O Futebol Levado a Riso
“O futebol é o circo do mundo”. Com essa afirmação, Rubem Alves inicia a obra O Futebol Levado a Riso, da Verus Editora. Formato quase de bolso, 69 páginas, baratinho, em que se compara de maneira descontraída o futebol com a infância, com a geometria, com a política, com poesia, ou seja, com diversos temas que estão presentes no cotidiano.
Pedagogo, poeta e filósofo de todas as horas, cronista do cotidiano, contador de estórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros e psicanalista, Rubem Alves é um dos intelectuais mais famosos e respeitados do Brasil. Autor, de vastíssima obra, já publicou textos sobre educação, meditações teológicas, crônicas e histórias infantis. É membro da Academia Campinense de Letras e professor emérito da Unicamp.
O livro traz, de forma bem-humorada, crônicas sobre o mundo desse esporte que alegra e dá sentido à vida de muita gente. E faz esquecer por 90 minutos as fronteiras das ideologias e raças.
Para o autor, o futebol não merece ser levado tão a sério. Ele deve ser levado a riso. Se levado muito a sério, o futebol provoca fanatismo, e o riso e alegria se transformam em raiva e violência.
Segundo o psicanalista, torcedores são seres apaixonados. Por sua paixão eles brigam, choram, matam, morrem do coração. Ao ponto de se tornarem hordas assassinas. Rubem Alves afirma, no decorrer dos capítulos, que futebol-arte só é bonito quando o time da gente está ganhando e serve para humilhar ainda mais o adversário. Nesse contexto, ele garante que ninguém assiste ao futebol para ter experiências estéticas.
O autor deixa claro ainda que, a psicologia do torcedor é o oposto da psicologia do jogador. O torcedor é amante fiel. Jamais trai. O jogador, ao contrário, é um traidor em potencial. Não joga por amor ao time, apenas vende suas habilidades pelo salário que recebe. E por isso, está sempre de olho num outro “caso amoroso”.
Para o pedagogo, deveria existir a possibilidade de transferir um pouco do entusiasmo do futebol para as coisas sérias da vida. De acordo com ele, uma partida de futebol é também um evento religioso. Rubem relembra, no livro, que nunca viu visita de papa ou milagre de santo que provocasse tanto entusiasmo.
Em “O Futebol Levado a Riso”, o filósofo Rubem Alves coloca assim a questão: qual o feitiço do futebol? Por que ele se torna objeto de tanta paixão, de tanto riso e de tanta tristeza? O poeta assegura que a paixão pelo futebol é universal. Ultrapassa línguas, religiões, ideologias e países.
A forma irreverente com que conta as histórias faz de sua obra um delicioso manual de humor.



