Lassana Diarra: Nada de reserva

Ciente das carências de seu elenco para a segunda metade da temporada 2008/09, o Real Madrid decidiu trazer duas novas caras para o Santiago Bernabéu no mercado de janeiro; o cobiçado centroavante Klaas-Jan Huntelaar e o eficiente volante Lassana Diarra. Enquanto o primeiro já é figurinha carimbada no hall dos principais atacantes do continente europeu, o francês, de apenas 23 anos, chamou mais atenção por ter o mesmo nome e atuar na mesma posição que o malinês Mahamadou Diarra, do próprio Real, do que por seu futebol propriamente dito.

Nascido no dia 10 de março de 1985, Lassana Diarra não teve um início de carreira dos mais fáceis. Mesmo depois de promissoras atuações por equipes juvenis da França, Diarra demorou para conseguir o seu primeiro contrato profissional. Taxado como “baixo e leve demais” para jogar futebol (1,70m e 57kg), o jovem chegou a admitir a possibilidade de desistir do esporte depois que Nantes e Le Mans rejeitaram contratá-lo. Ele cogitou voltar aos estudos em vez de jogar bola, mas no final manteve-se fiel ao seu objetivo, conseguindo o primeiro contrato profissional na equipe do Le Havre em 2003.

As notáveis atuações na cabeça-de-área da equipe francesa e a semelhança física fizeram com que Lassana fosse apelidado de “o novo Makelele”, o que chamou a atenção de grandes clubes da França e do resto da Europa. Em julho de 2005, o Chelsea decidiu pagar 1 milhão de libras para ter Diarra em seu elenco. A idéia dos Blues não era trazer um jogador para a equipe titular, mas sim investir em um promissor volante que tinha tudo para suceder o próprio Makelele, que na época já começava a vivenciar um pequeno declínio técnico e físico no time de Londres.

No Chelsea, Diarra acabou fazendo parte da equipe principal, mas, como era de se esperar, teve poucas chances entre os titulares. Mesmo assim, ele foi muito bem nas 7 partidas que fez com a camisa do clube na temporada 2005-2006, sendo escolhido como o melhor jogador jovem do Chelsea no ano de sua estréia.

No campeonato inglês seguinte, uma série de contusões no setor defensivo dos Blues acabaram fazendo com que Diarra tivesse mais chances entre os titulares, mas atuando na lateral-direita da equipe de José Mourinho. Mesmo improvisado, Lassana não desapontou e fez grandes partidas na nova posição, barrando até mesmo o titular da posição, Paulo Ferreira, em algumas partidas.

Contudo, o simples fato de fazer parte de um elenco vencedor não parecia ser o suficiente para Lassana Diarra. Logo no início da temporada 2007-08 o jovem volante mostrou que era discreto apenas dentro das quatro linhas e forçou a sua saída dos Blues, alegando que merecia a titularidade. Assim, no dia 31 de agosto de 2007, Lassana se transferiu do Chelsea para o rival Arsenal por uma quantia não-divulgada. Lá, o jovem herdou a camisa 8 do lendário Fredrik Ljungberg, mas não a tão sonhada e brigada vaga entre os 11 iniciais.

Depois de começar oito partidas seguidas pelos Gunners, Diarra caiu de desempenho e acabou, assim como na equipe de Stamford Bridge, indo parar no banco de reservas. Frustrado pela falta de chances entre os titulares e ansioso por mostrar que poderia fazer parte da seleção francesa que disputaria a Euro 2008, Lassana uma vez mais mostrou ser ambicioso demais para esquentar o banco de reservas de um grande clube e exigiu que o Arsenal o negociasse na janela de transferências de janeiro de 2008.

No dia 17 de janeiro o francês foi vendido ao Portsmouth, que pagou 5,5 milhões de libras por seu futebol. A transferência fez com que o jovem tivesse a impressionante marca de três clubes da Premier League em apenas 29 meses.

No Pompey, Lassana enfim se estabeleceu entre os titulares, sendo um dos principais nomes da surpreendente conquista da Copa da Inglaterra. Ao final da temporada, Diarra também conseguiu seu objetivo principal e foi chamado para defender a França na Eurocopa. O péssimo desempenho de seu país, no entanto, não lhe deu chances de atuar nem um minuto sequer entre os titulares. Mesmo assim, Diarra chegou a declarar publicamente que o título conquistado pelo Portsmouth e a convocação para o selecionado francês eram argumentos que “mais do que justificavam a sua decisão de deixar o Arsenal”.

Na temporada 2008-09, Diarra continuou com boas atuações pelo Portsmouth e, no dia 18 de setembro de 2008, entrou para a história da equipe azul ao marcar o primeiro gol do clube em uma competição continental de grande porte, a Copa Uefa, na partida entre os ingleses e o Vitória de Guimarães. Mesmo não sendo brilhante nos meses seguintes, Lassana chegou a despertar o interesse de equipes como o Tottenham e o Manchester City na janela de transferências de janeiro de 2009. Seu destino final, no entanto, acabou sendo o Real Madrid, em uma negociação surpreendente que girou em torno dos 20 milhões de libras.

O jogador, que chegou avisando a imprensa que vinha para ser titular, foi apresentado à torcida merengue no início desse ano na vitória dos madrilenos sobre o Villarreal. Usando a camisa 6, Diarra terá primeiro que provar que o alto investimento feito em sua contratação é suficiente para colocar a defesa do Real em ordem e substituir à altura o seu xará malinês. Se depender da sua eficiência em campo e sua ambição, os torcedores do Real podem ficar tranquilos, Lass chegou para ganhar a vaga e não sair mais, nem dos 11 titulares e nem do clube.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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