O clássico do outro lado do mundo

Vladivostok. Você certamente já ouviu falar sobre a maior cidade mais à leste da Rússia. Certamente não é por causa das aulas de geografia, muito menos por conta da literatura russa, e sim graças ao mítico jogo War. Pois aqui vai mais um ensinamento sobre a cidade de quase 600 mil habitantes, próxima à fronteira com a Coreia do Norte, base de boa parte da Marinha russa (resquício da Guerra Fria…) e um dos pontos de partida da ferrovia Trans-Siberiana: lá tem futebol.

A capital de Primorsky Krai é a sede do Luch-Energiya, equipe que disputou a primeira divisão russa entre 2006 e 2008, para desespero dos rivais localizados na parte europeia do país. Graças à distância continental entre Moscou e Vladivostok (6410 quilômetros), por exemplo, Igor Akinfeev, goleiro do CSKA, defendeu que o Luch disputasse o Campeonato Japonês. Aliás, é comum árbitros japoneses apitarem jogos da equipe.

Seu principal rival é o SKA-Energiya, de Khabarovsk, cidade distante 800 quilômetros ao norte e próxima da divisa com a China. Os dois clubes disputam atualmente a segunda divisão e na última segunda-feira protagonizaram mais um clássico, considerado o dérbi do leste da Rússia.

A segundona russa segue o formato da Premier Liga, que se adapta ao calendário praticado no restante da Europa. Por isso, os 19 times (eram 20, mas o Zhemchuzhina-Sochi abandonou, sem grana) foram divididos em dois grupos, com os oito primeiros colocados da fase de classificação disputando o título e os demais sofrendo para permanecer onde estão hoje.

O público compareceu em bom número no estádio Dynamo, que tem capacidade para 10.200 torcedores e recebeu 7.350. Os presentes viram Igor Udaliy, aos quatro minutos da segunda etapa, marcar contra para o SKA. Pouco depois, o francês Jonathan Behé deixou tudo igual para os donos da casa. No entanto, nos acréscimos, Aleksei Vasilyev garantiu o triunfo dos visitantes, para festa da sua torcida que superou a distância. Vídeo mais abaixo e galeria de fotos acima.

Brasileiros? Apenas um: o atacante Diego Carlos, de 23 anos, formado na base do Flamengo, com passagens por Duque de Caxias, Corinthians Alagoano e Nizhny Novgorod. Foi reforço do Luch para essa temporada.

Na classificação, os dois clubes ainda estão ameaçados de rebaixamento, principalmente o Luch. Se depender da torcida dos rivais, ambos serão rebaixados, já que, para diminuir os custos das viagens continentais, a Federação marca jogos na sequência contra os adversários do leste para as equipes do oeste. Na terceirona, o impacto será menor, já que esta é regionalizada.

Esse longo caminho, aliás, já rendeu boas histórias para torcedores. Há seis anos, três torcedores do Zenit resolveram viajar de São Petersburgo até Vladivostok para acompanhar o jogo contra o Luch de carro. O Honda Civic deles não sobreviveu e ficou por lá, deixando-os sem condições para voltar. Ao menos o Zenit venceu e a diretoria do clube, sensibilizada com a paixão dos três, pagou a passagem de avião deles e ainda os presenteou com um Toyota Corolla. O Civic está no museu do clube.

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