Meazza, 100 anos
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Há uma célebre passagem histórica do futebol brasileiro envolvendo Julinho Botelho, ponta-direita que defendeu três clubes da capital paulista – Juventus, Portuguesa e Palmeiras – e a Fiorentina. Era maio de 1959, e Julinho, de volta de sua experiência italiana, havia sido escalado como titular da Seleção contra a Inglaterra, no Maracanã.
Os quase 130 mil torcedores que enchiam o Mário Filho estavam ali para ver mais um show de Garrincha, e quando o sistema de som anunciou Julinho, e não o astro botafoguense, entre os titulares, a vaia tomou conta do estádio e durou por longos minutos.
Mordido, com apenas dois minutos de jogo, Julinho fez 1 a 0 para o Brasil. E teve atuação brilhante na vitória por 2 a 0 sobre os Ingleses, fazendo com que as vaias se transformassem em aplausos. Mas os apupos jamais não foram esquecidos pelo craque, morto em janeiro de 2003.
Situação semelhante foi vivida por um dos maiores jogadores italianos de todos os tempos, para muitos o maior: Giuseppe Meazza, o mesmo que dá nome ao estádio de San Siro, em Milão. Nesta segunda-feira, 23 de agosto, é comemorado seu centenário de nascimento.
O jogador da Internazionale faria sua estreia pela seleção no dia 9 de fevereiro, no estádio Nacional de Roma, contra a Suíça. A escolha do jovem de 19 anos pelo técnico Vittorio Pozzo não veio sem polêmica: ele atuaria no lugar de Attila Sallustro, paraguaio de nascimento e ídolo da torcida do Napoli.
A torcida do Napoli não perdoou a escolha de Pozzo e anunciou, por meio de uma carta aberta, que cerca de 3 mil pessoas viajariam até a capital com a única e exclusiva intenção de vaiá-lo.
E assim foi. Especialmente porque a Suíça abriu vantagem de 2 a 0 no placar. Sempre que Meazza tocava na bola, os napolitanos não perdoavam – levando a mãe de Meazza, Ersilia, a corajosamente se rebelar contra eles. Magnozzi e Orsi empataram o jogo, e então Meazza apareceu para marcar os dois gols que deram a vitória à Itália: 4 a 2.
Era o início de uma história que levaria aos títulos mundiais de 1934 e 1938, este último como capitão. Com a camisa da Inter, foram treze temporadas com três títulos da Serie A, 361 jogos e 243 gols.
Depois de uma lesão grave no fim da década, voltou a jogar em 1940 pelo Milan, e dizem que ele passou o resto da vida arrependido pela “traição”. Por causa disso, muitos acreditam na falsa lenda de que o estádio Meazza “muda de nome” quando jogam os rossoneri. Simplesmente é mais raro ver o Milan ou milanistas se referirem ao campo por seu nome de fato.
Mas foi na Inter, e não podia ser diferente, que ele encerrou a carreira, depois de ainda passar por Juventus, Varese e Atalanta. Um ídolo no verdadeiro significado da palavra, como depois seriam Giacinto Facchetti e Javier Zanetti.