Menos amarelo e mais vermelho

Quando começou a Eurocopa, ao primeiro anúncio da escalação da Espanha para a estréia contra a Rússia, vi, estarrecido, que Fàbregas estava fadado a ir ao banco em detrimento do brasileiro Marcos Senna. Pensei: “Bom, é a Espanha”.

Terminado o torneio, cabe uma ‘mea culpa’. A Espanha que Luis Aragonês moldou para a competição deixou de ser um grupo de jogadores bons para ser um time de verdade, onde o brasileiro figurava como uma síntese: um talento colocado a serviço do time.

A Espanha que começou a Eurocopa não tinha nenhum craque fora-de-série. Casillas, Fàbregas e Fernando Torres pereciam quando submetidos ao cruel teste do resultado. “O que esse cara ganhou na fibra para provar que é craque”. A pergunta derrubava todos (exceção feita a Casillas, talvez). Agora não.

Com o campeonato europeu na bagagem, a Espanha tem uma chance que não tinha desde 1964 para poder consagrar definitivamente suas promessas fora do eixo Madri-Barcelona, ou seja, de jogadores que só brilhavam na Espanha, favorecidos pela circunstância.

Mesmo com todas as reprovações que possamos fazer ao caráter de Luis Aragonés, que até hoje era mais lembrado fora da Espanha pela lamentável ofensa racista a Thierry Henry do que por qualquer de seus títulos, ele mostrou méritos: méritos de barrar Raúl, méritos de enquadrar os talentos ao serviço do time, méritos de apostar em Villa, Silva, Marcos Senna e Marchena como sustentáculos de um favorito que nunca vencia.

Quais as perspectivas? A Espanha terá, na Copa de 2010, uma reverência que não tinha até aqui, por causa da fama de eterna derrotada. Por outro lado, na África do Sul, o selecionado ibérico poderá ostentar o apelido de “Fúria” sem suscitar piadas. E usar mais a camisa vermelha do que a amarela. Quer dizer, amarela não: mostarda.

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Equipe Trivela

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