Macaca de primeira

A Ponte Preta merecia demais esse acesso. E não estou falando isso por conta da sua fanática torcida, de sua tradição ou mesmo pela minha simpatia pelos times de Campinas. Digo isso porque a Macaca foi o segundo melhor time da Série B ao longo de toda competição. Chegou ao seu limite na reta final e vinha caindo de rendimento a cada jogo, mas se superou e contou com o tropeço dos adversários na decisão. Festa no Majestoso.
Do meio para a frente o time é muito bom. Ricardo Jesus, atacante que começou a carreira no interior paulista, passou pelo Internacional e foi para a Rússia (Spartak Nalchik e hoje pertence ao CSKA Moscou), de onde veio emprestado para a Ponte, é um centroavante acima da média para a segunda divisão nacional. Teve sempre os ótimos passes, primeiro, de Renatinho, que certamente retornará ao Coritiba em 2012, e depois de Renato Cajá, que voltou no meio da campanha e foi muito importante.
Entre os outros jogadores, muitos atletas de bom nível, esforçados, mas nada muito além disso. Mas claro que houve destaques, como o veterano goleiro Júlio César, o zagueiro Leandro Silva, o volante Josimar (que ficou um bom tempo machucado) e o atacante Ricardinho. E por que não destacar o ídolo argentino Darío Gigena? Afinal, se mal jogou, ao menos participou da festa com os torcedores. Torcida que, aliás, ficou triplamente feliz na temporada, já que o acesso contou com duas vitórias nos dérbis – uma resultando, também, na interdição do Moisés Lucarelli e cinco jogos como mandante em Araraquara.
Mas é preciso ressaltar que a Ponte subiu com um time que foge às suas características históricas. Entre os jogadores que mais atuaram, somente Guilherme é formado na base pontepretana. Base que já revelou diversos jogadores para a Seleção Brasileira e, como último grande talento, tem provavelmente o meia Tinga, que ainda busca a melhor sorte no Palmeiras.
E claro, a valorização do técnico Gilson Kleina precisa ser feita. Em março ele recebeu uma proposta para assumir o Fluminense e optou pela permanência na Macaca. Toda história foi revelada com detalhes somente após o acesso e está contada nesta matéria, publicada pelo site oficial da Ponte.
Kleina, agora, precisa de reforços para se manter na Série A. Com esse time, a Macaca não aguenta o tranco da primeira divisão. Repito o que disse algumas vezes ao longo do ano: do meio para a frente, a Ponte tem um time de primeira divisão, mas a defesa ainda deixa muito a desejar.
Certamente o presidente Sérgio Carnielli investirá na chegada de alguns jogadores e a manutenção das suas principais peças. Mas não será uma tarefa fácil, já que muitos, como o próprio Ricardo Jesus, ficaram muito valorizados. Além disso, Carnielli, presidente de um clube das duas primeiras divisões há mais tempo no cargo (e que praticamente arrendou a Ponte, já que as dívidas foram zeradas, mas repassadas para ele), terá que se preocupar também com a construção e toda negociação da Arena Ponte Preta.
Mais acesso
Para constar, o acesso do Náutico é outro que faz muito bem ao futebol brasileiro. Assim como fará o Sport se confirmar o quarto lugar na última rodada, contra o rebaixado Vila Nova, em Goiânia. Assim, impedem que os itinerantes do nosso futebol apareçam entre os grandes do país. Primeira divisão é lugar de time com tradição e torcida.



