Não cabe todo mundo

Produzir um filme para contar os 100 anos da história do Corinthians não é uma tarefa fácil. Mais complicado ainda é resumir isso em apenas 100 minutos. Naturalmente, momentos históricos acabariam preteridos por outros e ídolos teriam menos espaço que outros. Apesar disso, “Todo Poderoso: O Filme – 100 Anos de Timão” vai agradar os corinthianos.

Nesta quarta-feira, a Trivela esteve presente na sessão exclusiva para a imprensa em São Paulo. O filme entra em cartaz no circuito alternativo paulistano na próxima sexta-feira e será lançado em DVD no dia do centenário corinthiano, em 1o de setembro, por R$ 29,90. E tanto é verdade que tudo que os diretores Ricardo Aidar e André Garolli queriam colocar no filme não coube, que os extras têm 120 minutos.

“Foi dolorido resumir 100 anos em 100 minutos. O Celso Unzelte, um dos roteiristas, foi nosso guia”, explica Garolli. “A diretoria respeitou muito a autonomia da produtora, não houve qualquer interferência”, afirma Aidar, sobre o relacionamento com o Corinthians.

O filme é muito bom e muito bem produzido. O roteiro liga bem as épocas e prende a atenção do espectador, alternando cenas reais, com fictícias e muitos depoimentos. Estes, inclusive, são o ponto forte, junto com algumas imagens históricas resgatadas – como um amistoso contra o Bologna, em 1929, no Palestra Itália, e a excursão do time à Suécia nos anos 1950.

A história mais antiga é que ganha mais destaque. A valorização de ídolos como Amílcar, Neco, Geraldão, Tobias e tantos outros é merecida e emocionante. Os depoimentos deles fogem dos habituais e contam relatos importantes, sob novas óticas, e outros engraçadíssimos. Geraldão, por sinal, junto com a Tia Dirce, uma das torcedoras-símbolo do clube, merecem destaque pela “atuação”.

A torcida corinthiana, aliás, recebe o espaço que merece, ou seja, durante todo o filme. E não é clichê afirmar isso, mas o Corinthians, realmente, é um time do povo. Um clube que levou 80 anos para ganhar seu primeiro título nacional, que passou quase 23 sem um único título, e que mesmo assim permaneceu grande, graças ao apoio incondicional de sua torcida.

Faltam mais referência aos títulos recentes do clube, principalmente no final dos anos 1990 e início e meados dos anos 2000. Com isso, ídolos como Gamarra e Tevez praticamente não aparecem. Já Ronaldo, assim como Roberto Carlos, tem seu espaço.

Para quem não é corinthiano, mas gosta de futebol, o filme também é uma boa pedida. São muitas imagens históricas e momentos que fazem parte do nosso futebol. Mas, que fique bem claro, é um filme para corinthianos, até porque, não poderia ser diferente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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