Minervén: o retorno do Expresso Azul

Quando se fala no futebol da Venezuela, a única lembrança remete à Copa América. Estádios imponentes e cheios. Torcedores animados e título do Brasil. Antes da competição, o esporte naquele país praticamente não mostrou força. As goleadas sofridas por times e seleção de lá em Libertadores e Eliminatórias de Copas de Mundo pouco impressionam. Tornaram-se banais.

A preferência nacional é pelo beisebol, de ótima estrutura na terra de Hugo Chávez. Por isso, o futebol para eles equivale ao basquete para os brasileiros. O que não significa falta de apoio, nem de torcida. O Caracas, por exemplo. Uniu forças e apavorou o Santos em plena Vila Belmiro pelas oitavas-de-final da Libertadores.

O Deportivo Táchira segue a mesma linha. Os brasileiros já cansaram de enfrentá-lo nas competições da Conmebol. Não é exagero afirmar que esses dois clubes são o cartão postal do futebol venezuelano. Donos das maiores torcidas, formam a base da seleção local. Privilégio que nem sempre foi assim.

Na primeira metade dos anos 90, quem reinava por lá era um tal de Club Minervén. Campeão da primeira divisão e veterano em Libertadores, sucumbiu à má administração, fechando as portas em 1999.

Fundado em 1985, na pequena cidade de El Callao, mandava os jogos e era sediado em Puerto Ordaz, capital do estado de Bolívar. Rivalizou arduamente com o Mineros de Guayana (da mesma cidade) no “clássico do Sul”. As vitórias do passado e as lembranças dos poucos torcedores que restaram, motivaram a volta do Expresso Azul.

Ascensão e decadência

O agora Asociación Civil Minervén Fútbol Club Bolívar foi oficialmente reaberto em 29 de julho. As cores azul e branca se mantém. O mesmo não acontece com o velho Estádio Hector Thomas, substituído pelo moderno Estádio Polideportivo de Cachamay, remodelado para a Copa América, com capacidade para mais de 40 mil expectadores. Foi o palco da vitória mexicana sobre o Brasil por 2X0.

A história do clube inveja qualquer apreciador de façanhas. Campeão da primeira divisão em 1993, foi o primeiro venezuelano a chegar às quartas-de-final de uma Libertadores, no ano seguinte. O sonho de “Los de Callao” parou no Vélez Sarsfield. Ficaram na memória os lances do atacante Stalin Rivas, autor de sete gols.

Participou também das edições de 1993, quando sofreu 8X2 do Flamengo, em 1996 e 1997. Nessa última, também foi humilhado pelo Bolívar, ao ser batido por 7X0 . A derrota indicava o martírio que viria pela frente, marcando a ascenção do Caracas, seis vezes campeão nacional desde 1997. Mesmo assim, o Minervén figura na 7ª colacação no ranking da Conmebol entre os clubes da Venezuela.

O processo inverso

O retorno foi possível graças ao Club Deportivo Iberoamericano Fútbol Club. A agremiação, que havia substituído o Minervén, cedeu às pressões da Federação Venezuelana de Futebol, e aceitou a troca de nome. Durante meses, a instituição negociou a mudança com dirigentes do Iberoamericano, concluída a poucos dias da estréia na série B. A base de jogadores e comissão técnica se manteve a mesma.

O ressurgimento do Expresso Azul provocou euforia nos torcedores – o Iberoamericano nunca conquistou a simpatia dos venezuelanos, por jamais ter alcançado a elite do futebol no país. Tão logo foi confirmada a participação na divisão de acesso, os adeptos do Mineros, da primeira divisão, não param de ouvir provocações dos fãs do Minervén. Esses sonham com o retorno do clássico do Sul, para a retomada da hegemonia de Puerto Ordaz. Quando ouvem alguma resposta, alegam que “o Mineros nunca chegará às quartas-de-final da Copa Libertadores. Ambos dividirão o Estádio Polideportivo de Cachamay.

Possíveis disputas contra Maracaibo e Caracas também embalam os pensamentos dos mais afoitos. Antes disso, porém, é preciso derrubar adversários mais modestos, como PDVSA Gas, Caracas B e Centro Ítalo. A segunda divisão é composta por dois grupos. Em um, jogam os times do Oriente. A outra abriga os do Ocidente. O Minervén faz parte do primeiro, e estreou em 5 de agosto com uma vitória por 4X2 frente ao América, após sair em desvantagem de dois gols.

A esperança de sucesso passa pelas estratégias do técnico argentino Horacio Matuszyck, e pelos pés do também argentino Gastón Vuyovich, atacante, dono de um hat-trick na partida inicial. Dos 23 atletas do elenco, três não são venezuelanos.

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Equipe Trivela

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