O desequilíbrio vascaíno na hora mais precisa

Faltou atitude, raça, mais pegada. Os clichês se repetem a cada derrota de times de futebol em momentos decisivos. Tem também: entrou com menos vontade, só acordou depois do gol.
Claro que nenhum time deve se acostumar a sair atrás em todos os sete clássicos que disputou no ano, nem deve se orgulhar tanto de virar as partidas – este ano, no caso, virou três – por que não vai ser sempre assim. Aliás, na final do primeiro turno pensava isso quando Fagner derrubou Wellington Nem e desequilibrou uma partida equilibrada entre Fluminense – que vinha ligeiramente melhor – e o Vasco.
E aí quem for puxar na memória um pouco vai se lembrar que nesta mesma final da Taça Guanabara, com 1 a 0 no placar, Fernando Prass levou um gol bem defensável de Deco, que chutou direto e fez o segundo do Tricolor no fim do primeiro tempo. Fagner e Prass, ótimos jogadores, mas que têm histórico de complicar jogos para o Vasco – o lateral foi expulso sem mais nem menos contra La U nas semis da Sul-Americana e adora fazer pênaltis à toa. Ontem, por exemplo, poderia ter levado cartão vermelho de novo.
Na final da Taça Guanabara de 2010, Vasco chegou na final contra o Botafogo, que seria campeão vencendo os dois turnos, com boa campanha e depois de fazer 6 a 0 no alvinegro. O primeiro gol sai de um escanteio que Fernando Prass sai mal do gol. Bola na rede com Fabio Ferreira.
No outro vice recente, o da Taça Rio para o Flamengo, em 2011, o desequilíbrio veio em três dos quatro pênaltis perdidos, com Fellipe Bastos, Bernardo e Elton.
Não me parece que falte raça, amor à camisa nem nada assim. Este Vasco de hoje é bom, sem dúvida, mas tem problema para resolver a parada na hora definitiva. O título da Copa do Brasil foi dramático daquele jeito por que tinha de ser, vide “jejum” de tantos anos, mas também teve essa marca de “quase entregamos a paçoca”.
Na Libertadores, quem sabe, Alecsandro faça um golzinho, saia de campo contando vantagem, Felipe não seja substituído sem a menor explicação, Eder Luis acerte um chute de oito chances que ele tenha, Diego Souza idem. São esses os homens de frente, que jogaram muita bola contra o Flamengo (exceção de Alec, talvez), quando o Vasco saiu atrás, e ontem não apareceram.
Para jogar bem, é preciso marcar bem, não errar lances simples, como aconteceu vergonhosamente no segundo e no terceiro gols, mas também jogar um pouco de bola.



