Na era pós-preliminar, craque vira água de salsicha
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– Quero chegar cedo para ver a preliminar – dizia meu pai na época semi-romântica do futebol, antes do Pay Per View e no tempo que preliminares não era “assunto-tabu” para o programa da Fernanda Lima nas sextas quentes da Globo.
Quem estava no Maracanã numa preliminar de Vasco e Botafogo não esquece do golaço de Edmundo pouco antes de chegar aos profissionais e se tornar o grande ídolo que ainda é do vascaínos (segundo pesquisinha rápida na oh, grande rede, o gol foi no dia 25 de agosto de 1991).
Com o tempo, as referências aos futuros bons jogadores passaram a ser as seleções de base e as Copas São Paulo de Futebol Júnior.
Hoje, era dos jogadores vendidos por DVDs, conhecemos muitas “revelações” pelo Youtube. Foi o caso de Alex Teixeira, que nesse momento joga muito bem na seleção sub-20 contra a Alemanha. Vejam esse vídeozinho bem amador gravado num jogo contra o Flu em Xerém. AT era juvenil ainda e arrebanta com a partida. Tem até um lance engraçado que ele parece jogar um pó ninja em seu marcador antes de arrancar.
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Por essas e por outras que Alex Teixeira carregou um fardo pesadíssimo pouco depois de completar 17 anos, quando teve sua rescisão contratual estipulada em US$ 100 milhões. Daí para frente todos conhecem a história. Alex estreou pelos profissionais, até começou bem – a estreia foi no time do técnico Romário (não esqueceram já, né?) no início do ano passado, em Dubai, mas depois caiu, foi vaiado, xingado, ensaiou melhoras e até ousadia (como quando jogou muito contra o Flamengo e ainda provocou Fábio Luciano antes do confronto), mas com a raiva a tristeza da queda do nosso Vasco para a Segunda ele foi chamado de “água de salsicha” em São Januário. Eu mesmo já critiquei e obrei muito o mini craque, porque efetivamente o cara às vezes parece ter preguiça de jogar, de mostrar o talento e resolver a parada.
Agora, na seleção – e nos últimos jogos pelo Vasco também (sejamos justos!) – ele finalmente parece engrenar. Além do drible, Teixeira tem no passe sua maior qualidade. De cabeça erguida, depois do corte na ponta, coloca a bola aonde quer. Com ela nos pés, vai conduzindo devagar – ele parece ser rápido e devagar ao mesmo tempo – e deixa o coleguinha na cara do gol, como foi nas assistências (argh, odeio essa expressão basquetiana) para Alan Kardec e agora para Maicon, do Flu.
Dizem que será escolhido o melhor jogador do Mundial Sub-20. Eu não sei, só sei que espero que ele repita há muito tempo as jogadas e os dribles sonhados por uma torcida carente de ídolos caseiros, nossa preferência e especialidade.
OBS: Souza, também da Sub-20, é outro que vai fazer o futuro do Vasco. Esse eu vi na Copa São Paulo de Futebol Júnior.