Le Mans: A união faz a força

Na Primeirona! Na Primeirona! Uma frase curta, repetida à exaustão por 12 mil pessoas reunidas no estádio Leon Bollée às 20:30 de 23 de maio de 2003. Depois de 500 partidas na segunda divisão do campeonato francês, o MUC 72 conseguiu pela primeira vez a classificação para a elite do futebol nacional. Pouco mais de 20 anos depois de uma grande decepção com o futebol, os habitantes de Le Mans puderam enfim comemorar novamente.
A idéia de um grande clube em Le Mans
Depois de um período suntuoso na temporada de 1972/3, quando chegou ao topo da segunda divisão, o clube Union Sportive du Mans (USM) foi mergulhado para o abismo e rebaixado ao longo dos anos à terceira divisão, em 1974/5, e depois para a quarta, em 1981/2. Foi uma grande decepção para o esporte da cidade.
No sentido inverso, após uma lenta ascensão, o clube Stade Olympique du Maine (SOM) chegou à terceira divisão e chegou a jogar algumas partidas no Leon Bollée. Na temporada seguinte, o SOM ficou num modesto 11º lugar no grupo oeste da terceira divisão. O clube não alcançou seus objetivos e a partir daí ficou claro que apenas um dos dois times conseguiria representar bem a cidade no futebol francês.
Foi então que o presidente do SOM, Roland Grandier, levantou a idéia de criar um grande clube de futebol em Le Mans, algo que ele já sonhava há algum tempo. Em 1985, o prefeito da cidade, Robert Jarry agendou várias reuniões com os presidentes dos dois clubes da cidade: Grandier, do SOM, e Stévenot, da USM. O projeto foi então tomando corpo. O futuro 'grand club du Mans' jogaria na terceira divisão (herança do clube Stade Olympique du Maine) e teria como estádio o Leon Bollée (contribuição da Union Sportive du Mans). Em maio do mesmo ano, o nome Le Mans Union Club (MUC) foi proposto por Jean-Yves Lemarchand e chamou a atenção. Pronto, já estava tudo preparado para o nascimento de um grande clube representando Le Mans.
Criado com um objetivo
Em 7 de Junho de 1985, a USM convocou uma assembléia geral da seção de futebol para decidir sobre a fusão com o SOM. Para ser aceita a proposta de união dos clubes, dois terços de 299 votos precisariam dizer sim. No final da sessão, 209 aprovaram. De acordo com a decisão tomada, foi então decidido que a USM e o SOM passariam a ser um clube só, chamado Le Mans Union Club 72.
Robert Jarry declarou então em 26 de junho de 1985: “Não deve-se crer em ilusões, mas sim na esperança. O clube vai repousar numa corrente de apoio popular, e os jogadores serão os que farão a decisão dentro de campo”. Os dirigentes do MUC 72 e em particular o presidente Roland Grandier logo definiram um objetivo para o clube: alcançar a segunda divisão em três anos.
Para a concretização desse desejo, os dirigentes planejaram um projeto estruturado voltado para o futuro: a fusão não valeria para os times femininos e para as categorias de base. O alvo quase foi atingido. Na temporada 1986/7, o MUC 72 ficou em segundo lugar e não conseguiu subir. O clube novamente deu um chute na trave em 1987/8, quando foi vice novamente.
Em setembro de 1988, foi reinaugurado o Leon Bollée, após o MUC 72 ter enfrentado novamente dificuldades no campeonato. Pareceu dar sorte a renovação do estádio: na temporada seguinte, de 1989/90, o time foi campeão do grupo oeste da terceira divisão e subiu para a Segundona.
Foi então que na temporada 1990/1 o clube entrou numa nova era. Roger Leroy, então presidente, decidiu passar seu cargo para o tesoureiro, Jean Yves Merdrignac, que traçou como objetivo estabilizar o clube D2.
Missão cumprida
As temporadas seguintes foram marcadas pelo MUC 72 ter se fixado na segunda divisão. O objetivo da fusão dos antigos USM e SOM foi finalmente alcançado. Como recompensa, em 1998 foram implantadas arquibancadas atrás dos gols, ampliando a capacidade do estádio para receber 12 mil torcedores.
A partir da fixação na segunda divisão e com a sensação de missão cumprida, o Le Mans passou então a galgar degraus mais altos. Em 1999, a equipe treinada por Marc Westerloppe conseguiu chegar às semifinais da Copa da França, momento muito comemorado e lembrado por todos os torcedores do clube.
Naquele ano, a torcida nem esperava o que viria à frente, quando a melhor página da história do clube seria escrita. Depois de uma boa temporada em 2001/2, quando ficou em quinto lugar no campeonato da segunda divisão, o Le Mans conseguiu entrar para a elite do futebol francês. O vice-campeonato conquistado em 2002/3 foi comemorado nos quatro cantos da cidade. A população agradeceu, e o site oficial da cidade estampou uma grande figura com a palavra “merci” – obrigado – e com os fanáticos torcedores celebrando a conquista no estádio lotado.



