O primeiro herói americano

Hoje, o futebol norte-americano profissional passa por um processo de amadurecimento, após mais ou menos uma década engatinhando. Infelizmente, para a seleção das ‘Stars and Stripes’, carece de um ídolo definitivo que pudesse fazer com que o país despertasse de vez para o futebol. Um grande atacante, um goleador, digamos.

É uma pena, porque os Estados Unidos já tiveram esse herói. Há quase 110 anos, em Glasgow, na Escócia, nascia o jogador que seria o maior goleador que o ‘soccer’ teria na história. Archibald “Archie” Stark é um dos tantos nomes obscuros que fizeram apaixonante a história do esporte mais popular do mundo.

Stark brilho no limiar do profissionalismo do futebol norte-americano – da primeira das várias tentativas de profissionalismo. Seus números são assombrosos. Em dez anos como jogador profissional, fez 253 gols em 293 partidas. Ao todo, Stark fez 320 gols em 318 partidas, de uma carreira que foi de 1912 a 1933. Foi o primeiro herói americano – no futebol.

Outro imigrante “doing America”

Stark chegou aos Estados Unidos em 1910, quando tinha 13 anos de idade, indo morar com a família no subúrbio de Nova York. Inicialmente um defensor, ‘Archie’ passou por vários clubes amadores onde acabou cedendo à vocação de goleador. Campeão da AFA Cup com o Scottish Americans em 1915 (1 a 0 sobre o Brooklyn Celtic, com um gol seu), perdendo no ano seguinte para o Bethlehem Steel – clube no qual se tornaria uma lenda anos depois.

Com a carreira brevemente interrompida pela I Guerra (Stark foi convocado e combateu na França), ele voltaria a perder uma final para o Bethlehem Steel em 1919. No mesmo ano, viajaria com o clube da Pensilvânia para jogos amistosos na Europa. De volta, novamente disputando um título contra o Steel em 1921, provavelmente fez com que os rivais decidissem contratá-lo. Em 1924, vai de vez para a Pensilvânia quando o Steel contratou vários jogadores do clube falido em que Stark jogava, o NY Field.

Lá, teve a mudança que o revelaria: saiu da ala e foi jogar como centroavante. Num dos times mais ricos da American Soccer League (era bancado por uma siderúrgica de mesmo nome), passou a jogar num time recheado de talentos escoceses (que era uma ‘fábrica’ de jogadores talentosos então). Seu talento deslanchou dentro da liga.

Recorde impossível

Stark foi artilheiro da ASL em três temporadas. Mas foi na temporada 1924-25, sua segunda na Pensilvânia, que os seus números partiram para a ignorância. Em 44 jogos, ele fez 67 dos 253 gols com que terminaria a carreira. Com Stark em seu time, o Steel seria campeão três vezes e vice-campeão outras quatro em dez anos.

Stark jamais foi jogar na Europa,muito provavelmente pela disputa que a ASL tinha com a Fifa, que a partir de 1927, declarou o campeonato americano “ilegal”. Teve a oportunidade de jogar a Copa de 1930, mas declinou do convite, preferindo ir com a equipe do Fall River fazer uma excursão pela Europa que se revelou um grande fracasso – a maior parte da turnê foi cancelada quando o time estava em Budapeste e a viagem de volta foi um pesadelo de desencontros.

Ainda em 1930, o Bethlehem Steel desapareceu, mas Stark jogaria mais três anos na ASL com o time de Newark. Sua carreira acabaria com o Kearny, em 1933, cidade da área metropolitana de NY, onde ele morreria em 1985. Em sua última temporada, com uma “nova” ASL (que não duraria muito), Stark foi campeão e artilheiro, marcando 22 gols em 25 jogos.

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Equipe Trivela

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