) mas foi campeão mundial em 1994 e coleciona feitos suficientes para ser colocado entre os grandes também.

Voltando ao livro de Noriega, o mesmo apresenta os seus onze eleitos de maneira clara e interessante. Após a apresentação de cada treinador, o jornalista entrevista algum atleta (ou ex- atleta) por ele treinado, o que resulta em alguns momentos interessantes. Por exemplo, o enfant terrible Vanderlei Luxemburgo enaltece seu ídolo Mario Jorge Lobo Zagallo, minimizando de maneira positiva a imagem de ‘megalomaníaco’ que ele Luxemburgo as vezes personifica. O sereno ‘Rei de Roma’ Paulo Roberto Falcão relembra a relação quase fraternal que manteve com Ênio Andrade. O humilde Francisco Javier Arce fala de seu ‘segundo pai’, Luís Felipe Scolari. Muricy Ramalho que trabalhou com Parreira e Telê Santana aponta seu grande mestre que foi Rubens Minelli, ao passo que Rogério Ceni é quem fala sobre o próprio Muricy.

Maurício Noriega resgata o húngaro Bela Gutman que treinou o São Paulo Futebol Clube no fim dos anos 50, num tempo em que a Hungria era uma das melhores seleções do mundo. Somos apresentados a Lula o homem por trás do Santos de Pelé. O autor ainda resgata alguns feitos pouco valorizados do jogador que veio a se tornar o vitorioso Zagallo. O saudoso Enio Andrade colecionava glórias por Inter e Grêmio habituados a tal. Como se não fosse suficiente, Andrade também obteve o titulo inédito de Campeão Brasileiro de 1985 pelo…Coritiba!

Noriega ainda relembra momentos marcantes do ‘fio de esperança’, assim prestando um tributo a Telê Santana. Trás a tona momentos dolorosos da carreira do sempre imponente Vanderlei Luxemburgo. Felipão surge coroando o Rio Grande do Sul, um verdadeiro celeiro de grandes técnicos pois lá se ‘pensa diferente’ como atesta Muricy Ramalho. O disciplinador Muricy que protagoniza fotos bastante curiosas como aquela em que ele aparece ainda em seus tempos de jogador do São Paulo, ostentando uma notável cabeleira. Completam os 11 de Noriega, Oswaldo Andrade, Vicente Feola e Rubens Minelli.

A obra ’Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro’ se torna um verdadeiro achado pois Maurício Noriega enaltece uma das funções mais injustiçadas dentro da cultura futebolística. O próprio Luxemburgo descreve de maneira lúcida e existencial o destino ao qual todos estes grandes vencedores acabam destinados: ‘o esquecimento’. Um ponto crítico seria a não menção de um critério rígido adotado pelo próprio Mauricio Noriega. Alguns dos esquecidos que citei no começo desta resenha conseguiram desempenhos razoáveis em ligas européias o que não houve com Felipão e o com o próprio Luxemburgo. Mas isto é o próprio autor desta resenha querendo botar lenha na fogueira de uma discussão formidável, até porque Noriega concluiu o livro bem antes de Felipão ter sido demitido do Chelsea.

Fiz questão de escrever a respeito deste livro pois também sou professor, função ou vocação pouco valorizada na cultura brasileira. Talvez por isso a situação se reflita nos mestres do futebol. Às vezes fico sem saber o que dizer quando vejo um aluno de ensino médio prestes a encarar o primeiro vestibular de sua vida. Me pergunto o que teria dito Rafa Benitez aos seus atlétas do Liverpool durante o intervalo daquela final de Champions League contra o Milan em 2005. Me pergunto o que Carlo Ancelotti teria dito aos seus atletas do Milan na preleção que antecedeu a revanche contra o Liverpool na final da Champions League em 2007. Zagallo sabia exatamente o que dizer a cada um que bateria um pênalti pelo Brasil naquela semifinal contra a Holanda em 1998. Aos mestres com carinho!

Acima da média.

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Equipe Trivela

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