Leeds United: a destruição de um clube
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
“Leeds joga contra Liverpool no Elland Road”, informavam os jornais britânicos na semana retrasada. Se a notícia fosse lida há cinco anos, não haveria qualquer novidade. Porém, atualmente, o confronto é raríssimo, assim como um jogo contra qualquer outro time de considerável expressão. O principal causador disso é o próprio Leeds, que mal administrado ensinou como desabar tão rápido.
O clube entrou nos anos 2000 voando. Quando se deu conta, tinha acabado de arrebentar o Deportivo La Coruña e assegurado uma vaga entre os quatro melhores da Europa. Estava nas semifinais da Liga dos Campeões na temporada 2000/01. E era o único inglês na parada.
Faltavam só quatro jogos para dominar o continente. Veio outro espanhol, o Valência. Na partida de ida, em casa, um injusto empate sem gols. A esperança tomou conta de Elland Road. Na volta, um gol obrigaria o adversário a marcar dois.
Mas saiu tudo errado. O Leeds deixou a Espanha humilhado, com uma surra de 3 a 0. Indignados, os dirigentes prometeram reação: um timaço para 2001/02 com Paul Robinson, Jonathan Woodgate, Rio Ferdinand, Danny Mills, Robbie Fowler, Robbie Keane, Mark Viduka e Alan Smith, por exemplo. Eles queriam, novamente, colocar o time na principal competição entre clubes do planeta.
Para que a iniciativa desse certo era preciso dinheiro. Como os cofres estavam vazios, o jeito foi buscar empréstimos. A dívida seria paga com a renda da Liga dos Campeões. Portanto, um plano perfeito. Que não permitia falhas.
De novo, faltou combinar com os inimigos. Cinco pontos separaram o Leeds do G-4 da Premier League, ao fim do campeonato. E aí, começou o inferno.
As dívidas e o fundo do poço
Quebrado financeiramente, sem um tostão para pagar os salários e tendo que honrar o empréstimo astronômico, o clube foi obrigado a vender. O símbolo do time, Rio Ferdinand, foi para o Manchester United.
Quase todas as estrelas e ídolos foram embora. Para o lugar deles, vieram jogadores baratos, desprezados pelos grandes. Pela equipe montada, a campanha na temporada foi considerada boa: 14º lugar.
E o que era ruim, piorou. A irresponsabilidade dos dirigentes custou caro. As dívidas aumentavam rapidamente e iam engolindo o clube. Os recursos cada vez mais escassos decretaram a queda para a segunda divisão em 2003/04, depois de 14 anos consecutivos na elite.
Mas a maior desgraça ainda estava por vir. Dois anos depois, o tradicional Leeds United, tricampeão nacional, se afundava no horror da terceira divisão.
Charlton… não o Bobby
Tradicional clube do norte inglês, o Leeds foi fundado em 1919. Coincidência ou não, só surgiu porque o Leeds City FC, criado em 1904, foi punido pela associação de futebol do país por práticas financeiras ilegais.
Para a cidade não ficar sem representante, foi formado o Leeds United Association Football Club. Arrumar um estádio não foi problema. O Ellen Road era usado por um clube de rúgbi e passou a sediar também futebol.
Conforme os anos passavam, “os brancos”, apelido em razão da cor do uniforme, foram ganhando terreno. Nos anos 60 e 70 ganharam duas vezes o campeonato nacional, uma a Copa da Inglaterra e uma a Copa da Liga Inglesa. Em todas essas conquistas, o astro foi Jack Charlton, o maior jogador da história do clube. Irmão mais velho de Bobby Charlton, passou toda a carreira por lá.
Quando ele decidiu se aposentar, o Leeds tremeu. E passou mais de 15 anos, até 1991, subindo e descendo da primeira divisão. Foi então, que apareceu o francês Eric Cantona .
O primeiro renascimento
O atacante deu nova vida ao time que levantou pela terceira vez a taça da segundona em 1990. No ano seguinte, o Leeds tirou Cantona do Nimes, da França. O investimento valeu cada centavo e na temporada 1991/92 “os brancos” renasceram. Venceram, outra vez, a Premier League.
O título abriu portas. E marcou o início do segundo período dourado. Cantona, entretanto, queria mais e se mandou para o Manchester United. Enquanto isso, o Leeds foi crescendo como podia. Se não ganhou títulos depois disso, também não saiu mais da elite inglesa.
Incomodou Manchester, Liverpool e Arsenal até 2002, quando resolveu dar um passo maior que as próprias pernas. A obsessão de vencer a Liga dos Campeões e encher os bolsos com os milhões da Uefa foi fatal. As dívidas destruíram o clube, que hoje tenta, vagarosamente, se reerguer.
Lidera a terceira divisão. Nos primeiros nove jogos, oito vitórias e um empate. É uma injeção de ânimo na torcida, que pelo terceiro ano seguido vê o time penar longe dos grandes. Falando neles, o jogo do ano em Elland Road, contra o Liverpool, foi disputado pela Carling Cup, a Copa da Liga Inglesa. O Liverpool venceu com os reservas eliminou o Leeds. Sinal que ainda falta muito…