O jeito é botar a culpa no Edson

Seria ótimo se o ídolo tivesse fora de campo atitudes que também nos enchesse de orgulho. Ah, se o Pelé dos 1200 gols fosse a favor da eleições diretas, reconhecesse a filha e não andasse de braços dados com os poderosos. Ah, se o Rogério Ceni dos mil jogos não fosse contra o bolsa família porque “assim fica difícil conseguir empregados para a fazenda”. Ah, se o Ronaldo dos 15 gols em Copa não fosse amigo do Teixeirão. Ah, se o Zico, maior ídolo do Flamengo, não tivesse sido ministro do Collor….
É sonhar demais. Pelo menos no caso do Pelé, ele criou uma separação entre o craque e o homem comum. Ele mesmo se refere ao Edson, presente em tantas propagandas pelo mundo. Os outros, não têm esse privilégio. Ronaldo é o Ronaldo mesmo, só que mais gordo.
No conjunto craque-cidadão, gosto de Maradona e Sócrates. Jogavam muito e, fora de campo, sempre mostraram uma postura de contestação ao poder vigente. Não estão sempre certos, erram muitas vezes, mas quem não erra? Eu, que nunca gritei um gol do Sócrates, me senti honrado em entrevistá-lo para a revista ESPN. De Maradona, gritei muitos gols. E gosto mais ainda dele, do lado de fora, apesar de também não haver reconhecido um filho.
Não se pode esperar muito do craque. Ficar feliz com o que fez em campo e só. Afinal, quem é que garante que nossa visão de mudo é que deve prevalecer? Entre nós, 7 bilhões de habitants da Terra, tem muita gente – acho que a maioria – contra programas sociais como o bolsa família, que considera um filho fora do casamento apenas uma bola fora que não acarreta nenhuma responsabilidade e que, ao ver o ex-ídolo ao lado de cartolas que só fazem mal ao futebo, só conseguem dizer “esse se deu bem”. Esse é diferenciado.



