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O Dortmund teve muita autoridade para amassar o Benfica e avançar na Champions

A Muralha Amarela previu. Realizou um mosaico espetacular, afirmando que as manchetes dos jornais repetiriam o que foi dito há 53 anos, quando o Borussia Dortmund goleou o Benfica de Eusébio e avançou às quartas de final da antiga Copa dos Campeões. Nesta quarta, por um gol, apenas o placar não foi igual. Os aurinegros tiveram uma atuação grandiosa, especialmente no segundo tempo. Mantendo a boa sequência recente, o time de Thomas Tuchel se impôs no Signal Iduna Park, atropelando os encarnados por 4 a 0. Resultado categórico não apenas para reverter a derrota no Estádio da Luz, mas também para salientar a ascensão dos alemães rumo à próxima etapa da Champions. Pierre-Emerick Aubameyang, tão criticado pelos gols perdidos em Lisboa, anotou uma tripleta.

Empurrado pela torcida, o Dortmund entrou com uma escalação tentando preencher os lados do campo. Em menos de quatro minutos, conseguiu abrir o marcador. A partir de uma cobrança de escanteio, Christian Pulisic desviou e a bola sobrou limpa para Aubameyang emendar na segunda trave. O gol já tirava um peso imenso das costas dos aurinegros, repetindo o placar da ida e garantindo ao menos os pênaltis. Ainda assim, o time da casa começou bem melhor nos primeiros 10 minutos, buscando o ataque e ameaçando.

Na sequência da etapa inicial, o Benfica conseguiu esfriar o jogo. A marcação adiantada dos encarnados fechava muito bem os espaços e impedia que o Dortmund conseguisse se aproximar da área. A estratégia da equipe de Rui Vitória era buscar os contra-ataques. E, a partir dos 20 minutos, os benfiquistas conseguiram ser mais efetivos. Criaram oportunidades para finalizar e Luisão deu um susto grande, em cabeçada que parou nas mãos de Bürki. Os aurinegros só se reacenderiam pouco antes do intervalo, mas sem grande empenho para mudar o duelo morno.

O jogo melhorou bastante no início da segunda etapa. O Benfica teve o empate em seus pés. A partir de um erro da defesa, Franco Cervi ficou com a bola limpa para soltar a bomba. Assim aconteceu, mas Lukasz Piszczek se jogou na frente do arremate, evitando o tento dos portugueses. Uma jogada que, no fim das contas, acabou sendo fundamental ao sucesso do Dortmund. O time de Thomas Tuchel cresceu muito na sequência. Passou a atacar com mais velocidade, tentando explorar a linha de impedimento do Benfica, diante do posicionamento adiantado de sua defesa. A partir disso, construiu a goleada.

Ederson operou dois milagres, em lances invalidados por posição irregular. Depois, quando o Dortmund acertou o tempo da bola para não ser flagrado em impedimento, salvou mais uma. Mas nada pôde fazer quando Piszczek deu uma linda enfiada para Christian Pulisic bater com categoria, ampliando a vantagem aos 14. E nem deu tempo de comemorar direito. Dois minutos depois, coube a Marcel Schmelzer servir a bola para Aubameyang, livre de marcação, anotar o terceiro. Os anfitriões poderiam tomar até mesmo um gol, que ainda estariam classificados. Tranquilidade suficiente para lidar com a situação.

Rui Vitória queimou logo as suas três substituições, colocando o time para frente com Jonas, Andrija Zivkovic e Raúl Jiménez. Sequer conseguiram assustar. Controlando a tentativa de pressão dos adversários, o Dortmund continuava criando as melhores ocasiões de gol, a partir dos contragolpes. Marc Bartra carimbou a trave em bola de cabeça. Já aos 40, Aubameyang completou a sua atuação decisiva, anotando o quarto tento da equipe ao escorar o cruzamento de Erik Durm. Com plena autoridade, os aurinegros conquistaram a classificação às quartas de final. Ao Benfica, restará se contentar com o Campeonato Português.

O Borussia Dortmund pode não figurar no primeiro pelotão de favoritos desta Liga dos Campeões. De qualquer maneira, possui um ataque de respeito. Contando com a colaboração da defesa, quando a linha de frente se acerta, pode complicar demais a vida dos adversários. E o time, como um todo se recupera no momento certo, alimentando a esperança em sua torcida. Quando a Muralha Amarela cresce junto, fica bem mais difícil de parar os alemães.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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