McGrath: Em (na) defesa irlandesa
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Em 1990, a Irlanda assustou o mundo com seu estilo bem diferente de jogar futebol. A equipe não tinha medo de ser “retranqueira” e conseguiu ir para as quartas-de-final da Copa do Mundo daquele ano sem vencer uma partida sequer na competição.
Muito disso se deve a Paul McGrath, defensor que fez história tanto na seleção como no futebol inglês, em times como Manchester United e Aston Villa. E um dos primeiros astros multirraciais do país
De um nascimento difícil ao estrelato no futebol
Nascido em Londres, devido ao fato de sua mãe temer pelo desaprovo da família pelo fato do pai da criança ser negro, McGrath passou por vários orfanatos em Dublin antes de sua mãe o reencontrar.
Antes de ser tornar profissional, ele trabalhou na indústria e como segurança particular. Enquanto isso,treinava em clubes menores onde chamou a atenção de um olheiro do Manchester United, chamado Billy Behan. Na Irlanda, atuou alguns anos St. Patrick’s Athletic, clube da capital Dublin, onde brilhou e foi premiado como jogador do ano.
Em 1982, foi trazido para os Red Devils, onde atuou inicialmente como meio-campista, só depois sendo recuado para a defesa. Foi nesta posição que ele se encontrou, sendo vigoroso na marcação e inteligente no modo de antecipar a jogada dos atacantes. No Manchester, no entanto, conquistou apenas um título: a FA Cup de 1984.
Novos ares e decadência
Na “era Ferguson”, seguidas lesões no joelho e os problemas com o alcoolismo começaram a atrapalhar a carreira do defensor, que não conseguiu se firmar na equipe. Em 1989, ele acabou trocando o ManU pelo Aston Villa.
Em sua temporada de estréia, quase foi campeão inglês com os Villains, e na segunda, depois de enfrentar a briga contra o rebaixamento, viu sua equipe ficar de novo com o vice-campeonato. “God” (Deus) para os torcedores do Villa, McGrath teve uma ótima fase na equipe, mesmo enfrentando problemas com lesões e o álcool.
Em 1996, deixou a equipe para atuar no Derby County, onde ficou apenas uma temporada. Logo se transferiu para o Sheffield United, onde encerrou a carreira em 1998. Mergulhado no vício da bebida, o defensor lançou uma biografia (“Back from the Brink”), contando como acabou superando o vício e os problemas físicos.
Ídolo de verde e branco
Vestindo a camisa da seleção da Irlanda, foi um dos astros da ascensão do país a partir do final dos anos 80. Estreou em 1985, e durante o começo da era dourada vivida sob o comando de Jack Charlton, jogava no meio-campo, devido à grande concorrência na defesa.
Em 1988, foi com a Irlanda para a Eurocopa daquele ano, mas sua equipe ficou ainda na primeira fase. Dois anos depois, porém, experienciou a maior conquista do país na história do futebol: a campanha da Copa do Mundo.
Naquela Copa, a Irlanda praticou um futebol que não tinha medo nem pudor de ser defensivo demais. Já na defesa, McGrath protagonizou a histórica campanha de uma seleção que não venceu um jogo sequer da Copa e, com isso, foi para as quartas-de-final sem perder uma partida sequer, caindo com uma derrota para a Itália.
Quatro anos depois, estava lá de novo defendendo sua seleção nos Estados Unidos. Na estréia, garantiu a surpreendente vitória em cima da Itália (1 a 0) ao salvar um gol que seria feito por Roberto Baggio. Desta vez, a sorte irlandesa pararia diante dos holandeses, nas oitavas-de-final.
Em 1997, encerrou a carreira na seleção sendo um dos símbolos da geração mais bem sucedida do futebol irlandês. Paul McGrath, mesmo com todos os problemas, é um ídolo em sua nação e ajudou a estabelecer um país entre as forças médias do futebol europeu. Que o futuro aguarde novos McGraths.