O campeão Giba assume o Barueri

Os números são frios. Apontam o Guarani, campeão brasileiro de 1978 apenas em 12º lugar na Série B, com 52 pontos ganhos em 114 possíveis. Aproveitamento de 45%. Para os que acham o segundo lugar apenas o primeiro dos perdedores, é um fracasso. Para Giba e, com certeza os jogadores, que não receberam um tostão desde julho, foi uma vitória. Um dia após despedir-se do clube e acertar sua ida para Barueri, ele diz que, em nenhum momento se arrepende de ter continuado até o final.
Como você analisa seu trabalho no Guarani?
Há duas maneiras de responder. Se for analisar a história do Guarani, não fiz mais do que a obrigação em manter o time na Série A. Estamos falando de um campeão brasileiro, de um time de respeito. Se formos ver o que passamos, somos vencedores, tanto o treinador como os jogadores que ficaram até o final?
Quais foram as condições de trabalho?
Vou explicar desde o começo. Fui chamado pelo presidente Leonel Martins de Oliveira, com quem trabalhei como jogador, de 1985 a 1988, antes de ir para o Corinthians. Eu disse que o Guarani vinha da A-2 do Paulista, que é fraca, e estava indo para a Série B. Precisava de reforços. Ele disse que sabia disso, que estava havendo uma negociação que daria um bom dinheiro ao clube e que haveria reforços. O time lutaria para subir. Foi a promessa. Eu aceitei e assumi no dia 28 de junho. Nunca tive reforços e nunca recebi salários. Nenhum mês. Os jogadores, também não.
O que não deu certo?
Toda a estratégia de recuperação do clube foi baseada em uma negociação que não deu certo. O clube esperava fazer uma permuta com construtoras. Elas ficariam com o Brinco de Ouro e o clube teria suas dívidas pagas, receberia um bom dinheiro, além de uma sede social, um Centro de Treinamento com dez campos e uma nova arena. Um negócio em torno de 400 milhões. Nâo saiu. E não teve dinheiro.
Mas eles não pensaram em outra alternativa? Sei lá, pedir para o Chitãozinho e Xororó, que torcem para o clube, fazerem um show.
Boa ideia. Você poderia ser um bom presidente. Mas eles não pensaram em nada, não buscaram alternativas, nada. Apostaram apenas na negociação que não houve. O que eles faziam era dividir a renda entre os funcionários do clube. Dava 200 ou 300 reais por mês para cada um.
Os jogadores sofreram muito?
Lógico. Muitos tinham apartamento alugado e mandaram a família para a casa de parentes. Foram morar no alojamento do clube.
Você pensou em abandonar tudo?
Em nenhum momento. Eu fui jogador do clube por cinco anos. Sou identificado com o Guarani. Moro em Campinas há 28 anos. E se eu abandono o Guarani e o time cai? Como é que eu iria sair na rua? Com que cara eu olharia os torcedores? A única coisa que eu pensava é que nenhum time caiu na minha mão e que o Guarani não seria o primeiro e não foi.
Os jogadores ameaçaram não entrar em campo?
Pelo menos duas vezes. Falaram comigo e eu disse que não concordava?
Por que não? Se fizesse greve, não forçaria a ter uma solução?
Não acredito. Não tinha solução. Eu aconselheri a pensar no futuro da carreira em não ficar com a marca de terem abandonado um clube como o Guarani. Eles ficaram sem dinheiro, mas tiveram a credibilidade e o amor do torcedor. O dinheiro eu ainda acredito que vou receber e que eles também vão. Agora, a credibilidade já foi ganha. Recomendei a todos que cuidem da vida, que procurem o melhor para cada um, mas nunca eu diria que é certo abandonar o Guarani.
O que você aprendeu com os jogadores?
Houve uma união muito grande entre nós. A união que não houve entre os greande, entre os torcedores famosos. São todos homens. Sempre terão porta aberta para trabalhar comigo.



