Mark Fish: Hakuna Matata. Play good

Se hoje o maior destaque da seleção sul africana é o inglês(?) de Joel Santana, vale lembrar que nem sempre foi assim. Os Bafana Bafana já gozaram de muito prestígio e status de potência regional. Mark Fish é um ex-zagueiro e ilustre representante dos anos dourados do futebol sul-africano.

Fish nasceu em 14 de março de 74, em Cape Town. Portanto, mesmo sendo branco, conheceu o Apartheid de perto. Foi criado pela mãe e pelo padrasto em um pequeno apartamento. Do alto de seu 1,91m, iniciou a vida futebolística em Pretoria como atacante no amador Arcadia Sheperds.

Aos 17 anos Fish foi descoberto pelo técnico Roy Matthews e levado ao Jomo Cosmos, onde se profissionalizou, ainda como centroavante. De olho no grandalhão, Matthews fez dele um zagueiro central, posição em que atuaria até a aposentadoria. A carreira ia de vento em popa e apenas três anos depois veio a transferência para um clube maior, o Orlando Pirates.

Foi nos Pirates que o zagueiro possivelmente alcançou seu auge. O treinador era Mike Makaab e eram tempos abundantes em troféus, com o título sul africano em 94, o bi nacional e a copa dos campeões africanos em 95 e a Copa das Nações Africanas no ano seguinte, justamente na primeira tentativa desde que a Africa do Sul fora autorizada pela FIFA, em 92, a voltar aos torneios oficiais. Em 97 o zagueiro participou da Copa das Confederações, disputada na Arábia Saudita e vencida pelo Brasil de Romário e Ronaldo. Pela seleção nacional, Fish fez 62 aparições e 2 gols.

Com tamanha exposição, a África ficou pequena para o zagueirão. Por incrível que possa parecer, Fish rejeitou um convite de sir Alex Ferguson para jogar em seu time de coração e rumou para Roma, contratado pela Lazio. Após passagem relâmpago pela bota (15 jogos e 1 gol), Mark desembarcou na terra da rainha para receber o maior salário do Bolton. A adaptação foi rápida e logo ele recebeu elogios dos companheiros e rivais, notadamente Andrew Cole. Infelizmente a sorte virou-lhe as costas e o Bolton foi rebaixado. Mesmo assim ele continuou na equipe, para delírio dos fãs.

Em novembro de 2000 Fish deixou o Bolton para jogar no Charlton, cuja camisa ele defendeu em 102 oportunidades, tendo anotado três gols. Cinco temporadas depois, um empréstimo desastroso. Jogando pelo Ipswich Town, bastaram 45 minutos para Big Fish, como ficou conhecido, romper os ligamentos cruzados, contusão que o fez pendurar as chuteiras de maneira prematura.

Após longa recuperação, Mark retornou à Africa do Sul em 2007 para tentar defender seu primeiro clube, o Jomo Cosmos. Fora de forma, não jogou uma partida sequer e reiterou a aposentadoria.

Fora das quatro linhas, Fish tem uma vida bastante midiática. Em 97, casou-se com Loui Fish, ex-modelo de langerie e socialite. Tiveram dois filhos, Luke e Zeke. Em 2006, Fish pediu o divórcio, mas logo em seguida voltou atrás. No ano passado ele entrou com novo pedido de separação e desde então o casal vive se engalfinhando nos tribunais sul africanos, para deleite dos tablóides locais.

Ao regressar ao continente negro, Fish engajou-se em diversas campanhas humanitárias, muitas delas relacionadas à erradicação da pobreza e ao desenvolvimento do futebol local, num programa para crianças de 9 a 12 anos em parceria com o Barcelona. Teve atuação destacada e bem sucedida como embaixador da candidatura sul africana para a Copa de 2010. Ou seja, Fish será figurinha carimbada nos flashs das transmissões no ano que vem.

Para aqueles que temem que a criminalidade afete o próximo mundial, vale lembrar que em agosto passado a casa de Fish em Mooikloof foi invadida e roubada por cinco homens armados (incluindo uma AK-47). Apesar de Loui e Luke Fish estarem na casa, felizmente ninguém ficou ferido.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo