Neymar ainda precisa superar uma dificuldade real

Outro dia fui brincar com um amigo santista comparando os títulos do Santos atual com os do São Paulo de 2005 a 2008. E para minha completa surpresa, sincera, constatei o seguinte: o “Santos de Neymar” ganhou três Paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. O “São Paulo de Muricy” ganhou uma Libertadores, um Mundial e três Brasileiros. E, se superou ninguém mais que o Atlético-PR na final da competição continental, a seminfinal foi contra o River Plate e contou com um dos jogos em que eu mais vi um juiz roubar desde que comecei a assistir futebol.

Entenda o caro e querido leitor: não estou comparando banana com maçã, ou Aloysio com Neymar. Estou apenas levantando dados. Porque, por mais que esteja jogando, é fato que Neymar nunca teve pela frente uma dificuldade real nos títulos aos quais conduziu o Santos. Paulista não conta, não vou nem discutir isso. Tanto não conta que eu ne m coloquei na conta acima o que o São Paulo conquistou em 2005. Copa do Brasil conta, mas é uma competição B, disputada pelos melhores entre os piores. E Libertadores conta, e conta muito, vai sempre fazer parte do currículo do santista, valorizada pela pouca idade que tinha ao conquistá-la. Para ganhá-la, porém, o Santos teve caminho aberto. É legítimo: o São Paulo de 2005 ganhou de um time meia-boca do Liverpool, e nem por isso deixa de ser Campeão Mundial. 

O Santos campeão da Libertadores ganhou dos seguintes times: America do México, equipe que terminou o Mexicanão de 2011 em 17o. Isso, décimo-sétimo. Depois jogou com o Once Caldas, equipe que foi eliminada na pré-Libertadores desse ano. Com o Cerro Porteño, que não disputou a Libertadores de 2012. E do Peñarol, eliminado na fase de grupos deste ano e que tinha como estrela o fantástico Martinuccio. Sim, aqueleu que foi reserva do Fluminense e depois foi cair para a Segundona espanhola.

Vou reforçar: não estou diminuindo o título santista, que teve valor, ainda mais pela maneira como o clube conquistou a classificação na primeira fase. Além disso, o Santos não tem culpa se os “adversários decentes” caíram antes. Não estou diminuindo a importância do título. Apenas estou dizendo que não houve nenhuma dificuldade siginificativa a ser superada, ou melhor, houve: a Copa América. E esta ele não superou.

Nesta noite, o Santos tem uma dificuldade de fato. Um time tradicional, copeiro, e em vantagem. E acredito que Neymar tem o que é necessário para superá-la, eventualmente, até, com folgas. Se passar por essa, terá a maior das dificuldades, o maior rival, empolgado, entrosado, campeão brasileiro. Não, Neymar não é obrigado a ganhar do Corinthians para poder ser tratado como craque. Mas é obrigado a não sumir em campo. E é obrigado a ganhar do Velez. Não é que se não ganhar será um pereba, mas teremos que continuar esperando. Porque, até aqui, Neymar nunca superou uma dificuldade real dentro de campo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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