O nosso West Ham x Milwall

Tinha pensado em escrever sobre o dérbi mostrando que Ponte Preta e Guarani seguem revelando jogadores como no passado. A diferença é que, hoje em dia, eles não brilham mais em Campinas, saem muito cedo e acabam se destacando nacionalmente em outro clube. Exemplos? Paulo André, Luis Fabiano, Alex, Fábio Luciano… Guardo essa discussão para outra ocasião, porque o @cornetaeuropa, sem querer, me deu uma boa sugestão.

“Ponte Preta x Guarani: jogo ruim, briga de torcida e no campo. Pronto, já podem esquecer o tal de West Ham x seiláquem”. Esse foi o tuíte. Deixo a provocação de lado e começo a análise: é por aí mesmo.

Neste sábado pouco mais de 7 mil torcedores compareceram ao estádio Moisés Lucarelli para acompanhar o dérbi que marcou o centenário do confronto. Sim, há exatos 100 anos Guarani e Ponte se enfrentaram pela primeira vez, e até hoje, mesmo com muitas pesquisas históricas, o placar do primeiro jogo nunca foi descoberto.

Público baixíssimo, mas resultado da absurda violência que tomou conta do dérbi campineiro nos últimos anos. Entre 1998 e 2010 fui a todos os dérbis, e desde que me mudei para São Paulo minha frequência no estádio diminuiu. Mas eu sempre fui muito consciente sobre o perigo dessa partida. E esse perigo é a primeira semelhança desse clássico com West Ham x Milwall. Infelizmente, é uma semelhança, resultado de um amor irracional.

Além disso, é um confronto entre dois times tradicionais, com poucas conquistas. Os ingleses fazem parte de uma região de Londres (leste) com um tamanho similar ao de Campinas, maior cidade do interior do Brasil, e acima de tudo, é uma partida que mexe com a paixão de seus torcedores como poucas. Mobiliza uma cidade e tem importância, para os torcedores, de uma final de campeonato (fotos aqui, por Gabriel Uchida).

Sem entrar na origem das rivalidades, talvez a principal diferença entre os clássicos é que Ponte x Guarani nunca tenha virado um filme, não faz parte de competições bem organizadas, não tem a mesma verba disponível, a mesma capacidade de trabalhar o marketing, enfim, é tão grande como West Ham x Milwall, mas não tem a mesma publicidade e divulgação.

Não quero, com este post, começar mais uma discussão boba de “eurocentristas x pachecos”. Não é meu objetivo. Quero mostrar apenas que temos um produto sensacional no Brasil que é o nosso futebol. Um produto que precisa ser melhor trabalhado e valorizado. Porque, por exemplo, um Guarani x Ponte é f… demais, daria um filme sensacional. Só quem já viveu esse clássico in loco sabe. Mas muitas outras pessoas poderiam saber.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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