Champions LeagueSem categoria

Marcelo Oliveira: “Estamos vivendo um sonho na LC”

Quando o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões 2011/12 determinou que o APOEL ficaria no Grupo G, ao lado de Porto, Zenit e Shakhtar Donetsk – três dos quatro últimos campeões da Liga Europa -, ninguém deu muita importância. Afinal de contas, o time cipriota estava no pote 4 e, independentemente da chave que caísse, seria em tese um adversário tranquilo, daqueles que os torcedores dos grandes europeus já contabilizam duas vitórias certas antes mesmo do início das partidas. Não foi, porém, o que aconteceu.

Em quatro jogos, o time cipriota passou por uma transformação. Era azarão, virou zebra. A maior da temporada. Venceu duas partidas, contra Porto e Zenit, empatou com os portugueses fora de casa e com o Shakhtar Donetsk também longe dos seus domínios. Soma oito pontos, lidera a chave e precisa apenas de uma vitória para seguir adiante. Os bons resultados, obviamente, valorizaram os jogadores da equipe, que é recheada de brasileiros e portugueses e dirigida pelo sérvio Ivan Jovanovic desde 2008.

Um desses brasileiros é Marcelo Oliveira, jogador revelado pelo Corinthians e com passagem pelo Grêmio, onde foi campeão da Série B de 2005. O zagueiro chegou ao clube para esta temporada, após cinco anos defendendo o Atromitos, da Grécia, e logo ganhou a posição de titular na equipe. Em entrevista à Trivela, o jogador fala um pouco mais sobre o atual momento do clube, os motivos pelos quais ele aceitou ir para o Chipre e o sonho de jogar com o meia Elias, seu irmão, que atualmente defende o Figueirense, entre outros assuntos. Confira:

Antes da Liga dos Campeões, vocês tinham a expectativa de passar de fase? O que passava pela cabeça de vocês?

No inicio da competição pensávamos em fazer o nosso melhor, tínhamos consciência que estávamos num grupo forte, mas sabíamos e sabemos das nossas forças também e com um bom resultado no primeiro jogo a confiança foi aumentando, o que é normal. Depois do primeiro resultado a gente viu que poderia sonhar com algo mais, e é o que acontece ainda. Estamos vivendo um sonho na Liga dos Campeões, perto de alcançar um grande objetivo que é a classificação, que ainda não está garantida.

Você chegou ao clube nesse ano, após cinco temporadas na Grécia. Além de jogar a Liga dos Campeões, o que mais te atraiu na proposta do APOEL?

Eu sabia que era um clube organizado, um clube grande do país que iria disputar as classificatórias para entrar na Liga dos Campeões, isso pesou bastante na minha decisão. Além disso, eu também sentia que era a hora de mudar de clube, pois estava há cinco temporadas em uma equipe da Grécia.

Há alguma diferença muito grande no estilo de vida entre a Grécia e o Chipre? Como vem sendo sua adaptação ao novo país?

A grande diferença é que eu morava em uma cidade grande como Atenas e vim pra Lefkosia (nome grego para Nicosia) que é uma cidade menor.  Não tive problema na adaptação, encontrei mais brasileiros na equipe e também já falo um pouco de grego (N.R: Grego é o idioma falado no clube e no Sul da cidade. No Norte do distrito, se fala turco).  O mais importante de tudo é que todas as pessoas que trabalham no clube me acolheram muito bem.

Como tem sido a reação da torcida do APOEL nas ruas? Há um assédio forte como no Brasil ou é mais tranquilo?

É bem mais tranquilo do que no Brasil, não há tanto assédio assim por aqui. A torcida esta muito feliz, o que é normal, e esta sendo muito bom, não só para nós do APOEL mas sim para todo o país.

Em duas outras oportunidades, com o Anorthosis Famagusta e o próprio APOEL, o futebol cipriota fez campanhas dignas na fase de grupos da Liga dos Campeões, mas não passou de fase. Você acha que essa experiência adquirida ajuda na campanha atual?

Penso que sim, pois o treinador que esta aqui é o mesmo que teve a outra oportunidade de disputar a Liga dos Campeões e isso trouxe uma experiência a mais pra ele, que de certa forma ele pode nos passar. Isso é importante, até porque muitos jogadores que estao no nosso grupo não haviam tido essa chance de disputar a Liga dos Campeões. (N.R: o sérvio Ivan Jovanovic está no clube desde 2008, em sua segunda passagem. A primeira foi entre 2003 e 2005).

Você e o Gustavo Manduca já estão na casa dos 30 anos, assim como o Willam e Kaká, e já tiveram experiências anteriores em outros clubes europeus. O que, na sua opinião, está acontecendo de diferente no APOEL para que o clube consiga esse desempenho?

O principal é que temos um grupo muito bom de se trabalhar, com todos se exigindo ao máximo nos treinamentos e querendo estar entre os titulares. Temos um grupo de qualidade e experiência  que esta aproveitando a chance de viver o sonho de jogar a Liga dos Campeões.

Se após a Liga dos Campeões você receber uma proposta de um time pequeno de uma liga mais forte, como faria? O que te atrai mais? Fazer história no Chipre ou buscar um espaço incerto em outro lugar?

É obvio que se chegar alguma proposta seria muito legal, e iremos conversar se for alguma coisa boa no aspecto financeiro. No momento, estou curtindo muito essa oportunidade de atuar por aqui, mas o futebol é muito dinâmico.

Atualmente, mais da metade do time titular do APOEL fala português. Existe alguma preocupação especial do clube em receber os jogadores brasileiros? Você, que ficou entre 2005 e 2010 na Grécia, já precisou atuar como tradutor em alguma situação?

Não existe uma preocupação maior em relação aos brasileiros, mas a gente se ajuda muito e sempre que chega mais um procuramos dar uma força. Algumas vezes ajudo quando é preciso.

Ainda sobre a presença dos estrangeiros, como é a relação de vocês com os cipriotas?

É tranquila, temos um grupo muito bom. Os jogadores cipriotas nos respeitam como nós os respeitamos também. Não temos problema algum e estamos sempre brincando.

Você atuou no Corinthians em 2004 e no Grêmio em 2005, onde atuou bastante. Tinha, em tese, mercado para ficar aqui no Brasil. Por que optou por sair e ficar cinco anos na Grécia?

Recebi uma proposta da Grécia, contrato de três anos, o que era difícil de acontecer no brasil na época. Eu tinha um filho recém-nascido e pensei na estabilidade e na segurança que isso me proporcionaria. Mas ainda tenho vontade de voltar a jogar no brasil , queria ter a oportunidade de realizar um sonho de criança que é de jogar  ao lado do meu irmão, quem sabe um dia…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo