Libertadores em 2010: o ano do renascimento

Estádio Centenario, Quilmes, 20 de maio de 2010. Jogo de volta das quartas de final da Copa Libertadores. O Estudiantes já havia acabado com a vantagem do Internacional em apenas três minutos no primeiro tempo: aos 19, Leandro González havia aberto o placar para os Pincharratas, e, aos 21, Enzo Pérez fizera o 2 a 0. A torcida estava entusiasmada, pronta para continuar o sonho do bicampeonato sul-americano.

Até que, aos 43 minutos do segundo tempo, Andrezinho lançou Giuliano. Pela direita da grande área, o meia entrou e completou na saída do goleiro Agustín Orión. Bola na rede. Era o gol salvador, fora de casa, que dava ao Internacional a vaga nas semifinais da Libertadores. O time de Jorge Fossati segurou a pressão dos Pinchas nos minutos finais, e até uma briga após o final do jogo, e assegurou a classificação. Este foi o ponto de virada na história da Copa Libertadores de 2010.

Até lá, o que houvera eram vários times que poderiam conquistar o troféu. A principal história era a do Corinthians: no ano do seu centenário, contando com jogadores experientes como Ronaldo e Roberto Carlos, um bom técnico como Mano Menezes, um elenco reforçado, o time do Parque São Jorge procurava o seu primeiro título continental. E, ao final da primeira fase, deu mostras de que podia consegui-lo, fazendo a melhor campanha entre os 32 participantes da fase de grupos, no Grupo 1.

No Grupo 3, o Estudiantes cumpriu sua tarefa, e avançou às oitavas de final, como primeiro colocado – mas enfrentando insuspeitas dificuldades contra o Alianza Lima, que também avançou. Vice-campeão em 2009, o Cruzeiro já enfrentou mais dificuldades no Grupo 7: com Santiago Silva e Hernán López como destaques, o Vélez Sarsfield ficou na primeira posição.

Apagando a decepção que sofrera em 2007, quando, campeão, foi eliminado na primeira fase, o Internacional também passou sem sustos pela fase de grupos. Quem mais amargou problemas foi o Flamengo: mesmo com a base do título brasileiro de 2009 permanecendo (e isso incluía a boa dupla de ataque, com Adriano e Vagner Love), a equipe quase ficou pelo caminho no Grupo 8, encontrando grandes dificuldades com a dupla chilena Universidad Católica e Universidad de Chile. O time treinado por Andrade só conseguiu avançar por ter mais gols marcados do que o Deportivo Quito, que tinha tantos pontos quanto os brasileiros (10).

No Grupo 2, São Paulo e Once Caldas também não tiveram grandes preocupações – embora o time de Ricardo Gomes sofresse com a irregularidade em suas atuações. Semifinalista em 2009, o Nacional seguiu com a boa campanha e se classificou na frente do Banfield, no Grupo 6. E, no Grupo 4, o Libertad também manteve suas participações de qualidade na Libertadores e terminou na primeira posição, junto do Universitario peruano, que superou o Lanús.

As oitavas de final é que começaram a mostrar quem, dentre os favoritos, estava realmente preparado. E, aí, dois destaques da primeira fase caíram. No duelo brasileiro, mesmo favorito, o Corinthians não resistiu à maior solidez e segurança do Flamengo (que ainda tinha uma crise, com direito a troca de técnico – Rogério Lourenço assumiu): com maiores fragilidades e atuação apática no jogo de ida, o time paulista novamente se frustrou numa Libertadores.

Sem contar que, nas oitavas, entraram dois clubes eliminados na questão polêmica da “gripe suína”, em 2009: os dois mexicanos, San Luis e Chivas Guadalajara. E foi precisamente este último que despachou outro destaque, o Vélez Sarsfield, com algum sofrimento (o Fortín, que perdera por 3 a 0 na ida, fez 2 a 0 na volta, ficando a um gol dos pênaltis).

Outro time a sofrer barbaramente, mas conseguir passar, foi o São Paulo. O Universitario foi um rival mais duro do que o esperado: segurou o 0 a 0 em Lima e no Morumbi. Quase passou à frente nos pênaltis, quando Rogério Ceni perdeu. Mas o próprio goleiro são-paulino salvou o time, defendendo dois penais, vendo outro bater na trave e a classificação para as quartas chegar.

O San Luis, outro mexicano, não resistiu à maior força do Estudiantes, que passou sem sustos – assim como o Cruzeiro, que se impôs com facilidade sobre o Nacional. O Internacional já sofreu mais com o Banfield, mas conseguiu a vaga. Finalizando, Libertad e Universidad de Chile também se classificaram.

Nas quartas de final, porém, a história mudou. O Flamengo foi vitimado por uma atuação caótica no jogo de ida, quando foi superado em pleno Maracanã pela Universidad de Chile. E, mesmo tendo mostrado valentia em Santiago, vencendo por 2 a 1, uma ótima atuação de Walter Montillo levou os chilenos às semifinais.

Chivas e São Paulo foram duas equipes a ganharem um grande impulso com as quartas. O time mexicano passou pelo Libertad, enquanto os paulistas, com a chegada de Fernandão, melhoraram o desempenho e passaram facilmente pelo Cruzeiro. E o Inter… bem, o caso do Colorado nas quartas já foi descrito. Pausa para a Copa.

Em julho, as semifinais voltaram. O São Paulo até ganhara ânimo para tentar chegar à sétima final de Libertadores em sua história, mas o Internacional tinha mais regularidade – e mais segurança, já que solucionara uma crise, com a chegada de Celso Roth para substituir o contestado Jorge Fossati. Giuliano apareceu mais, decidindo o jogo de ida. E, na volta, no Morumbi, um gol de D'Alessandro melhorou a situação do Inter. O São Paulo fez 2 a 1, insistiu, mas os gaúchos é que conquistaram a classificação à final.

No outro duelo, Universidad de Chile e Chivas tiveram indefinições no primeiro jogo, com empate em 1 a 1, mas os mexicanos se impuseram e venceram por 2 a 0. Eram o segundo time mexicano a chegar à final de uma Libertadores. Mas o time no Mundial de Clubes já estava definido: era o Inter.

Pelo sim, pelo não, o Internacional não deixou dúvidas sobre sua superioridade na decisão. Conseguiu uma vitória exemplar na ida, no México – 2 a 1, de virada. E, se sofreu na volta, no Beira-Rio, ao ver os mexicanos abrirem o placar, mantiveram a calma. E, contando com Giuliano, que crescera de rendimento desde aquele gol em Quilmes, virou o jogo. E conquistou o segundo título de Libertadores. Que provavelmente não viria, caso o Estudiantes não houvesse testemunhado um renascimento.

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Equipe Trivela

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