Mario Götze: A nova fornada já está saindo
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Por André Renato
Que a Alemanha sempre foi e será uma potência em Copas do Mundo ninguém duvida, mas pode-se dizer que o Mundial de 2010 representou o início de uma era, de um novo estilo de jogo na Nationalelf: o futebol de força física, sério, sisudo, deu lugar ao jogo rápido, habilidoso e de contra-ataque letal, com base na juventude de Sami Khedira, Thomas Müller e Mesut Özil. E a nova safra já começa a ser preparada.
Dentre todas promessas que surgem na Bundesliga, uma delas já parece ter futuro garantido: trata-se de Mario Götze, 18 anos, meia do Borussia Dortmund. Ambidestro, pode jogar em qualquer lado do campo, embora costumeiramente jogue pela esquerda – apesar de utilizar ambas as pernas, tem na direita seu maior controle.
Há de se destacar como o 'boom' definitivo do esquema 4-2-3-1 contribui para que jovens e habilidosos meias atacantes do país se destaquem pelos lados do campo. No ultrapassado 4-4-2, precisariam atuar mais defensivamente e priorizar jogadas de linha de fundo, fazendo diminuir a importância da visão de jogo e qualidade no passe – algo que, à Götze, sobra. Não por acaso seleção alemã e Dortmund utilizam a primeira disposição tática.
O prematuro início
Nascido em 1992, na cidade de Memmingen, na região da Bavária, aos cinco anos de idade ingressou nas escolinhas do SC Ronsberg, onde já treinava seu irmão Fabian, dois anos mais velho (por uma incrível coincidência, ambos nascidos no dia 3 de junho). Lá, era descrito pelo treinador do clube, Helmut Albat, como um jogador “de ótima técnica e inacreditável controle de bola”.
Em 1998 mudou-se com sua família para Dortmund, passando a treinar no Hombrucher SV, time da cidade. Com o esperado destaque dentre os garotos de sua idade, logo ingressou nas divisões de base do principal clube da cidade, o Borussia, em 2001. Tudo isso com apenas 9 anos.
Formação terminada e estreia profissional
Não demorou muito para Götze tornar-se a maior esperança da base do BVB e do país. Em 2007, foi convocado pela primeira vez para uma seleção nacional, a sub-15, mas logo foi “transferido” para o sub-16, onde estreou marcando gol. Seu caminho na categoria também foi curto e logo já estava no sub-17, ajudando na conquista do Europeu de 2009. No mesmo ano foi o grande nome da equipe no Mundial FIFA, marcando três gols e duas assistências em quatro jogos.
Do fim da campanha alemã até o dia de Götze estrear como profissional pelo Borussia há um espaço de dezessete dias, fazendo seu debute no dia 21 de novembro de 2009, contra o Mainz 05, numa de suas raras oportunidades na temporada.
2010/11: a consolidação
O técnico Jürgen Klopp tem ótima vocação para trabalhar com jovens desde seus tempos de Mainz 05, algo que explica a afirmação de jogadores como Subotic, Hummels, Schmelzer e especialmente Nuri Sahin, que já parecia partir para o caminho da falsa promessa, mas se encontrou e comanda a fabulosa campanha borussiana na atual temporada, conquistando o simbólico título de campeão de inverno com três rodadas de antecedência. O despontar de Kevin Grosskreutz também se deve ao treinador.
Voltemos para Götze. Nas 15 rodadas disputadas até aqui, esteve em campo em 14 oportunidades, e seus números são assustadores: foi titular em dez, marcando dois gols e um excepcional número de seis assistências, líder da equipe nesse quesito. E a temporada não está nem na metade.
Números fantásticos que lhe renderam a primeira convocação para a seleção principal em novembro passado, no empate sem gols diante da Suécia, entrando no segundo tempo justamente no lugar do companheiro Grosskreutz, aos 31 minutos do segundo tempo – e aqui cabe um elogio a Joachim Löw, que dá oportunidades aos garotos sem a preocupação exagerada de “fechar o grupo”. Mas a titularidade não deve vir tão cedo, já que disputa posição com Thomas Müller pela direita ou Lukas Podolski pela esquerda.
Elogios e premiações
A Medalha Fritz-Walter foi criada em 2005 para premiar os principais jogadores das categorias sub-17, 18 e 19. Götze faturou o prêmio das duas primeiras, em 2009 e 2010.
As palavras do ex-zagueiro e ídolo do Borussia Dortmund, Matthias Sammer, são perfeitas para entender de quem estamos tratando: “É um dos jogadores mais promissores que já tivemos”.
Resta aguardar.